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Pacientes mais jovens e agravamento rápido são observados nos casos Covid do HU

calendar_month 30 de março de 2021
7 min de leitura

O dia a dia em um hospital nunca foi tranquilo. Com o fenômeno da Covid-19, tudo o que passasse perto da tranquilidade foi-se embora e hoje as instituições de saúde lutam com as armas que têm contra o vírus que, aparentemente, não encontra esforços na sua propagação.

Em nível de região Oeste e Sudoeste do Paraná, um dos hospitais que tem se destacado nesse combate ao coronavírus é o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel.

Sobre a essencialidade dos serviços prestados, o reitor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), instituição a qual a unidade hospitalar está vinculada, Alexandre Webber, propõe uma reflexão: “E se não houvesse o HU?”.

Como todo hospital, o HU se ocupa entre os atendimentos relacionados à Covid-19 e as demandas normais. “Acompanhamos o trabalho da equipe, de todos os profissionais e o esforço que tem sido feito. O nosso pronto-socorro continua em capacidade máxima, exigindo de toda nossa equipe um esforço muito grande. Mas hoje chegamos no limite”, enfatiza.

O recurso que mais conta no momento é a colaboração da população, aponta o reitor. “Se a população não entender que é necessário usar a máscara, manter distanciamento social, lavar as mãos, usar álcool gel, e esse grau de contaminação continuar, a estrutura de saúde não suporta mais”, lamenta, pontuando que até que o país não amplie a vacinação, a colaboração da comunidade é a melhor chance de sair da pandemia.

 

OCUPAÇÃO TOTAL

Atualmente, o HU dispõe de 50 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) exclusivamente dedicados ao tratamento do coronavírus. “A taxa de ocupação é total. Não existe leito vago. Saiu um paciente e em questão de duas horas, que é o tempo para higienização, o leito é ocupado por outro paciente. O HU está com uma taxa de ocupação de 100% e existe uma fila grande aguardando UTI”, expõe.

Se no hospital de referência os números não têm folga, Webber lembra que instituições de saúde menores também agem como podem. “Hoje há pacientes intubados em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e em hospitais de menor porte na região. É extremamente preocupante o momento que vivemos”, avalia.

Reitor da Unioeste, professor Alexandre Webber, em visita ao Jornal O Presente: “Às vezes o paciente, de um dia para o outro, tem o quadro de saúde agravado e precisa da unidade hospitalar, mas com região inteira sobrecarregada fica complicado conseguir” (Foto: Maria Cristina Kunzler/OP)

 

CAPACIDADE MÁXIMA DE LEITOS

Webber ressalta que, no início, o Hospital Universitário contava com dez leitos de UTI exclusivos para Covid-19 e hoje a ala está sendo ampliada. “Estamos com 50 leitos e indo para a instalação de mais 20 UTIs”, enaltece.

De acordo com o reitor, com os 70 leitos da ala Covid-19 concluídos, atinge-se a capacidade máxima do HU. “Não por espaço físico, mas a partir de agora teríamos que fechar algumas unidades para ampliar”, ressalta.

O HU não parou de atender outras comorbidades e o pronto-socorro, segundo ele, segue funcionando e está, inclusive, sobrecarregado. “Cada paciente atendido no pronto-socorro que passa por uma cirurgia, tem um período de internamento. Não é possível fechar as outras enfermarias, porque todo paciente que passa por um procedimento cirúrgico precisa ficar um tempo no hospital”, menciona.

 

EXAUSTÃO PROFISSIONAL

Mesmo que os números positivos cresçam se pensados em termos de mais estruturas, o HU enfrenta a dificuldade em contratar profissionais de saúde. “Para estas 20 novas unidades, estamos com extrema dificuldade de contratação. Trata-se de uma equipe multiprofissional. Uma UTI Covid é muito diferente da UTI que tínhamos no hospital. Ela exige muito mais trabalho e dedicação da equipe. O paciente é constantemente cuidado e movimentado, há muita necessidade de fisioterapia e a odontologia hospitalar atua junto”, compara ele, mencionando que foi algo não imaginado antes: “Contamos com uma equipe extremamente qualificada e isso tem feito a diferença. Ainda assim, precisamos entender que essa equipe está exausta”.

 

FALTA DE ISUMOS É REALIDADE

Além do maior cuidado, Webber difere a UTI Covid da UTI normal também na quantidade de insumos utilizados. “O que usava de sedativo em uma UTI normal, na UTI Covid é um número extremamente mais alto. A quantidade de sedativo utilizada para fazer a intubação em um paciente com coronavírus é maior, há a manutenção do paciente, os pacientes são mais jovens e a permanência em UTI é mais longa. Além de sobrecarregar as unidades de terapia intensiva, tudo isso faz com que seja consumido muito mais em termos de medicações”, expõe.

A falta de insumos, de acordo com o reitor, é uma realidade nacional e, como tal, vivenciada no Hospital Universitário. “Por maior que seja o esforço na aquisição e no estoque, isso está acontecendo. É preciso entender e os números mostram a quantidade de sedativos que têm sido usados”, frisa.

 

PACIENTES MAIS JOVENS

As definições de grupo de risco ficam cada vez mais abrangentes, conforme a observação de Webber. “Se até novembro a maioria absoluta de mortes era de pacientes acima de 60 anos, o que nos assusta é que de novembro para cá essa faixa etária baixou e abrange jovens sem comorbidades”, ressalta.

Segundo ele, a lógica é que imunizando as pessoas acima dos 60 anos haveria diminuição no número de mortes, contudo, o índice não reduziu ainda. “Agora há mortes em outra faixa etária, o que nos preocupa mais, porque precisamos acelerar a vacinação para além desse grupo de risco inicialmente pensado. Agora praticamente toda a população está incluída no grupo de risco”, lamenta.

 

AGRAVAMENTO MAIS RÁPIDO

O que se observa nos casos de Covid-19 recentes é a rápida evolução na gravidade do quadro de saúde. Algumas hipóteses são formuladas a partir disso, como a ação da nova cepa do Sars-CoV-2.

Sobre a possibilidade de ser a nova cepa do coronavírus, o reitor da Unioeste pondera que os estudos ainda são preliminares. “A indicação é que a nova cepa contamina mais e agrava mais o quadro. Antes se falava que o paciente começava a ter complicações do 8º ao 12º dia e hoje isso acontece antes”, observa.

Segundo ele, a dificuldade se dá justamente pelo rápido avanço do caso. “Às vezes o paciente, de um dia para o outro, tem o quadro de saúde agravado e precisa da unidade hospitalar, mas com a região inteira sobrecarregada fica complicado conseguir”, menciona, exemplificando casos ainda mais alarmantes: “Às vezes o paciente chega e vai direto para o oxigênio e tem necessidade de intubação muito rápida. Não há estrutura para isso”.

 

KIT COVID

Questionado se o HU tem uma posição sobre a utilização do conhecido kit Covid, com medicações como a hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outros, Webber afirma que a questão é complicada, mas, sobretudo, a prescrição de qualquer medicamento cabe ao médico.

De acordo com o reitor, o preocupante é a pregação de que o kit Covid seria a solução para os problemas da pandemia. “Isso pode causar um relaxamento nos cuidados da população. Além disso, se o mundo inteiro não tem aplicado, por que, de repente, vamos achar que isso será a solução? Não há hoje outra solução senão a vacinação, o distanciamento social, o uso de máscara e álcool gel”, reforça, acrescentando: “Existe uma série de pesquisas que tentam encontrar um remédio, mas até o momento não foi detectado um medicamento que age em relação a Covid-19”, finaliza.

 

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