Municípios 1º lugar entre 54 municípios

Marechal Rondon se destaca como maior produtor de mandioca do Oeste

Foto: Divulgação

 

Mesmo ocupando lugar de destaque entre os municípios com as maiores produtividades de soja e milho da região e do Estado, Marechal Cândido Rondon também surpreende nos números da produção de uma raiz que, apesar de ter perdido produtores, tem ganhado em quantidade de área nos últimos anos.
O aspecto econômico do relatório sobre metas da ONU publicado pela Itaipu Binacional e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) Brasil mostra que Marechal Rondon ocupa o 1º lugar no ranking entre os 54 municípios da região na produção de mandioca – reforçando, mais uma vez, o braço forte do município rondonense na produção agrícola.
Apesar de outros municípios da região também terem expressiva produção da raiz, o resultado vem por conta do montante das lavouras somadas no município que representam a importância da contribuição de cada tipo de cultura para a produção agrícola municipal em relação à porcentagem das respectivas culturas na região apresentada. “Apesar de o número de produtores ter diminuído nos últimos anos, o número de módulos rurais por famílias que trabalham com a mandiocultura tem aumentado”, ressalta o presidente da Associação Técnica das Indústrias de Mandioca (Atimop), Nilto Cerny.
Com campo experimental localizado na Linha Pitu, em Porto Mendes, distrito de Marechal Rondon, a associação conta com dez empresas associadas – duas do Mato Grosso do Sul e as demais do Paraná – que realizam pesquisas sobre a cultura, desde variedades, preparo de solo, plantio direto, tratos culturais, espaçamento, herbicidas, pragas, entre outros temas que envolvem o cultivo da mandioca.
Além de manterem um convênio com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a Atimop trabalha em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Cerny explica que a redução significativa no número de produtores foi motivada pela inocorrência da sucessão familiar. Ele exemplifica que, antes, uma unidade produtora que em média contava com cinco a seis alqueires hoje conta com nove a dez, pois pessoas que permaneceram no campo adquiriram as áreas daqueles que vieram para os centros urbanos. “Das áreas que eram repartidas dos pais entre os filhos, poucos deles ficavam na área rural, tornando inviável a produção e levando outros produtores, como um vizinho, por exemplo, a adquirir essas áreas”, cita.
Ainda que o município e a microrregião tenham como característica micro e pequenos produtores e uma área de cultivo menor, por produtor, o espaço em que a mandioca é plantada e colhida aumentou.

 

Semimecanização
Além do êxodo rural intenso dos últimos 20 anos, que levou muitos produtores de mandioca a deixarem a atividade, outro fator que desmotivou muitos agricultores é a forma de produção da raiz. “A cultura depende muito da mão de obra, principalmente nos tratos culturais, no controle de plantas daninhas e, mais do que isso, na colheita, que hoje é semimecanizada. Então esse tipo de cultivo foi muito mais afetado do que os grãos, por exemplo, que são totalmente mecanizados e com tecnologia avançada”, considera o técnico agrícola da Agrícola Horizonte, Sigmar Herpich.
O fato de o plantio ser feito de forma convencional, diferente do plantio direto que ocorre na soja e no milho, também pode ser um fator que levou à redução do número de produtores de mandioca nos últimos anos. “Se o produtor já tem o solo bem estabelecido, dificilmente ele vai querer fazer o preparo do solo para o plantio direto. Apesar disso, temos trabalhos desenvolvidos pela Atimop em parceria a Unioeste que mostram a possibilidade do plantio direto da mandioca, que torna-se viável com os equipamentos adequados”, assinala.
Aos produtores que permaneceram na atividade e hoje, ao invés de serem muitos em módulos rurais de dois a três hectares, se tornaram poucos, mas que plantam 30, 40 e até 50 hectares, os motivos para permanecer apostando na cultura estão, principalmente, na alta rentabilidade, além das mudanças que têm ocorrido com o avanço de pesquisas e aplicação de tecnologia. “A colheita não é totalmente mecânica, mas muitos permaneceram pelas facilidades que existem hoje, com afofadores para soltar as raízes, roçadeira para roçar a rama, além do rol de defensivos para plantas daninhas que aumentou muito”, considera o especialista.

Rentabilidade
A facilidade da cultura, com a ausência de grandes investimentos, faz com que o cultivo seja atraente. Para a produção da raiz, são necessários apenas um terreno para o plantio da rama e os tratos culturais que envolvem, basicamente, o controle de plantas daninhas. “Diferente dos grãos que permitem a colheita em quatro meses, o ciclo da mandioca é anual ou a cada dois anos. A partir de dez meses, o produtor já pode colher a mandioca, dependendo da variedade que plantou. Por ser um ciclo diferente dos grãos é preciso também ter um planejamento adequado”, lembra Herpich.
A maioria dos produtores da região, destaca o técnico agrícola, não trabalha exclusivamente com a mandiocultura justamente pelo ciclo ser mais longo, colocando junto da mandioca áreas de soja e milho. “Essa é uma característica diferente da região do arenito, onde os produtores se profissionalizaram no cultivo da mandioca e a plantam exclusivamente, fazendo um sistema de rotação com pastagem para o gado de corte”, menciona.
A região do arenito está localizada na parte Noroeste do Estado, em municípios como Francisco Alves, Umuarama, Altônia, Xambrê Perobal, além do Sul do Mato Grosso do Sul.
Esta região, salienta Herpich, conta com municípios que abastecem a região Oeste, que conta com indústrias não apenas em Marechal Rondon, mas também Mercedes, Missal, Guaíra, Terra Roxa, Assis Chateaubriand, Toledo, entre outros. “O solo da região do arenito não é tão propício para o cultivo de soja e milho, culturas que se adaptam bem a nossa região. De outro lado, a mandioca tem uma boa adaptação nesses locais”, salienta.
Nessa região, explica, há muito arrendamento de terras para o cultivo da mandioca, além de áreas disponíveis, que são caracterizadas por produtores que foram se profissionalizando exclusivamente na mandiocultura e hoje chegam a plantar de 500 a 1,5 mil hectares de mandioca.

Mudança de cenário
Mesmo ocupando o 1º lugar no ranking dos municípios oestinos como maior produtor de mandioca, Marechal Rondon apresentou significativa queda no último resultado do Valor Bruto de Produção (VBP) divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
De acordo com os dados, em 2017 a área cultivada de mandioca no município caiu para 800 hectares, 200 a menos do que em 2016 e 300 a menos do que em 2015 e 2014. A produtividade, em toneladas, marcou 20 mil toneladas em 2017, enquanto que em 2016 estava no patamar de 80 mil e em 2015 e 2014 em 120 mil toneladas. “Esse resultado se deve muito a condições climáticas dos últimos anos. Em 2017 e 2018 tivemos períodos bastante chuvosos e, ao contrário do milho e da soja, a mandioca não é tolerante ao encharcamento do solo, uma condição que os grãos conseguem conviver melhor”, explica o técnico da Agrícola Horizonte. “O resultado disso é a mandioca com podridão radicular, então sem dúvida essa redução do VBP nos últimos anos é o reflexo das condições climáticas”, complementa.
A estiagem no ano-safra 2018/2019, que comprometeu as lavouras de soja, já vem como benefício para a mandioca, pois configura o clima favorável para o desenvolvimento da cultura: calor, sol e menores volumes de chuva. “As lavouras de mandioca estão maravilhosas e as plantas estão crescendo de vento em popa, então há uma grande possibilidade de que no próximo resultado do VBP esse número se altere, com aumento no resultado da mandioca e redução da soja”, finaliza.

Sigmar Herpich, técnico agrícola da Agrícola Horizonte: “A colheita não é totalmente mecânica, mas muitos permaneceram pelas facilidades que existem hoje, com afofadores para soltar as raízes, roçadeira para roçar a rama, além do rol de defensivos para plantas daninhas que aumentou muito” (Fotos: Leme Comunicação)

 

(O Presente)

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