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História do antigo seminário de Nova Santa Rosa ganha novo capítulo

(Foto: Arlen Güttges)

Após décadas de total abandono, a presença de pessoas realizando limpeza e poda de árvores, na semana passada, no antigo Seminário Santo Américo de Nova Santa Rosa chamou a atenção de quem passou em frente ao imóvel.

Diante da curiosidade de muitas pessoas, em especial dos nova-santa-rosenses, em relação ao destino da estrutura, a reportagem do Jornal O Presente entrou em contato com os proprietários da imóvel para saber sobre os planos para a estrutura.

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Segundo Deyse Cristine Schaedler Wagner, filha de um dos proprietários, a família comprou a área em um leilão em 2015, porém, após a aquisição, a posse do imóvel foi motivo de disputa judicial entre uma imobiliária da região que seria a antiga proprietária e uma instituição financeira, a qual teria recebido o imóvel como garantia. “E nós ficamos como terceiro interessado porque havíamos feito na boa-fé a compra em leilão”, declarou ao O Presente.

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Após uma longa briga judicial, a família Schaedler, que é dona de um frigorífico na cidade, ganhou recentemente na Justiça o direito definitivo sobre a propriedade. “A juíza deferiu e viu que agimos na boa-fé durante a compra no leilão e nos deu a posse do imóvel”, expõe.

Em virtude do processo judicial, o Seminário Santo Américo ficou abandonado por muitos anos e a ação do tempo deteriorou parte da edificação, principalmente a estrutura em madeira do telhado, que veio abaixo em alguns ambientes.

De acordo com Deyse, além dos estragos causados pelo longo período que permaneceu sem reformas ou benfeitorias, o imóvel sofreu também com a presença de pessoas que frequentavam o local para consumir drogas e para depredar o imóvel. “Muitas pessoas invadiram para quebrar e roubar”, menciona.

Ao longo dos anos em que ficou desativado, a vegetação tomou conta do terreno e, conforme a família dona do imóvel, o trabalho de limpeza e poda das árvores foi necessário para poder avaliar melhor as condições estruturais da edificação. “Pretendemos pedir uma avaliação de engenheiros e arquitetos para sabermos a que ponto a estrutura está comprometida”, destaca.

Deyse Cristine Schaedler Wagner, filha de um dos proprietários do imóvel: “O imóvel faz parte da nossa história também. Estamos abertos a propostas tanto da iniciativa privada, quanto do setor público” (Foto: Divulgação)

 

ABERTO A PROPOSTAS

Após a etapa de avaliação estrutural, os proprietários pretendem traçar um plano de viabilidade para decidir o que é mais interessante para o espaço. A família não descarta a possibilidade de alguma parceria com a iniciativa pública ou privada para manter em pé a estrutura e, assim, preservar a importante contribuição histórica do seminário para Nova Santa Rosa. “Não pretendemos derrubar tudo, de forma alguma, e caso o imóvel ofereça condições, estamos dispostos a reformar a estrutura para mantê-la em pé”, revela.

Entretanto, para isso, a família aguarda a sinalização de alguma instituição que tenha interesse pelo local. “Poderia ser transformado em uma escola, faculdade ou até mesmo um centro de recuperação”, exemplifica.

 

VALOR SENTIMENTAL

Além de fazer parte da história ecumênica nova-santa-rosense, o Seminário Santo Américo também foi importante para os Schaedler, afinal, a família possui fortes raízes com o município. “O imóvel faz parte da nossa história também. Meu pai e meu tio estudaram no seminário e ele tem um grande apego sentimental para a família”, salienta Deyse.

 

HISTÓRIA

Inaugurado em 05 de novembro de 1972 por padres beneditinos húngaros, membros do Mosteiro São Geraldo da cidade de São Paulo, o seminário ganhou o mesmo nome do seminário e colégio que os sacerdotes possuíam no Estado vizinho. Na época, os padres saíram pelo Sul do Brasil para escolher um lugar onde instalar um seminário para jovens iniciarem estudos seminarísticos. A escolha de Nova Santa Rosa aconteceu pela acolhida que tiveram do então bispo diocesano Dom Armando Círio e principalmente por se identificarem com o povo da região, a maioria de descendência europeia e de origem alemã.

Considerado um marco para o desenvolvimento religioso do município, o Seminário Santo Américo possibilitou educação e formação a muitos jovens da região.

O ex-prefeito de Nova Santa Rosa e ex-professor Élio Migliorança lembra do tempo em que administrou o seminário. De acordo com ele, na época a Diocese de Toledo também ganhou muito, pois o seminário sempre tinha de dois a três padres que atendiam a paróquia. “Para a comunidade foi um ganho enorme, pois, além de líderes, os padres eram professores na escola de 1º e 2º grau. O padre Dom Severino foi um deles. Ele foi o primeiro pároco e reitor do seminário e morou aqui por 15 anos. Era doutor em História e na época professores com esse nível cultural só lecionavam em universidades de Curitiba, Londrina e Maringá. Na época era a única escola de 2º grau do Brasil que tinha um doutor lecionando”, relembra.

Migliorança sabe que a decisão sobre o futuro do antigo seminário cabe exclusivamente à família proprietária do imóvel. No entanto, ele destaca a importância histórica cultural da estrutura para o município, que, segundo o ex-prefeito, foi uma referência religiosa e política na região, pois a presença do seminário ajudou, inclusive, na emancipação de Nova Santa Rosa. “Respeito muito qualquer que seja a decisão dos proprietários, mas se o seminário ficar em pé será um grande presente para a comunidade”, enaltece.

Ex-professor e ex-administrador do seminário, Élio Migliorança: “Se for demolido será uma tragédia do ponto de vista histórico-cultural de Nova Santa Rosa” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

Seminário Santo Américo foi fundamental para a educação e formação de muitos jovens de toda a região (Foto: Arlen Güttges)

 

Terreno onde está localizado o Seminário Santo Américo tem área total de 12.854 metros quadrados e fica no perímetro urbano de Nova Santa Rosa (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Devido à precariedade da estrutura, local oferece risco. Família proprietária orienta a população para não entrar no imóvel a fim de evitar acidentes (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

LIMPEZA DO ESPAÇO CHAMOU A ATENÇÃO

Ao longo dos anos em que o Seminário Santo Américo ficou desativado, a vegetação tomou conta do terreno e, conforme a família dona do imóvel, o trabalho de limpeza e poda das árvores foi necessário para poder avaliar melhor as condições estruturais da edificação.

(Fotos: Arlen Güttges)

 

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