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Marechal Rondon é o quarto maior produtor agrícola do Paraná; outras cidades da região figuram no top dez. Confira

calendar_month 27 de agosto de 2019
7 min de leitura

Com R$ 1.032.266.426,83, o município de Marechal Cândido Rondon ocupa a 4ª posição no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná no ano de 2018, correspondente à safra 2017/2018, quando considerados os 399 municípios. O faturamento do Paraná foi de R$ 89,6 bilhões, 5% superior a 2017, ano em que o VBP atingiu R$ 85,3 bilhões.

Os grupos com maior participação no VBP do Estado, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), que faz a pesquisa anual e é ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), foram soja, frango, milho e leite. Juntos, esses produtos corresponderam a 55% do VBP de 2018.

As regiões com maior participação no Valor Bruto da Produção em 2018 foram Oeste, com 23%; Norte Central, com 14%; Sudoeste, com 11%; Noroeste, com 10%; Centro Oriental, Centro Sul e Norte Pioneiro com 8% cada.

Os municípios campeões foram Toledo, Castro e Cascavel, nessa ordem. Toledo apresentou um VBP de R$ 2,2 bilhões, Castro aparece em 2º lugar com R$ 1,57 bilhão e Cascavel com R$ 1,53 bilhão de faturamento. No VBP dos municípios, Toledo conserva a 1ª colocação há mais de dez anos, enquanto o município de Castro ultrapassou Cascavel na 2ª colocação. Santa Helena com R$ 976 milhões e 6º lugar, Assis Chateaubriand em 7º com R$ 975 milhões e Palotina em 9º lugar com R$ 908 milhões completam o “top dez”.

Na regional da Seab de Toledo, o frango ocupa posição de destaque com R$ 1,8 bilhão nos cinco municípios que figuram entre os dez principais do Estado, depois surge suíno com R$ 1,4 bilhão. Soja, milho e leite aparecem na sequência. Em franca expansão está a tilápia, que ocupa o 4º e 5º lugar em Assis Chateaubriand e Palotina, com R$ 83,4 milhões; se analisados os cinco municípios somados, o valor sobe para R$ 163,3 milhões.

 

SUÍNOS NA LIDERANÇA

Em Marechal Rondon, a arrecadação proveniente do VBP aumentou de R$ 954,1 milhões em 2017 para R$ 1,032 bilhão em 2018. A suinocultura é a atividade de melhor rendimento, com R$ 300 milhões, seguida de avicultura (R$ 205,2 milhões), soja (R$ 131,7 milhões), leite (R$ 119,1 milhões) e milho (R$ 70,4 milhões).

O Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná no ano de 2018, correspondente à safra 2017/2018, foi divulgado em junho desde ano pelo Deral.

 

CENÁRIO POSITIVO

O presidente da Associação Municipal de Suinocultores (AMS), Sérgio Barbian, diz que o consumo da carne suína terá considerável aumento e por isso o segmento vai crescer ainda mais no Paraná. “O Estado busca trazer mais qualidade e toda certificação necessária. As empresas querem exportar cada vez mais e isto reflete na produção observada no município. Consequentemente o suinocultor que gosta da atividade vai investir mais para viver em cima disto e ter melhor renda”, ressalta.

Se o Paraná se adequar às exigências, Barbian comenta que o valor a ser obtido com a exportação tende a aumentar de 30% a 35%. “Estes dados nós analisamos com cooperativas, em reuniões na região e em Curitiba, com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep)”, expõe.

O presidente da AMS avalia que o consumidor se mostra mais exigente e hoje deseja pôr na mesa cortes diferentes, a exemplo do que é feito na indústria da Frimesa em Marechal Rondon. “O consumo da carne de suíno será ampliado em todo o mundo. Prova disso é que a Frimesa está construindo o maior frigorífico de suínos da América Latina em Assis Chateaubriand, o que deve estimular os produtores a investirem no setor”, prevê.

Ele cita que a AMS abrange produtores de Entre Rios do Oeste, Marechal Rondon, Mercedes, Pato Bragado e Quatro Pontes, municípios com os quais firma convênios para viabilizar sêmen, entre outros. “A gente trabalha em conjunto, porque a nossa associação também representa conselheiros de outros municípios. A suinocultura sempre está ativa, no entanto uma dificuldade enfrentada é a baixa remuneração aos produtores, especialmente os pequenos, situação vivida em todo o Estado. Nas reuniões da Faep analisamos os custos e avaliamos fatores e mesmo com a diferença paga pelas empresas aos suinocultores independentes e integrados a queixa geral é de que os valores são baixos quando comparados às exigências em termos de regras, ou seja, é difícil o pequeno produtor se manter na atividade”, pontua.

Barbian relata que as empresas do ramo acumularam prejuízo no ano passado, o que precisa ser recuperado. “Eu vejo que as empresas precisam ficar atentas para melhorar a remuneração, até porque a suinocultura sempre foi algo de risco. Por exemplo, existem dificuldades em todas as fases e o maior cuidado fica na Unidade Produtora de Leitões (UPL), quando a atenção é de 24 horas por dia dentro da granja. Depois no crechário e na terminação o serviço é mais automatizado, então exige menos cuidado”, comenta.

O ciclo de desenvolvimento do suíno desde o nascimento até o abate varia de 180 a 200 dias dependendo da empresa com a qual o produtor trabalha, quando o animal é abatido com 120 a 130 quilos. “Em média 20 dias na UPL, outros 45 na creche e 115 na fase de terminação. O produtor independente, por exemplo, recebe na faixa de R$ 4 o quilo de carne, antes estava em R$ 5 o quilo, porém baixou mesmo com o aumento na exportação. Já no integrado, como no meu caso que trabalho com a Copagril, o valor pago por cabeça oscila de R$ 23 a R$ 24, o que varia conforme a conversão. Na Granja Barbian eu tenho 700 animais na engorda e trabalho com agricultura, sendo que os animais serão abatidos no próximo mês”, compartilha.

 

TREINAMENTO

Para manter a família na atividade, Barbian treina o filho Jhonatan Marcelo, que é formado em Administração. “Estou treinando meu filho que me acompanha e toca a granja, então a minha esperança é de que no futuro ele continue com a suinocultura, que possa assumir. Se ele quiser, vamos investir não só na suinocultura, como na propriedade para dar sequência ao trabalho”, enaltece.

O presidente da AMS informa que nas reuniões com lideranças do setor na região e na Faep são debatidos inúmeros assuntos, entre eles biossegurança, dificuldades dos produtores e sucessão familiar. “Hoje se discute quem vai assumir as granjas, porque tem pouca gente. O setor passa por dificuldades porque os filhos dos produtores vão à cidade estudar, arranjam um trabalho e não retornam pois enxergam o mundo mais fácil do que no interior. O produtor rural precisa investir R$ 500 mil a 1 milhão para ser remunerado de dois a três salários, quando na cidade a pessoa entra com o estudo e passa a ser remunerada. A diferença é que os filhos estão deixando a propriedade em muitos lugares, o que gera debate para tentar reverter este quadro”, finaliza Barbian.

 

Presidente da AMS, produtor Sérgio Barbian: “As empresas querem exportar cada vez mais e isto reflete na produção observada no município. Consequentemente, o suinocultor que gosta da atividade vai investir mais para viver em cima disto e ter melhor renda” (Foto: Joni Lang/OP)

 

VALOR BRUTO DE PRODUÇÃO 2018 (VBP) – ÍNDICE POR MUNICÍPIO

DEZ MAIORES DO PARANÁ

1º Toledo R$ 2.214.196.495,58

2º Castro R$ 1.571.694.892,60

3º Cascavel R$ 1.536.881.858,46

4º Marechal Cândido Rondon R$ 1.032.266.426,83

5º Guarapuava R$ 981.876.694,35

6º Santa Helena R$ 976.816.417,35

7º Assis Chateaubriand R$ 975.770.162,97

8º Dois Vizinhos R$ 971.145.168,86

9º Palotina R$ 908.465.107,04

10º Tibagi R$ 901.293.380,26

 

OUTROS MUNICÍPIOS

29º Nova Santa Rosa R$ 490.681.464,38

35º Maripá R$ 442.916.459,42

90º Guaíra R$ 297.252.217,51

105º Quatro Pontes R$ 271.103.758,89

136º Pato Bragado R$ 222.632.256,63

144º Entre Rios do Oeste R$ 210.761.036,42

155º Mercedes R$ 201.473.018,31

 

 

DESEMPENHO POR PRODUTO

TOLEDO

Suíno R$ 872.539.284,53

Frango R$ 537.322.507,74

Soja R$ 274.005.987,20

Milho R$ 151.986.399,00

Leite R$ 107.084.190,00

 

MARECHAL CÂNDIDO RONDON

Suíno R$ 300.021.906,30

Frango R$ 205.237.595,04

Soja R$ 131.751.522,00

Leite R$ 119.198.580,00

Milho R$ 70.470.941,50

 

SANTA HELENA

Frango R$ 382.578.513,53

Suíno R$ 203.797.007,38

Soja R$ 102.484.327,20

Milho R$ 56.446.585,72

Leite R$ 42.256.530,00

 

ASSIS CHATEAUBRIAND

Frango R$ 343.228.756,61

Soja R$ 283.426.104,84

Milho R$ 187.860.550,00

Tilápia R$ 41.735.000,00

Suíno R$ 40.737.869,90

 

PALOTINA

Frango R$ 406.365.089,03

Soja R$ 190.726.012,80

Milho Safrinha R$ 116.306.400,00

Suíno R$ 50.268.581,44

Tilápia R$ 41.735.000,00

 

PRODUTOS DESTAQUES NA REGIÃO

Frango R$ 1.874.732.465,95

Suíno R$ 1.467.364.649,55

Soja R$ 982.393.954,04

Milho R$ 583.070.876,22

Leite R$ 268.539.300,00

* Números obtidos a partir de tabela disponível no portal da Seab.

 

O Presente

 

Granja Barbian tem hoje 700 suínos na engorda: animais serão abatidos em setembro (Foto: Joni Lang/OP)

 

 
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