O agro não para. Mesmo na pandemia e com condições climáticas desfavoráveis, ultimamente, o agronegócio mais uma vez se mostra valente, emplacando crescimento enquanto outros setores parecem patinar. No Paraná, o Valor Bruto da Produção (VBP) registrou crescimento de 21% em 2020, se comparado ao ano anterior. Em números absolutos, o VBP paranaense ultrapassou R$ 128,3 bilhões, conforme dados preliminares do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), referentes à safra 2019/2020.
A façanha paranaense teve participação expressiva de municípios do Oeste do Estado, que estrelam o ranking. Em 1º lugar, Toledo liderou os VBPs municipais com R$ 3,4 bilhões, seguido por Cascavel com R$ 2,278 bilhões. Abrindo espaço entre as cidades oestinas, Castro ficou em 3º lugar, com VBP de R$ 2,265 bilhões, e Guarapuava em 4º, com R$ 1,6 bilhão. Mantendo-se no top cinco do ranking, Marechal Cândido Rondon registrou VBP de R$ 1,4 bilhão e Santa Helena, em 6º lugar, R$ 1,3 bilhão.
“Apesar das dificuldades da pandemia e de questões climáticas, o preço das commodities favoreceu e os municípios conseguiram alcançar um VBP elevado”, enaltece o chefe do Núcleo da Seab de Toledo, Paulo Salesse.
No Núcleo de Toledo, cinco municípios obtiveram VBP acima do R$ 1 bilhão, destacou o dirigente ao O Presente. Além dos já citados, Palotina registrou R$ 1,327 bilhão no levantamento e Assis Chateaubriand marcou R$ 1,350 bilhão. “Municípios menores também tiveram um bom VBP. Isso motiva quem gosta de produzir e investe na região”, enfatiza.
Na microrregião rondonense, depois de Marechal Rondon e Santa Helena, outro município que se destacou no VBP foi Nova Santa Rosa, com R$ 703,9 milhões, seguido por Maripá, que registrou R$ 618,1 milhões em produção. Na sequência, Quatro Pontes teve um VBP de R$ 403 milhões, Entre Rios do Oeste somou R$ 355,6 milhões, Pato Bragado obteve R$ 346,1 milhões e, por fim, Mercedes alcançou R$ 303,2 milhões.

Chefe do Núcleo de Toledo da Seab, Paulo Salesse: “Municípios menores também tiveram um bom VBP. Isso motiva quem gosta de produzir e investe na região” (Foto: Divulgação)
VBP RONDONENSE CRESCE 29%
Superando o número obtido em âmbito estadual, o Valor Bruto da Produção cresceu 29,3% no ano passado em Marechal Rondon, se comparado a 2019, quando o município registrou VBP de R$ 1,1 bilhão. “O município vem despontando no Oeste, no Paraná e no Brasil. O resultado do campo rondonense nos deu muita alegria”, exalta ao O Presente o secretário municipal de Agricultura, Adriano Backes.
Assim como Toledo, a atividade que liderou a produção agropecuária rondonense foi a suinocultura, especificamente o suíno de corte, com R$ 326,6 milhões, tendo uma participação 33% maior que a atividade alcançou em 2019.
Disputando o pleito para atividade principal, em 2020 a avicultura ficou em 2º lugar em Marechal Rondon, com R$ 309,9 milhões.
Em 3º lugar municipal, a produção de leitão para recria mais que dobrou de 2019 para 2020, quando o município registrou R$ 200,3 milhões na atividade.
Surpreendendo, a soja de primeira safra cresceu seu VBP em 150%, passando de R$ 66,6 milhões para R$ 166,9 milhões.
Encerrando o top cinco, a produção de leite se manteve praticamente estável de 2019 para ano passado, com VBP de R$ 124,4 milhões.

Secretário de Agricultura de Marechal Rondon, Adriano Backes: “O fortalecimento do interior depende também dos municípios do entorno e indústrias, porque geram demanda para a produção, desde o alojamento e abate, até a exportação” (Foto: Divulgação)
CONJUNTO FORTALECIDO
De sol a sol, os trabalhadores rondonenses fazem Marechal Rondon cada vez melhor. É a eles que Backes atribui o bom desempenho do município no VBP, somado a um conjunto fortalecido, com suporte ao agricultor, linhas de crédito e investimentos. “O agronegócio vem num grande crescimento nos últimos anos e o incentivo vem acontecendo no município. Os agricultores pensam na melhoria da propriedade, pensam em diversificações. O fortalecimento do interior depende também dos municípios do entorno e indústrias, porque geram demanda para a produção, desde o alojamento e abate, até a exportação”, enaltece.
Como projeto para que o VBP de Marechal Rondon se mantenha com bons números, o secretário frisa que a municipalidade age com fomento, prestação de serviços de qualidade e conhecimento ao agronegócio. “Como novidade, teremos cursos gratuitos na parte de eletricidade de chiqueirões e aviários, além de uma capacitação para aparelho de solda móvel em Margarida e Iguiporã”, adianta.

Leitão para recria corresponde a R$ 200,3 milhões do VBP rondonense (Foto: Arquivo/OP)
AVICULTURA LIDERA EM SANTA HELENA
Os santa-helenenses, por sua vez, tiveram um VBP 25% maior em 2020, se comparado ao R$ 1 bilhão de 2019. “Somos privilegiados com uma região muito produtiva e Santa Helena se destaca por sua geografia, que favorece a instalação de diversas culturas. O município depende fundamentalmente do sucesso do agronegócio. Sendo assim, quando o agro vai bem, o município e a região se desenvolvem”, frisa o secretário de Agricultura santa-helenense, Volnei Grade. Segundo ele, a prefeitura oferece diversos programas de incentivo aos agricultores, cooperativas e empresas.
Ao contrário de Marechal Rondon e Toledo, as posições das principais atividades em Santa Helena se invertem e o frango de corte ocupa o 1º lugar, com R$ 340,3 milhões, um crescimento de 25%. Na sequência, o suíno de corte representa R$ 334,5 milhões no VBP do município.
O que pode mudar o futuro da suinocultura santa-helenense são os investimentos previstos. “Está em fase de instalação um frigorífico de suínos que fomentará ainda mais a atividade, gerando emprego e renda, além de oportunizar novos investimentos em chiqueirões”, salienta Grade, pontuando que outros programas de incentivo estão previstos para instalação de energia fotovoltaica e de biodigestores, bem como o fomento a hortifrutigranjeiros e apicultores.
Com um aumento de 136%, a soja de primeira safra ficou em 3º lugar dentre as principais atividades, com R$ 144,7 milhões, seguida pela produção de ovos de galinha fecundados, que marcaram R$ 123 milhões no VBP. Por fim, a produção de pintinhos para corte foi responsável pela 5ª maior parte do VBP de Santa Helena, com R$ 106,8 milhões.

Secretário de Agricultura de Santa Helena, Volnei Grade: “O município depende fundamentalmente do sucesso do agronegócio. Sendo assim, quando o agro vai bem, o município e a região se desenvolvem” (Foto: Divulgação)

Em Santa Helena, VBP foi liderado pela produção de aves de corte (Foto: Ari Dias/AEN)




(Arte: O Presente)
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