O Governo do Paraná planejou e vem trabalhando para que o Estado se transforme em um hub logístico nos próximos anos. Além das concessões de aeroportos realizadas recentemente, também estão previstas as concessões rodoviária e ferroviária.
Os investimentos nos três modais ultrapassam de longe a casa dos bilhões de reais.
Nesta semana, alguns prefeitos do Oeste conheceram o projeto que está sendo elaborado para colocar em leilão, no primeiro semestre de 2022, a Nova Ferroeste. Os gestores municipais verificaram por onde deve passar o traçado da futura ferrovia, que sairá do Mato Grosso do Sul com destino a Paranaguá, sendo que terá um braço em Foz do Iguaçu.
Nesta etapa, está sendo executado o projeto de Viabilidade Técnica, Econômica, Ambiental e Jurídica (EVTEA-J) e o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA).
Recentemente, o grupo de trabalho responsável pelo projeto esteve em Guaíra para tratar sobre o assunto com as lideranças municipais. Na ocasião, autoridades guairenses apresentaram a reivindicação para que seja construída no município uma segunda ponte ligando o Paraná ao Estado sul-mato-grossense.
No encontro desta semana, os técnicos informaram que a Ponte Ayrton Senna não será utilizada pela Nova Ferroeste. Para isso, será construída uma ponte ferroviária sobre o Rio Paraná.
“A ideia é utilizar o traçado e a estrutura da ponte ferroviária para incluir a nova ponte rodoviária, já com pista dupla. Onde for cruzar a Ferroeste é para, paralelamente, ter a ponte rodoviária. Imagino pista dupla, como se fosse uma rodovia normal duplicada, e de um lado os trilhos e do outro uma ciclovia. Essa foi a reivindicação do município de Guaíra”, disse o prefeito Heraldo Trento ao Jornal O Presente.

NADA DE CONCRETO
A equipe técnica que trabalha para viabilização da Nova Ferroeste recebeu a reivindicação guairense. Contudo, o investimento não é garantido.
“Eles anotaram, mas de concreto só aguardando o projeto da Ferroeste”, expõe o mandatário.
NECESSIDADE DO INVESTIMENTO
Trento lembra que Guaíra será contemplado com o contorno rodoviário, a partir de um convênio firmado pelo Governo do Estado em parceria com a Itaipu. O objetivo é desviar o trânsito pesado do centro da cidade. Já o traçado ferroviário vai seguir paralelamente o mesmo caminho do contorno.
No entanto, o tráfego deve afunilar na Ponte Ayrton Senna, que tem pista simples.
“A Ayrton Senna é uma antiga ponte de serviço e não tem estrutura necessária e, mais do que isso, tem pista simples. Se a BR-163 está sendo duplicada de Norte a Sul, é bem razoável que diante do desenvolvimento do projeto da Ferroeste contemple também uma nova ponte rodoviária com duas pistas de cada lado, acoplada a uma ciclovia de um lado e do outro os trilhos. É preciso pensar no desenvolvimento lá na frente para executar essas obras e construir uma ponte nova”, defende. “Estruturalmente, a Ponte Ayrton Senna não foi projetada e idealizada para suportar o trânsito pesadíssimo que temos aqui”, complementa.
De acordo com o gestor municipal, o grupo de trabalho da Nova Ferroeste entendeu como razoável a reivindicação de Guaíra.
TRAÇADO
O contorno rodoviário terá 4,6 quilômetros de extensão e vai da BR-163 (acesso ao Mato Grosso do Sul), logo na primeira saída da Ponte Ayrton Senna, à BR-272 (ligação com Umuarama).
Pelo projeto, o fluxo será canalizado em uma via de pista dupla. O valor do investimento será de R$ 65,8 milhões, sendo R$ 61,3 milhões da Itaipu e R$ 4,4 milhões do Governo do Estado.
MODERNIZAÇÃO DA AYRTON SENNA
A modernização da Ponte Ayrton Senna está prevista a partir de outro convênio entre Estado e Itaipu. A parte burocrática está sendo finalizada para que a licitação possa acontecer ainda no segundo semestre de 2021.
A intervenção contempla restauração (patologias, sinalização e dispositivos de segurança) do trecho de 3,6 quilômetros da ponte sobre o Rio Paraná, recuperação asfáltica de 1,1 quilômetro de acessos entre o fim do perímetro urbano de Guaíra e o início da ponte e substituição da iluminação (serão 134 novos postes fotovoltaicos autônomos). O valor destinado será de R$ 26,1 milhões.
O investimento com a reforma, segundo Trento, visa melhorar os pontos que estão fragilizados na estrutura para que possam ser reestruturados.
“A ponte será reformada até termos um projeto futuro. Por mais e melhor que seja essa reforma, vai chegar o momento lá na frente que vamos voltar a ter novamente um problema estrutural. Por isso que fomos contemplados com essa reforma para verificar os pontos onde são necessários reforços estruturais”, afirma o prefeito, lembrando que estes problemas estruturais foram causados pelo decurso do tempo, tendo em vista sua inauguração há 23 anos, aliado ao volume e peso do trânsito no local.

O Presente