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Oeste do Paraná vive dilema: sobram vagas de emprego e faltam trabalhadores

calendar_month 8 de junho de 2022
7 min de leitura

Para debater este assunto, entender o mercado e sugerir eventuais mudanças ao governo federal, Programa Oeste de Desenvolvimento vai promover um fórum sobre a empregabilidade na região

 

Algo que poderia ser inimaginável até pouco tempo atrás se tornou um problema para empresas do Paraná e, em especial, do Oeste do Estado. Sobram vagas de emprego, mas faltam pessoas para preencher estas oportunidades de trabalho.

Toda semana, as regionais de Toledo e Cascavel lideram, ao lado da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a oferta de emprego por meio da Agência do Trabalhador. Somente na segunda-feira (06), por exemplo, a RMC estava com 1.816 vagas abertas, enquanto a Regional de Toledo com 1.785 e a de Cascavel com 1.212.

Com o objetivo de discutir esta situação visando entender o mercado e sugerir ao governo federal algumas mudanças que podem amenizar a problemática, o Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) promove, no dia 21 de julho, das 14h30 às 18h30, no auditório do Centro de Eventos Ismael Sperafico de Toledo, o 1º Fórum Estratégico sobre a Empregabilidade no Oeste do Paraná.

“O Programa Oeste em Desenvolvimento defende os interesses das empresas da região. Um dos temas hoje que está muito recorrente é a oferta de empregos e a falta de pessoas para preencher estas vagas. Para que possamos entender um pouco mais o que está acontecendo queremos reunir os principais atores para discutir o tema”, detalha o presidente do POD, empresário Rainer Zielasko. “Quando o Brasil cresce 2% a 3% ao ano, temos um crescimento maior no Paraná e muito maior no Oeste do Estado. O Oeste do Paraná vem crescendo há tempo com números quase parecidos com da China, em dois dígitos. E isso acaba provocando demandas”, emenda.

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) já vem conduzindo um estudo e a programação terá a parceria do Ministério Público, Ministério do Trabalho e Previdência, Ministério da Cidadania e demais instituições. “Neste dia estarão em Toledo, além dos órgãos públicos, as universidades que fornecem os cursos de formação, Sistema S e o Sine, que faz a intermediação das vagas abertas”, cita o dirigente do POD.

 

NOVO DESAFIO
De acordo com Zielasko, estima-se que o Oeste do Paraná deve fechar o ano de 2022 com 12 mil novas oportunidades de trabalho. Por outro lado, há na região em torno de 17 mil famílias que recebem o Auxílio Brasil.

“Queremos aproximar estas pessoas que vivem de programas sociais, e que poderiam ter um resgate de sua dignidade através do trabalho, com as empresas fornecedoras destas oportunidades. Não temos a solução do problema, mas queremos unir todos os atores que fazem parte deste processo para que, juntos, possamos tomar alguns direcionamentos que melhorem e atraiam mais as pessoas para preencher estas vagas”, comenta.

Ele expõe que, até então, o setor empresarial tinha como principais gargalos o desafio na área econômica, de financiamento e o surgimento de novas indústrias. “Hoje o desafio é: para poder crescer precisamos de pessoas. E estão faltando pessoas. Então hoje é um desafio para as empresas ampliarem suas produções pela falta de gente. Isso que queremos entender, sempre tomando cuidado em não fazer uma divulgação de forma irresponsável e atrair muitas pessoas para cá, criando problemas sociais para as cidades também”, diz.

Como já é de conhecimento público, em alguns municípios da região indústrias planejam aumentar linhas de produção e precisarão de mais trabalhadores. Desta forma, prefeituras já preveem que precisarão investir para ampliar a oferta de serviços públicos, como na área de saúde, educação e infraestrutura.

“O POD está trabalhando todas as questões, junto com todos os atores que fazem parte deste processo, para ver se podemos melhorar algum tema de forma a atender as empresas na demanda por mão de obra e também gerar oportunidades de dignidade para estas pessoas que precisam de emprego”, frisa Zielasko.

 

DEMANDA DE TODOS
E engana-se quem pensa que a demanda por mão de obra é exclusiva das grandes indústrias. Conforme o presidente do POD, até mesmo pequenos comércios estão enfrentando dificuldade em preencher as vagas. “Pequenos comerciantes de São Pedro do Iguaçu ou Ouro Verde do Oeste também disseram que não estão conseguindo pessoas para trabalhar”, exemplifica.

No entanto, é certo que as grandes indústrias é que sentem mais o reflexo. Somente a Frimesa deve abrir em torno de cinco mil vagas de emprego em Assis Chateaubriand por conta do novo frigorífico de suínos. A BRF de Toledo também está sempre com oportunidades de emprego. Estes são apenas dois exemplos, mas que se multiplicam por outros municípios da região.

“Esses dias recebi ligação de um pessoal de uma área que nem imaginava que em Toledo havia tanta demanda, que é uma indústria de confecção que atende grandes magazines, como C&A, Riachuelo e Renner, e me disseram que estão refugando pedidos porque não têm costureiras”, relata Zielasko. “Há um desafio porque, muitas vezes, as filhas de costureiras não querem seguir a profissão da mãe. O filho de um operário de uma grande indústria não quer ser operário. Também há essa questão”, opina, avaliando que este conjunto de ações acaba culminando no cenário que existe hoje.

“Achávamos sempre que era um bom problema ter bastante oferta de emprego, mas hoje começa a ser um problema não tão bom assim, porque as indústrias têm dificuldade em ampliar suas produções por falta de gente. É um tema a ser discutido e para isso precisam estar junto as academias, aqueles que oferecem os empregos, mas também quem trata destas pessoas e de que forma podemos fazer. O intuito do seminário é minimizar um pouco este problema”, acrescenta.

 

O JOVEM E OS CURSOS TÉCNICOS
Outras hipóteses levantadas pela falta de mão de obra é que muito jovem hoje consegue, por meio de mídias sociais, desenvolver algum tipo de trabalho que viabiliza uma remuneração sem precisar de emprego formal.

“Também existe, talvez, escassez de cursos técnicos de profissionalização de segundo grau. Não adianta todos cursarem a universidade e querer trabalhar no administrativo da empresa. Precisamos de gente que trabalhe no operacional. Se faz necessário ter cursos técnicos mais de base para que possam começar a trabalhar, além da atratividade e a divulgação. É um conjunto de temas que estão sendo tratados”, declara o presidente do POD.

 

O QUE PODE SER MELHORADO
Na avaliação do empresário, existem algumas questões técnicas que podem ser melhoradas. Ele cita como exemplo o fato de que alguém que busca uma oportunidade de trabalho por meio do Sine perde a inscrição em programas sociais a partir do momento em que “pega” a oferta. “Essa pessoa faz a ficha na indústria, tem que fazer os exames médicos e isso demora às vezes até dez dias para sair o resultado. Se por algum motivo qualquer não for contratada, essa pessoa perde o benefício e precisa entrar com todo processo novamente para voltar aos programas sociais. Uma das sugestões é que este benefício seja cortado a partir do momento da efetivação do trabalhador no emprego e não no momento em que se candidata à vaga”, sugere, além de outras medidas que devem ser expostas no evento.

“Alguns temas podem ser melhorados na nossa legislação e isso também vai ser discutido no fórum, porque receberemos legisladores para debater essa questão. Precisamos de normas mais leves e corretas do ponto de vista em auxiliar este processo e também outros entraves que podem ser solucionados. Isso que esperamos no dia 21 de julho no evento de empregabilidade que o Programa Oeste em Desenvolvimento vai promover”, conclui.

 

Por Maria Cristina Kunzler/O Presente

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