Municípios Samu, Bombeiros e PM

Maioria dos trotes em Marechal Rondon são feitos em orelhões; Consamu registrou 1.228 falsas chamadas em 2021

Maioria dos trotes em Marechal Rondon são feitos em orelhões (Fotos: Sandro Mesquita/OP)

Espécie de pegadinha que se concretiza mediante uma ligação feita com o intuito de satirizar ou enganar alguém, geralmente desconhecidos que estão do outro lado da linha, o trote telefônico representa um grande problema, especialmente quando é feito a órgãos que realizam serviços de emergências. Nestes casos, longe de gracinhas, a brincadeira de mau gosto pode acarretar em um fim trágico.

Além de gerar custos, passar trotes para a polícia, Corpo de Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), diminui a eficiência destas corporações, colocando em risco a vida das pessoas que estão entrando em contato porque realmente precisam de ajuda. O Consórcio Intermunicipal Samu Oeste (Consamu), por exemplo, em 2021, registrou 1.228 trotes telefônicos no serviço de emergência 192. Ou seja, recebeu 102 telefonemas falsos por mês, ou três a cada dia.

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O mês de dezembro foi o que teve maior índice de trotes, sendo 228 ao todo. Em seguida vêm os meses de setembro com 131 registros e outubro com 116. A quantia é bastante significativa e provoca danos irreparáveis, segundo aponta a assessoria do Consamu. É que além de mobilizar a estrutura de saúde, as ligações falsas ocupam o lugar de ocorrências verdadeiras e impedem, muitas vezes, os socorristas de salvar vidas. “Além disso, a prática é um incômodo real para as vítimas destes trotes, gerando sérios efeitos psicológicos negativos”, alerta o porta-voz do Consamu, Luciano Barros.

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Mês de dezembro foi o que teve maior índice de trotes no Consamu em 2021: 228 (Fotos: Divulgação)

 

Sazonais

Já no Corpo de Bombeiros os trotes são sazonais. A maioria das ligações acontece próximo ao horário de saída e entrada dos alunos nas escolas. De acordo com o comandante do 4º Subgrupamento, capitão Tiago Zajac, em Marechal Cândido Rondon não é diferente. Ele diz que por meio do identificador de chamadas foi possível observar que muitos dos trotes tinham origem em um orelhão localizado em frente a um colégio da cidade.

Conforme Zajac, o que ameniza a situação é que os bombeiros militares responsáveis pelo atendimento das chamadas e, consequentemente pela triagem, possuem experiência para identificar possíveis trotes, o que minimiza o deslocamento para os chamados falsos. “É importante diferenciar as ligações em que existe a tentativa de se originar uma falsa ocorrência e as ligações de crianças e adolescentes, embora as duas atrapalhem”, afirma.

O comandante do Corpo de Bombeiros ressalta que o grande problema destas práticas, além do deslocamento de viaturas pesadas em regime de urgência, é que em caso de uma ocorrência verdadeira a equipe estará em um local onde não se necessita de atendimento. “Além disso, essa ‘brincadeirinha’ onera o Estado com combustível, desgaste de viatura e dos militares que poderiam estar descansando para estarem a postos em caso de situações reais. Isso tudo pode acarretar um fim trágico”, salienta.

Comandante do 4º Subgrupamento, capitão Tiago Zajac: “Essa ‘brincadeirinha’ onera o Estado com combustível, desgaste de viatura e dos militares que poderiam estar descansando para estarem a postos em caso de situações reais” (Foto: Arquivo/OP)

 

Identificação mais fácil

Os chamados falsos de atendimento também são recorrentes na Polícia Militar. Mas uma ferramenta foi criada recentemente para o atendimento de ocorrências: o aplicativo 190. “Com isso tem diminuído a incidência dos trotes e os que acorrem são mais fáceis de identificar o autor, por conta dos dados cadastrais para a utilização e o rastro que o aplicativo deixa dentro do sistema quando é gerada uma ocorrência”, realça o porta-voz do 19° Batalhão, tenente Erivelton Souza Santos.

Ele também acentua as consequências que as ligações falsas trazem ao serviço de atendimento podem ser perigosas. “Esses trotes podem estar ocupando a linha em momentos que alguém realmente tenha uma emergência envolvendo arma de fogo, violência doméstica e outras situações emergenciais que podem demorar mais que o necessário para serem atendidas em virtude de ter alguém que esteja ligando para números emergenciais por pura diversão”, pontua.

De acordo com tenente, há um curso na instituição para policiais que trabalham no atendimento do telefone de emergência. Deste modo, a triagem fica mais fácil. “Em algumas situações é perceptível o trote, tanto de crianças quanto de adultos, justamente por ser uma voz infantil ou pelo que é falado ao telefone. São xingamentos, frases sem sentido e outras coisas. Já outras passam imperceptíveis por conta que a pessoa que fala ao telefone acaba fazendo contato como se de fato uma emergência estivesse acontecendo”, frisa.

Tenente Erivelton Souza Santos, do 19° Batalhão da Polícia Militar: “Esses trotes podem estar ocupando a linha em momentos que alguém realmente tenha uma emergência e vai demorar mais do que o necessário para ser atendida” (Foto: Divulgação)

 

Passar trote é crime

Passar trote aos serviços de emergência é um crime previsto no Código Penal e, quando identificado, o autor é enquadrado no artigo nº 340 do Código Penal por falsa comunicação de crime ou de contravenção, cuja pena é detenção de um a seis meses ou multa.

Passar trote aos serviços de emergência é um crime previsto no Código Penal (Foto: Sandro Mesquita/OP) 

 

 

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