O acidente na última terça-feira (21), que provocou a morte de uma criança e deixou a mãe em estado grave, não sai da memória dos moradores de Céu Azul, principalmente daqueles que moram em frente à rodovia e veem, todos os dias, o perigo que o trecho de pista simples representa.
Eles já cansaram de pedir providências, mas nunca foram atendidos. A educadora física Luciana Prati mora há 52 anos no mesmo local e já presenciou mais de 30 acidentes, principalmente na travessia em nível para entrar ou sair de Céu Azul, em frente à casa dela.
“Se vocês pararem e observarem aqui o fluxo em épocas de feriado, é impossível você conseguir fazer a travessia para a cidade. Você fica ali 10 minutos ou mais tentando atravessar, correndo risco”, contou Luciana.
Por meio de drone, a Catve captou imagens de um caminhão tentando atravessar a BR. Foram pelo menos dois minutos de espera, em um horário considerado tranquilo, mesmo assim perigoso. A cena se repete com outros veículos, grandes e pequenos.
A auxiliar administrativa Giovana Gabrielli da Silva é mais uma com medo do movimento da BR-277, que muitas vezes precisa usar para chegar ao trabalho ou voltar para casa.
“A gente vê com muita frequência vários acidentes e pensa: ‘nossa, de novo outro acidente’. E, várias vezes, não há óbito, a pessoa fica apenas com ferimentos. Mas, assim, até quando?”, disse Giovana.
Em Céu Azul, são três trevos de acesso e saída da cidade. Dois deles contam com redutores, mas todos oferecem dificuldades para motoristas e pedestres.
A BR-277 tem cerca de 130 km entre Foz do Iguaçu e Cascavel. A antiga concessionária tinha projetos para a duplicação total desse trecho, construção de viadutos e trincheiras, além da instalação de passarelas para pedestres.
No entanto, somente as cidades de Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Medianeira e Matelândia, onde a BR já está duplicada, receberam essas benfeitorias. As outras cidades do trecho, onde a pista é simples, ficaram de fora, sendo elas Santa Tereza do Oeste, Cascavel e Céu Azul.
Em Santa Tereza do Oeste, também existem três cruzamentos em nível. O mais difícil é o da entrada principal da cidade. Os pedestres precisam de muita atenção para passar de um lado para o outro.
As únicas melhorias foram a instalação de radares e a redução da velocidade de 60 km/h para 50 km/h. Mesmo assim, o local já registrou acidentes e feridos.
Em Cascavel, não é diferente. As entradas e saídas da BR sempre geram sustos.
O conhecido Trevo do Portal é um terror para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. Só neste ano, foram cinco acidentes considerados graves, com a destruição de veículos, feridos e mortes, fora os acidentes de pequena monta que nem foram registrados pelos órgãos responsáveis.
A Polícia Rodoviária Federal fiscaliza toda a rodovia, mas, pela extensão, fica difícil estar em todos os locais ao mesmo tempo. Por isso, a orientação é sempre manter a atenção, reduzir a velocidade e manter distância entre um veículo e outro.
“Este modelo de travessia na rodovia, em nível, é defasado e extremamente perigoso. O ideal é que, no futuro, isso seja substituído por passarelas, onde as pessoas passem de forma subterrânea, ou por viadutos, porque, por mais que a gente peça cuidado ao usuário, é uma travessia muito arriscada, já incompatível com a dinâmica das rodovias”, explicou Bruno Feitosa, da Comunicação Social da PRF.
A Catve pediu informações à nova concessionária da rodovia sobre o que pode ser feito nesses pontos críticos.
Em nota, a concessionária informou que “atua de forma contínua e permanente na recomposição da infraestrutura viária e na elevação dos padrões de qualidade dos 662 quilômetros concedidos, com foco na ampliação da segurança viária, melhoria da trafegabilidade e preservação de vidas.
Como parte do Programa de Redução de Acidentes, a concessionária realiza estudos técnicos constantes, que orientam a implantação de melhorias estruturais e operacionais em todo o trecho sob concessão. A EPR Iguaçu também mantém diálogo permanente com os órgãos competentes para o registro e a análise das ocorrências, buscando, de forma integrada, soluções que ampliem a segurança dos usuários e moradores.
O trabalho é contínuo e composto por um conjunto amplo de ações integradas. Além da recomposição do pavimento, que já ultrapassa 690 quilômetros de faixas recuperadas, a EPR Iguaçu executa intervenções permanentes em sinalização, dispositivos de segurança, monitoramento e conservação da rodovia.
Desde o início da concessão, em maio de 2025, já foram implantados mais de 607 mil m² de sinalização horizontal e instaladas mais de 7 mil placas de sinalização vertical. Também fazem parte das ações contínuas a manutenção e implantação de sistemas de iluminação, conservação das áreas verdes e a instalação de radares de fiscalização eletrônica, que contribuem diretamente para a redução de riscos e aumento da segurança.
O Trevo da Portal, dispositivo de travessia urbana, é um dos exemplos que recebe melhorias constantes. Contemplado no Plano de 100 Dias, o segmento passou por revitalização completa de sinalização, implantação de sistema completo de iluminação, inexistente no segmento anteriormente, bem como conta com radar de velocidade e recentemente recebeu novo reforço dos dispositivos de segurança, com a implantação de defensas metálicas e aprimoramento da sinalização da travessia. Melhorias que visam organizar os fluxos, orientar a travessia segura e reduzir o risco de acidentes no local.
A EPR Iguaçu destaca, que as soluções definitivas para os desafios de segurança em travessias urbanas devem ser supridas com a execução das obras de ampliação de capacidade das rodovias. Todos os segmentos em pista simples, incluindo as travessias, serão duplicados conforme cronograma elaborado pelo poder concedente.
As entregas do pacote de obras que preveem a duplicação de 460 km de estradas e se concentram entre o terceiro e nono anos de concessão.
No segmento entre Matelândia e Cascavel, as entregas das obras de ampliação de capacidade, bem como implantação de obras de arte especiais (OAE) que eliminam cruzamentos no mesmo nível e aumentam a segurança viária e reduzem riscos na travessias urbanas, serão concentradas entre o terceiro e o sexto ano de concessão:
Ano 3 (maio de 2028): Entrega da ampliação de capacidade do segmento de 5 quilômetros da BR-277, em Matelândia (entre o km 652,060 e 657,2). O trecho também contará com segmento de via marginal, dispositivos de interseção, ciclovia e passarela para travessia de pedestres.
Ano 4 (maio de 2029): Entrega de cerca de 13 km de duplicação, entre Matelândia e Céu Azul (entre o km 640,4 e 652,5). Além de implantação de passarelas nas duas cidades e vias marginais também. E ciclovia em Matelândia.
Ano 5 (maio de 2030): Entrega do segmento de 5 km em Céu Azul (km 634,9 ao 640,4) e cerca de 23 km em Cascavel (km 552,28 ao 575). Vias marginais em Céu Azul e cinco dispositivos de interseção, em Cascavel e dois em Céu Azul.
Ano 6 (maio de 2031): Entrega da duplicação do perímetro urbano de Cascavel (586,9 a 597,393), duplicação de 30 km em Santa Tereza do Oeste e Céu Azul (km 598,5 a 634,9). Vias marginais em segmentos de Cascavel, Santa Tereza do Oeste, Céu Azul e São Miguel do Iguaçu. Implantação de 14 passarelas – 8 em Cascavel, duas em Santa Tereza do Oeste, uma Matelândia e em Medianeira e duas em Foz do Iguaçu. Dispositivos de interseção Cascavel (6), Medianeira (2), São Miguel do Iguaçu (2) e Santa Tereza do Oeste (1).
A concessionária, mantém escuta ativa e diálogo constantes com os governos municipais, para que as ações estejam alinhadas com as expectativas e necessidades locais, tanto dos usuários quanto de moradores de diferentes cidades.
A EPR Iguaçu reforça que a segurança viária é resultado de um esforço contínuo entre infraestrutura e comportamento. Por isso, destaca a importância da conscientização dos motoristas quanto ao respeito aos limites de velocidade e à sinalização, atitudes essenciais para a preservação de vidas.”
Com Catve
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