Os 5.570 municípios brasileiros somaram, até 1º de julho de 2021, contingente aproximado de 213.317.639 de pessoas, num crescimento de 0,73%, segundo aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Paraná, a população estimada passou de 11.516.840 em 2020 para 11.597.484 em 2021, um aumento de 0,7%.
Mesmo com o crescimento populacional paranaense sendo inferior ao aumento percebido no Brasil, o Paraná é a quinta unidade federativa mais populosa, quase ao lado da sexta colocação, o Rio Grande do Sul (11.466.630), e atrás da Bahia (14.985.284), Rio de Janeiro (17.463.349), Minas Gerais (21.411.923) e São Paulo (46.649.132).

Chefe da agência do IBGE de Toledo, Marcelo Augusto Scandelai: “Os municípios apresentam uma tendência de redução, acréscimo ou estabilidade da população de ano para ano. A variação se deve a vários fatores, sendo os principais a migração e a redução da taxa de fecundidade” (Foto: Divulgação)
Municípios paranaenses encolheram
Entre os 399 municípios do Paraná, 180 apresentaram encolhimento na população, isto é, 45,44% das cidades paranaenses viram sua população diminuir. “Inúmeros municípios da região Oeste apresentam tendência de redução da população”, indica o chefe da agência do IBGE de Toledo, Marcelo Augusto Scandelai.
Segundo ele, os municípios que “encolheram” no último ano já tinham apresentado tendência de contração populacional desde o censo de 2010. “Apesar de em sua maioria serem cidades pequenas, municípios como Foz do Iguaçu (-0,11%) e Assis Chateaubriand (-0,10%) também apresentaram redução”, ressalta ao O Presente.
Oeste paranaense
No Oeste paranaense, Lindoeste apresentou a maior diminuição (-2,26%), passando de 4.592 para 4.488 pessoas residentes no município. A segunda cidade oestina que mais encolheu foi Guaraniaçu, com redução populacional estimada em 2,03%.
Por outro lado, os municípios que mais registraram crescimento populacional de 2020 para 2021 no Oeste do Paraná foram Itaipulândia (1,78%) e Cafelândia (1,77%).
Microrregião rondonense
A microrregião rondonense se destacou no quesito crescimento, com quatro municípios figurando entre os com maior crescimento populacional no Oeste: Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Santa Helena e Marechal Cândido Rondon.
A população estimada em Pato Bragado passou de 5.684 pessoas para 5.755 em 2021, um crescimento de 1,25%. Em Entre Rios do Oeste o aumento populacional ficou na casa de 1,20% ou 55 pessoas a mais. No município santa-helense, por sua vez, a estimativa populacional cresceu de 26.767 pessoas em 2020 para 27.036 em 2021, alta de 1%. Marechal Rondon apresentou crescimento similar ao de Santa Helena, 1%, e a população estimada passou de 53.495 para 54.031 residentes, mais 536 pessoas de um ano para o outro.
Na microrregional rondonense nenhum município viu seu número de moradores diminuir. Apenas Maripá, nas proximidades, apresentou diminuição de 5.582 para 5.562: 20 pessoas a menos ou -0,36%.

(Arte: O Presente)
Variações dentro do esperado
O artigo 102 da lei nº 8.443/1992 e a lei complementar nº 143/2013 estipulam que sejam divulgadas anualmente as estimativas de população residente nos municípios brasileiros. “Elas são um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no cálculo do Fundo de Participação de Estados e Municípios e são fundamentais para o cálculo de indicadores econômicos e sociodemográficos”, comenta o chefe da agência do IBGE regional.
Segundo ele, as oscilações ocorridas de 2020 para 2021 estão dentro do esperado. “Os municípios apresentam uma tendência de redução, acréscimo ou estabilidade da população de ano para ano. A variação se deve a vários fatores, sendo os principais a migração e a redução da taxa de fecundidade”, expõe.
As publicações são referências para o ano e refletem dados esperados a partir da metodologia empregada, aponta Scandelai. “As populações foram estimadas por método matemático e são resultado da distribuição das populações dos Estados, projetadas por métodos demográficos entre os munícipios. O método baseia-se na população estadual projetada e na tendência de crescimento dos municípios, delineada pelas populações municipais captadas nos dois últimos censos demográficos (2000 e 2010). As estimativas municipais também incorporam alterações de limites territoriais que tenham ocorrido entre os municípios após 2010”, explica.
Diferença entre censo e estimativa
Uma vez que tanto censo como estimativas fornecem, de algum modo, o quantitativo populacional, frequentemente há uma confusão entre os conceitos, mas o chefe do IBGE de Toledo destaca que os dois possuem naturezas bastante distintas. “No caso do censo, trata-se da enumeração da população em determinado ano, com a coleta das informações nos domicílios. Além de contar a população, sua parte mais conhecida, o censo identifica características gerais e revela como vivem os brasileiros. A operação censitária cobre todos os domicílios do país, envolve uma quantidade grande pessoas, além recursos financeiros e tecnológicos”, menciona.
Devido à grandiosa operação necessária para os censos, torna-se inviável realizá-lo anualmente: aí surgem as estimativas. “A população é uma informação importante e precisa ser atualizada em períodos menores. Por esse motivo são elaboradas estimativas e projeções que cobrem essa lacuna e atualizam do quantitativo populacional”, salienta.
Scandelai afirma que os processos não são excludentes, mas, sim, complementares. “Os censos são a principal fonte de informação para as estimativas, já que fornecem os subsídios para compreender as questões demográficas emergentes. Já as estimativas são um dos principais dados utilizados para planejar uma pesquisa da dimensão de um censo demográfico”, enaltece.
Precisão dos dados
Quanto à precisão da estimativa de população residente, ele diz não existir um indicador quanto a isto. “Quanto mais nos distanciamos do último censo, menos precisa a estimativa pode se tornar”, pondera.
O censo demográfico da população brasileira seria realizado em 2020, mas havia sido adiado para este ano por conta da pandemia. Todavia, por falta de orçamento, o levantamento deve acontecer apenas em 2022.
Retrato do país
O censo, segundo o chefe do IBGE regional, fornece um retrato do Brasil mais fidedigno do que as estimativas. “Ele contribui para acompanhar as características da população ao longo do tempo, identificar áreas de investimentos prioritários, selecionar locais que necessitam de programas de estímulo ao crescimento econômico e desenvolvimento social, fornecer referências para as projeções populacionais com base nas quais é definida a representação política no país, indicando o número de deputados federais, deputados estaduais e vereadores de cada Estado e município; e fornecer subsídios ao TCU para o estabelecimento das cotas do Fundo de Participação de Estados e Municípios”, detalha.
Scandelai salienta, porém, que não somente as políticas públicas se beneficiam dos dados. “A sociedade usufrui dos resultados na seleção de locais para a instalação de empreendimentos privados, na análise do perfil da mão de obra brasileira, na análise acadêmica do perfil sociodemográfico e econômico da população e sua evolução, na reivindicação dos cidadãos por maior atenção do governo municipal ou estadual para problemas específicos, entre outros”, enfatiza.


(Arte: O Presente)
O Presente