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Homem morre e outro fica gravemente ferido após explosão em secador de grãos em Assis

C.Vale afirmou que ambos usavam EPI e que está prestando assistência às vítimas e familiares


calendar_month 6 de junho de 2024
4 min de leitura

Um homem morreu e outro ficou gravemente ferido após uma explosão em um silo de secagem de grãos da C.Vale, em Encantado d’Oeste, distrito de Assis Chateaubriand. De acordo com a Polícia Militar (PM), a vítima que morreu é natural do Paraguai.

O caso foi registrado por volta da 1h15 desta quinta-feira (6). Segundo a Polícia Militar, equipes foram acionadas pelo Samu relatando a explosão do secador que fica na PR-364.

A vítima que morreu foi identificada como Júlio Cesar Vera Davalos, de 46 anos, segundo a Polícia Civil. Ele era funcionário terceirizado. O homem gravemente ferido é o jovem Gabriel Marcenichen Mangon, de 23 anos, que foi levado ao Hospital Bom Jesus, de Toledo, na mesma região do estado.

No local, a PM afirma que ao contatar o gerente responsável da unidade, foi informada que os dois homens trabalhavam no secador de grãos, e houve uma explosão que atingiu a plataforma de sustentação onde eles estavam. Ela se desprendeu do secador, levando a queda das vítimas, também de acordo com a polícia.

Até a última atualização dessa reportagem, não havia informações sobre a causa da explosão.

A secagem de grãos é o processo de remoção da água do interior dos grãos após a colheita na lavoura. A secagem é necessária para diminuir a umidade dos grãos armazenados reduzindo os riscos de que o produto perca qualidade ou estrague.

O Corpo de Bombeiros esteve no local e constatou que não há indícios de novas explosões ou focos de incêndio no local do acidente. A Polícia Civil e Polícia Cientifica também estiveram no local e investigam o caso.

Investigação

De acordo com o delgado de Polícia Civil de Assis Chateaubriand, Túlio Fernando de Almeida, equipes estão no local colhendo informações e também identificando os responsáveis pela manutenção e demais aspectos do uso do equipamento de secagem.

“Nós precisamos avançar para saber se de fato houve também algum tipo de desuso de material necessário para a segurança do trabalhador e se houve alguma inobservância das regra técnica. […] Precisamos identificar quem são responsáveis pela fiscalização de cumprimento de regras, quanto pela fiscalização e manutenção dos equipamentos”, afirmou o delegado.

O que diz a C.Vale

Em nota Cooperativa Agoindustrial C.Vale informou que “um prestador de serviço terceirizado e um funcionário da cooperativa estavam verificando um princípio de incêndio em um secador de grãos quando a passarela externa que eles utilizavam cedeu provocando a queda dos trabalhadores de uma altura de seis a oito metros”, diz trecho.

A nota diz ainda que ambos os trabalhadores utilizavam Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e que está prestando assistência às vítimas e familiares.

Acidente em silo em 2023

A Cooperativa Agoindustrial C.Vale é responsável pela unidade instalada na cidade de Palotina onde em julho de 2023 10 trabalhadores morreram e outros 10 ficaram feridos após explosões em um silo de grãos. Nove dos mortos, eram haitianos.

Relatório do Ministério do Trabalho e Emprego sobre as explosões concluiu que houve um problema na gestão de segurança da empresa. Segundo o documento, o acúmulo de poeira, gerado pela movimentação de grãos nos silos, criou uma atmosfera explosiva. O ministério disse não ter sido possível determinar o que provocou explosão, se foi uma faísca ou fonte de fogo, por exemplo.

O ministério enviou o relatório ao Ministério Público do Trabalho, que vai avaliar se cabe uma ação civil, e também para a Advocacia Geral da União. Até a última atualização do caso, a C.Vale disse que ainda não tinha sido notificada.

A polícia indiciou o gerente geral da unidade, Carlos Matiuz, o gerente do setor de medicina e segurança no trabalho Mauricio da Luz e o analista operacional Elias Maicon Sobrinho, encarrego do setor onde houve a explosão. Os três gestores respondem por lesão corporal e homicídio culposo.

Segundo a apuração da Polícia Civil, os três gestores indiciados sabiam de problemas no sistema de desempoeiramento nos túneis de grãos, local que aconteceu a explosão. Ainda segundo a polícia uma ação dos gestores poderia ter evitado a tragédia.

Durante a investigação a polícia ouviu 47 pessoas e já enviou o inquérito ao Ministério Público, que é quem vai decidir se oferece denúncia.

Com G1

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