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Nova-santa-rosense volta ao trabalho 53 dias após ser diagnosticado com síndrome grave

calendar_month 5 de maio de 2022
5 min de leitura

Por volta de um ano de idade as crianças começam a dar os primeiros passos de maneira lenta e um tanto quanto descoordenada, mas, aos poucos, aperfeiçoam a coordenação motora e quando menos esperamos elas estão correndo pela casa.

É difícil imaginar como é para uma pessoa já na vida adulta aprender a andar ou ter que reaprender a andar.

Essa é a rotina nos últimos meses do servidor público do município de Nova Santa Rosa Harold Fidler, que precisou se adaptar a uma nova realidade após desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo.

Com uma recuperação surpreendente, o nova-santa-rosense retomou na segunda-feira (02) a rotina de trabalho na Agência do Trabalhador, após 53 dias afastado para realizar tratamento médico. Além de ser servidor concursado na prefeitura, Fidler é jornalista e radialista.

Harold Fidler no primeiro dia de trabalho após superar a doença (Foto: Arquivo pessoal)

 

Primeiros sintomas

O sintoma inicial começou na noite do dia 09 de março, quando Fidler sentiu dificuldade para urinar, mas a princípio não ficou preocupado. Mesmo assim, ele buscou atendimento médico em uma unidade de saúde da cidade. “Eu mesmo fui dirigindo até o hospital. Eles fizeram uma sonda de alívio e retornei para casa”, relata.

Entretanto, Fidler não imaginava que a situação seria mais grave do que se desenhava.

Na madrugada do dia 10 o nova-santa-rosense acordou e foi então que percebeu que algo mais sério estava acontecendo. “Além de não conseguir urinar, não conseguia movimentar meu corpo da cintura para baixo. Ficou simplesmente inapto”, recorda.

Sem saber ao certo o que estava acontecendo, Fidler retornou ao hospital e o mesmo médico realizou um teste de reflexo patelar nos joelhos. A reação esperada é que o músculo da coxa se contraia e a parte abaixo do joelho se mova para frente, no entanto, o teste não causou reação alguma. “O doutor falou que o meu caso era grave e que ele pediria uma vaga na central de leitos para fazer o internamento”, conta.

No final da tarde do mesmo dia, Fidler foi encaminhado para um leito no Hospital Bom Jesus, em Toledo, onde foi confirmado o diagnóstico por meio da análise do líquido cefalorraquidiano (líquor) e exame eletrofisiológico. “Sempre tive medo de agulha, mas precisei fazer esse exame, e eles usam uma agulha de uns 15 centímetros para retirar o líquido”, menciona.

Segundo o nova-santa-rosense, o médico que acompanhou seu caso disse que o tratamento precoce é essencial para não desenvolver sequelas da doença. “O doutor foi bem realista. Ele disse que em casos mais graves da doença, 25% dos pacientes vão para a UTI e somente 5% dele sobrevivem”, expôs.

As fotos e o excelente tratamento recebido das equipes médicas são as lembranças do nova-santa-rosense, Harold Fidler (Foto: Arquivo pessoal)

 

Tratamento

O servidor público diz que todo o tratamento foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No total, são seis frascos de 100 mililitros de medicamento para cada aplicação e cada um deles custa em torno de R$ 2,3 mil. “Todo o tratamento custa cerca de R$ 70 mil”, detalha.

Fidler ainda usa uma sonda urinária devido à ausência de sensibilidade. “A gente perde o sentido, mas agora eu já consigo controlar melhor a vontade de urinar”, explica.

Ele comenta que nunca gostou de ir ao hospital e revela que sentia um certo preconceito em relação a tratamentos e profissionais da saúde. “Esse tempo que fiquei internado serviu para quebrar esses tabus. Aprendi que precisamos ser mais humanos e acreditar na ciência”, enaltece.

De acordo com o nova-santa-rosense, a sua rápida recuperação foi uma grata surpresa tanto para ele como para o neurologista Wilson Gomes Junior, professor do curso de Medicina na Universidade Federal do Paraná (UFPR), campus de Toledo, que realizou seu tratamento. “Na última consulta que fiz com ele, a avaliação se mostrou positiva. Nem ele acreditou que poderia ser tão rápida minha recuperação”, enfatiza.

 

Alívio

Mesmo com a necessidade usar um cateter urinário e precisar fazer sessões de fisioterapia, Fidler afirma que o sentimento é de alívio e agradecimento à família, aos amigos e aos profissionais da saúde que o atenderam. “Me sinto agraciado por Deus pela minha rápida recuperação e agradeço a todos que oraram por mim”, conclui.

 

Síndrome de Guillain-Barré

Também conhecida como Polirradiculopatia Aguda Imunomediada, a Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica rara, de origem autoimune, que provoca fraqueza muscular generalizada e que, em casos mais graves, pode até paralisar a musculatura respiratória, impedindo o paciente de respirar, levando-o à morte.

É uma condição neurológica de rápida evolução, precedida por um evento desencadeante, na maioria das vezes uma infecção.

É geralmente provocado por um processo infeccioso anterior e manifesta fraqueza muscular, com redução ou ausência de reflexos. Várias infecções têm sido associadas à Síndrome de Guillain Barré, sendo a infecção por Campylobacter, que causa diarreia, a mais comum.

A síndrome ocorre quando os anticorpos desenvolvidos pelo organismo para combater a infecção atacam paralelamente a bainha de mielina, uma substância que se forma ao redor das fibras nervosas de todos os nervos periféricos. A partir daí, ele acomete os membros inferiores e é progressivo para os membros superiores e pode até acometer os pares cranianos.

 

 

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