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“O hospital do Sempre Vida vem para ser um símbolo de integração da região”, avalia Costenaro

Arquiteto responsável pelo projeto do Centro de Atenção à Saúde Sempre Vida no Biopark, Mario Costenaro: “Fazer o hospital está sendo encantador e não deixa de ser uma conquista” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

Uma obra imponente, moderna, ampla e com alta tecnologia empregada para oferecer serviços de ponta aos pacientes que utilização o Centro de Atenção à Saúde Sempre Vida, que estará localizado no Biopark de Toledo.

Para elaborar projeto tão audacioso e desafiador, o grupo empresarial buscou em Toledo o arquiteto responsável em colocar no papel tudo aquilo que a equipe técnica do Sempre Vida almeja para que seja possível ter no Parque Tecnológico um dos mais modernos hospitais do Paraná.

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O profissional escolhido para fazer o projeto é Mario Costenaro que, aliás, tem uma ligação muito forte com o associativismo e é um dos entusiastas do Programa Oeste em Desenvolvimento. Em entrevista ao Jornal O Presente, o arquiteto se disse encantado na forma como houve uma integração de todas as equipes para que pudessem ser coletadas as sugestões técnicas que criassem ambientes integrados para melhor atender aos pacientes.

Para o líder associativista, a construção de um hospital idealizado por um grupo empresarial de Marechal Cândido Rondon no Biopark de Toledo representa uma quebra de vaidade. “Essas questões provincianas que temos em alguns momentos têm que ser superadas”, opina. Confira.

 

OP: De onde veio a inspiração para elaborar o projeto do Centro de Atenção à Saúde Sempre Vida, que envolve um hospital supermoderno, de grande porte e eficiente?

MC: O projeto transcende a beleza da parte arquitetônica. A beleza está no projeto como um todo. A elaboração envolve um trabalho muito integrado e de interação entre arquitetos, equipe de enfermagem, equipe médica, equipe administrativa, engenheiros de outras áreas, interagindo desde a discussão do programa de necessidades até a primeira elaboração do projeto inicial, que foi acolhido pelo Biopark. Toda essa equipe assume uma condição de projetar o hospital sobre um tripé muito interessante, que é pensar a questão da funcionalidade, da legislação, das normas técnicas, das especificidades de cada uma das unidades que compõem o hospital, das especialidades do hospital; a outra questão é a da funcionalidade da parte construtiva e da obra em si; e existe a questão dos impactos que a construção e o ambiente terão sobre as pessoas e sobre o todo. Pensamos muito que o hospital precisa ser feito para o usuário, para quem está ali para circular, mas também para a equipe técnica, que necessita de todas as condições de conforto, de proximidade, de facilidade visando oferecer um serviço melhor. Isso resulta em uma qualidade como um todo. Assim, setorizamos o hospital de uma forma que o pronto-atendimento está muito ligado à parte do diagnóstico, que tem uma ligação muito rápida à área de UTIs e áreas de centro cirúrgico. A área de internação terminaria por ser extremamente bem posicionada a ponto de ter questões de ventilação, de conforto de ambiente, mas também dimensionadas ao ponto de poder ser oferecido um serviço de qualidade e proximidade com todas as unidades.

 

OP: Existe um plano diretor específico dentro do Biopark?

MC: Existe um plano diretor no Biopark e fomos inseridos dentro dele. A área que foi determinada ao hospital já estava inserida ali, que é uma área anexa, inclusive, à Universidade Federal (UFPR), com quem o Sempre Vida tem um acordo de cooperação. O hospital vem para ser um símbolo de integração da região e vai ofertar serviços de qualidade, de alta complexidade, pensando no futuro, em oferecer um serviço de qualidade, de ponta em alta tecnologia, e tudo isso para minimizar cada vez mais a necessidade do tempo de internação do paciente, por exemplo.

 

OP: Em que momento se chegou ao formato desse projeto em relação ao número de andares, tamanho, separação das alas?  

MC: A primeira coisa que ficou muito transparente envolve o conhecimento técnico que a equipe do Sempre Vida tem sobre saúde. Isso facilita muito, porque esse dimensionamento é colocado de uma forma muito clara e aí há algumas questões que são extremamente importantes no projeto de um hospital. Você tem uma necessidade de modelação, ser parte de uma malha racional, bastante modulada e entender muito bem como as unidades se integram, com o pronto-atendimento com centro cirúrgico.

 

OP: Como um dos entusiastas das lutas e articulação do Oeste, o senhor diria que esse projeto é um coroamento deste trabalho que vem fazendo há anos?

MC: Existe algo aqui que acho encantador. Eu sempre trabalhei como arquiteto e conduzi a minha vida no associativismo de uma forma muito independente. Poucos, inclusive, às vezes sabiam que eu era arquiteto e acho que isso foi uma questão que eu sempre procurei trabalhar. Mas chega um momento em que o associativismo permite exatamente essa integração entre as pessoas. Aí conhecemos pessoas como do Grupo Sempre Vida, que não são sonhadores, são idealizadores, são pessoas que concretizam e que realizam. Estou extremamente encantado e já disse pela forma de trabalho extremamente profissional. A equipe do Sempre Vida participa conjuntamente conosco das discussões cotidianas. E eu trago isso agora para a figura do projeto, que é uma união de expertises, de saberes, cada um a partir do seu ponto de vista.

 

OP: O senhor diria que esse é o projeto menos bairrista que já fez? Ele desfoca totalmente dessa questão se é de um ou outro município e finalmente se insere no Oeste do Paraná…

MC: Eu não sei se exatamente isso, mas tem muito disso sim. Eu acho que essa quebra de vaidade, essas questões provincianas que temos, em alguns momentos têm que ser superadas. Dentro do Programa Oeste em Desenvolvimento, por exemplo, tem uma coisa que a gente prega: precisamos aprender a trabalhar com nossos próprios recursos. E quando a gente olha para a região, vemos um Sempre Vida estruturado, crescendo e com olhar. Isso é uma riqueza da região. Quando o grupo vai buscar em Toledo (um arquiteto), ele vê algum potencial em mim. E quando olhamos todo o significado do Biopark, é ‘nossa!’, uma visão de futuro. É pensar, é passar a olhar o desenvolvimento, passar a olhar a vida fora daquelas ideologias arcaicas antigas que pensamos. É passar a ver o novo de uma forma diferente, aliás, eu acho que o grande segredo está nisso. As evoluções tecnológicas que foram colocadas, que estão acontecendo em todas as áreas, inclusive na medicina, na produção, na realização, no setor produtivo, vão gerar impactos, muitos deles positivos e alguns deles negativos. A maneira como nós nos preparamos para construir um mundo melhor a partir disso é extremamente importante.

 

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