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“Para atender a demanda deste ano vamos precisar de mais 50 aviários”, adianta presidente da Lar sobre unidade rondonense

calendar_month 21 de janeiro de 2021
12 min de leitura

Muitas pessoas foram surpreendidas, no fim de 2020, ao ser anunciado de que a Lar Cooperativa assumiria o comando da Unidade de Aves de Marechal Cândido Rondon e da Fábrica de Rações de Entre Rios do Oeste, ambas da Copagril. No entanto, nos bastidores a intercooperação já vinha sendo costurada há meses.

No último dia 1º, com a virada de ano, a Lar começou a operar nas duas unidades. Em entrevista ao Jornal O Presente Rural, concedida na última sexta-feira (15), o presidente da cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues, relatou que existem empecilhos que dificultam a ampliação da produção na fábrica de rações e na unidade de aves, como energia elétrica insuficiente e problemas no abastecimento de água, respectivamente.

Na ocasião, ele destacou os investimentos realizados e aqueles que ainda estão por vir. Confira.

 

O Presente (OP): Em pouco mais de 20 anos a Lar se transformou na quarta potência da avicultura brasileira. Como isso aconteceu?

Irineo da Costa Rodrigues (ICR): Desde que assumi a gestão da Lar sempre me preocupei em buscar oportunidades de renda para os pequenos produtores rurais, tendo em vista que sou filho de pequenos produtores, meus irmãos são pequenos produtores, e conheço bem essa luta do pequeno produtor que precisa de renda para ter mais qualidade de vida. Tentamos novas atividades, como ampliar a suinocultura, atividade leiteira, ovos de postura comercial (no passado era um volume muito tímido) e também fomos industrializar mandioca e produzir hortigranjeiros. Quando implantamos o projeto de frangos vimos que a vocação natural do nosso produtor é a agricultura, e a diversificação que ele gosta para ter mais renda não há dúvida que é a pecuária. Suínos, ovos, leite e frango, sendo que frango de corte foi o que apaixonou a todos. Uma atividade de ciclo rápido e que converte ração em carne, proporcionando maior agregação de valor. Nossa região era exportadora de soja e milho e hoje é importadora de grãos para produzir mais rações. O que gera muito mais valor para região, gera mais impostos para Estado e municípios, além de gerar muito emprego.

 

OP: Qual a expectativa da Lar ao ingressar nessas atividades? A projeção para este ano é abater quantas mil aves ao dia?

ICR: Na avicultura, para cada emprego gerado em indústria de frango gera-se outros 17 empregos indiretos. Uma atividade que traz uma riqueza muito grande para a região. A Lar entrou nessas atividades com a expectativa de que viria para viabilizar as pequenas propriedades, aí implantamos um projeto moderno voltado para exportação. A Lar nunca fez frango inteiro, sempre cortes para agregar valor e teve sucesso. No primeiro dia, 09 de novembro de 1999, começamos abatendo para completar 70 mil frangos/dia e fomos crescendo. Para 2021, devemos concluir o ano abatendo 980 mil aves ao dia nas quatro plantas, e em 2022 nosso abate deverá superar um milhão de aves ao dia.

 

OP: Isso tudo em seis dias de trabalho por semana?

ICR: Aqui (Marechal Rondon) cinco dias, em Cascavel seis, Matelândia sete e Rolândia cinco também. Hoje a Lar exporta e tem performado 81 países. Começamos a abater frango como Cooperativa Cotrefal, mas a partir de 2002 passamos a nos chamar Cooperativa Lar. Daquele ano para cá estamos no Mato Grosso do Sul e em agosto de 2021 vamos fazer 25 anos de Lar no Paraguai. Temos um relativo sucesso no Paraguai, inclusive muitos produtores de Marechal Rondon são clientes lá. O frango é nossa atividade de giro mais rápida e que o produtor quer ampliar. Quem não tem aviário, gostaria de ter; quem colocou um, colocou o segundo; quem tinha quatro colocou o quinto e o sexto. Nossa região era exportadora, quando hoje é importadora de soja e milho. Nós vendíamos matéria-prima barata e agora compramos matéria-prima de outras regiões, inclusive do Mato Grosso do Sul e do Paraguai, e transformamos em carne, gerando empregos, impostos e toda essa riqueza que se vê por aí. É impressionante, você vê estradas asfaltadas no interior e casas novas. O que falta aqui é estrutura governamental, não tem acostamento, terceira pista e trevos. Falta água no frigorífico da Frimesa e no nosso frigorífico aqui, e não tem energia elétrica para ampliar a indústria de ração de Entre Rios do Oeste.

 

OP: O que o senhor pretende fazer quanto a essa questão de infraestrutura?

ICR: Estou falando com os prefeitos e a Lar vai fazer a parte dela. A Lar vai se somar a outras cooperativas, conversar com prefeitos, vai até o governador, secretários e deputados, porque se o agro carrega o Brasil nas costas, nós podemos dizer que o Oeste do Paraná, dentro do Estado, é uma região muito produtiva e precisamos dessa infraestrutura.

 

Unidade de Aves da Lar de Marechal Cândido Rondon, que até 31 de dezembro de 2020 era da Copagril: expectativa de ampliar o abate (Foto: Divulgação/Lar)

 

OP: É inadmissível, não? Ter potencial, vocação para crescer e esses itens básicos como energia elétrica e água para a indústria faltarem.

ICR: E quem é o culpado disso? Somos nós mesmos. Sabemos trabalhar e não falamos. Temos que nos somar às entidades de classe, associações e cooperativas. O Grão do Oeste é um movimento que faz um trabalho brilhante, sou muito fã e participo dele. Vejo uma safra de prefeitos cada vez melhor. Eu tive a oportunidade de falar com os seis prefeitos daqui. O prefeito de Guaíra (Heraldo Trento) me visitou. Visitei os prefeitos de Entre Rios do Oeste (Ari Maldaner) e de Marechal Rondon (Marcio Rauber). Estiveram na passagem de comando da indústria de abate de frangos de Marechal Rondon para a Lar, ainda, os prefeitos de Quatro Pontes (João Laufer), de Mercedes (Laerton Weber) e de Pato Bragado (Leomar Rohden, Mano). Senti que todos eles gostam de ouvir aquilo que eu acredito ser falado pela classe empresarial sobre o que falta. Os prefeitos são a força perante o Governo do Estado e a Itaipu, que hoje tem uma concepção totalmente diferente, pois ela vinha com programas equivocados, que foram fechados e ninguém sentiu falta.

 

OP: A expansão em Marechal Rondon como em Rolândia já vinha sendo pensada para quando houvesse oportunidade de abraçar?

ICR: Em Rolândia foi bem típico. A Lar tem duas plantas em Matelândia e Cascavel que se voltaram muito para exportação. Muita gente queria frango no mercado interno e faltava produto, então fizemos uma primeira tentativa com a Averama, de Umuarama. Como estava bem encaminhado, C.Vale e Pruma fizeram uma associação, a Plus Vale, mais perto de Palotina. Nós continuamos procurando e aí surgiu a Granjero, que por sorte, além de atender ao mercado interno, tinha habilitações muito importantes. Como precisávamos dessa planta encontramos Rolândia, com outra região e cultura, contudo com o produtor e trabalhador espetaculares, e a Lar foi muito bem recebida. Há um ano e meio a Lar e Copagril vinham conversando que a avicultura não se viabiliza mais no abate pequeno devido ao custo muito grande, então precisa abater mais para viabilizar. O Ricardo Chapla (diretor-presidente da Copagril) falou que precisava ampliar a produção de aves, pois os produtores queriam produzir mais frango, mas era um investimento muito alto. Ele cogitou a intercooperação. A direção da Copagril achou que o momento era em 2020, nós aceleramos os estudos até chegar aos valores para uma transição muito rápida, porque isso aconteceu no final de novembro. Era muito sistema para virar a chave no primeiro dia útil de janeiro, como informática, crachá, funcionário passar para a Lar, ter inscrições estaduais e nota fiscal. Foi impressionante comprar todo estoque da Copagril, frangos com 30 dias ou 40 dias, frangos recém-alojados, rações sendo transportadas, matéria-prima das indústrias, almoxarifados cheios de componentes. Nosso pessoal virou dia e noite, véspera de Natal e de Ano Novo, dentro das plantas. É uma integração perfeita com a Copagril, que nos ajudou demais.

 

OP: Daqui para frente a Lar pretende ampliar as plantas em Rolândia? Ou quais são os planos para aquela planta?

ICR: Nesse momento, a Lar está implantando o complexo de produção de rações em Medianeira, o Complexo Bom Jesus. Também estamos ampliando o abate de frangos em Matelândia.

 

OP: O complexo de rações vai ser só lá da Lar? Tem um em Santa Helena?

ICR: Só da Lar. Vamos ter um lá e já temos em São Miguel do Iguaçu, Medianeira e Rolândia. Temos quatro plantas e vamos passar para oito. Já temos cinco, além de mais três com a de Medianeira, onde há especificações. Vamos trabalhar para ampliar o abate em Matelândia. Em Cascavel queremos ir para o 7º dia de abate, aí vamos preparar para abater aos sábados em Rolândia. Estamos pegando essas duas máquinas, o abate em Marechal Rondon e a indústria de rações em Entre Rios, e a primeira coisa é ver se tem algum ponto de estrangulamento. Já sabemos onde precisamos investir para dar um fluxo melhor. A indústria de rações de Entre Rios precisa colocar peletizadora, mas nos deparamos com o problema de que não tem energia elétrica suficiente. Se até abril ou maio tiver a subestação reforçada em Entre Rios a Lar vai colocar duas peletizadoras importadas que serão trazidas de Medianeira, e resolveremos a questão de ração. Tudo o que é ração do rio de Santa Helena para cá é atendido por Entre Rios, o que vai aumentar muito a produção e gerar mais empregos. Está saindo um trevo bem na indústria, então isso ajuda. Na indústria de aves queremos resolver em dois meses a questão da água, que hoje é carregada por caminhões e isso não viabiliza. A Copagril já tinha a solução. Tem a propriedade e os poços e agora está sendo feito todo trabalho para canalizar essa água, tudo aprovado pelo meio ambiente. Despesa e custo caem ao resolver o problema da água.

 

OP: Existe algum plano para ampliar o abate de aves em Marechal Rondon?

ICR: Vamos ver se a indústria tem capacidade de frio suficiente para saber se podemos chegar à capacidade plena de 170 mil frangos ao dia. Este é o primeiro passo. Se abatermos aos sábados vamos aumentar a capacidade em quase 20%, aí já precisa contratar 400 funcionários. Abater seis dias por semana significa que quem trabalha no sábado vai folgar na segunda-feira em uma semana, na outra folga na terça, depois na quarta. Temos condições de aumentar primeiro a produção de frango e se nós não conseguirmos abater aqui levamos para Cascavel e Matelândia. Depois é aumentar a capacidade resolvendo os gargalos e, por terceiro, abater no sábado. Um dia vai abater domingo até duplicar. Estes são os nossos planos. O produtor vai achar bom e quer isso, os prefeitos com quem falei querem isso. Esta planta tem atualmente 316 aviários integrados no sistema de intercooperação com a Copagril e para atender a demanda deste ano vamos precisar de mais 50 aviários. Temos como oportunizar mais aviários na intercooperação, possibilitando até 2024 dobrar a integração dentro do projeto se houver produtores interessados na atividade.

 

OP: Dá um resultado expressivo para toda região…

ICR: Isso é dinâmico. Se já tem resultado com cinco dias, como vai ser com mais um dia? Você vai ver as rodovias se congestionando.

 

OP: O senhor espera acabar o ano como em termos de faturamento?

ICR: O faturamento em 2020 chegou a R$ 10,897 bilhões. No ano de 2019, foram R$ 6,959 bilhões. A Lar cresceu 55,14% de um ano para o outro e tinha só quatro meses de Rolândia e nenhum de Marechal Rondon. Imagina trabalhando plenamente em Rolândia e trabalhando aqui, com a boa safra e o preço que estão aí. Em 2021 esperamos quase R$ 14 bilhões, são R$ 13,7 bilhões. O nosso relatório vai sair no dia 29 de janeiro na assembleia, aí vou citar todos os números.

 

OP: A Lar pensa algo em suínos e leite?

ICR: A Lar não vai se envolver nos setores de suínos e leite. Isso é Copagril com a Frimesa. A Lar acredita no projeto da Frimesa e fez toda sua parte para suprir a cota da cooperativa em Assis Chateaubriand. A Frimesa segurou por três anos o projeto. A Lar hoje cumpre a cota da Frimesa, entrega suínos na Friella, na Coopavel, na Alegra (de Castro), JBS e Globo Aves. A Lar está pronta para atender a cota dela quando rodar a planta Assis Chateaubriand.

 

OP: Há mais plantas industriais na mira da Lar?

ICR: Não. A Lar deu passos decisivos nos últimos dois anos e isto estava previsto no nosso planejamento estratégico. O atual Conselho de Administração, que tem quatro anos de mandato, nesses dois primeiros anos de trabalho daria esses passos e agora nos dois próximos anos o foco estará em extrair o melhor resultado. É claro que, sem perder a qualidade do atendimento: aos nossos associados, agora com integrados de frangos de corte ampliados e com uma relação muito próxima com nosso quadro de funcionários e com as lideranças regionais. O Oeste do Paraná precisa ser melhor reconhecido e receber obras estruturantes na região, como por exemplo: energia trifásica e rodovias estaduais com acostamento e terceiras pistas. Inclusive, em parceria com os prefeitos, precisamos sensibilizar o Governo do Estado e a Itaipu Binacional, pois as estradas municipais precisam de mais estrutura em função da produção que está ampliando muito. Consequentemente, o trânsito de caminhões está ficando muito intenso na nossa região. Precisamos, também, trabalhar com os prefeitos para que eles possam dar um incentivo aos produtores que queiram ampliar as suas atividades pecuárias, não apenas para integrados da Lar, pois todos precisam de estradas.

 

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