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Pedágio pode ficar com 4% do VBP anual do Paraná, alerta Dilvo Grolli

calendar_month 24 de março de 2021
3 min de leitura

Há meses, líderes que representam os mais diferentes setores produtivos do Paraná chamam atenção para um tema dos mais urgentes aos interesses do Estado. Eles apresentam argumentos sobre os prejuízos que a proposta do Ministério de Infraestrutura, sobre o novo modelo de concessão de rodovias, poderá trazer à competitividade dos produtos agropecuários paranaenses. “Caso o que pontuamos seja ignorado, o custo somente para a agropecuária será de 4% do Valor Bruto da Produção (VBP), estimado em R$ 140,9 bilhões em 2021”, informa o diretor-presidente da Coopavel e integrante do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), Dilvo Grolli.

A informação foi dada pelo líder agropecuarista na última sexta-feira (19), durante nova rodada de diálogos sobre a futura concessão entre representantes de entidades empresariais e de produtores rurais e diretores e técnicos do Ministério de Infraestrutura. Ele disse que a previsão de receita do novo modelo é de R$ 156 bilhões inicialmente; em 30 anos o valor poderá ser de mais de R$ 300 bilhões. “O custo, de 4% do VBP por ano, é incompatível com a receita e as margens dos produtores rurais”, enalteceu.

Segundo Grolli, a agropecuária e os agricultores do Oeste do Paraná tiveram um custo elevado nos últimos 24 anos. “Sem a estrutura de transporte correta e necessária, as perdas anuais de hoje ultrapassam os R$ 300 milhões”, expôs.

 

SEM OUTORGA

Durante sua exposição, o diretor-presidente da Coopavel reforçou aspectos considerados fundamentais ao setor primário. “Somos contra a outorga onerosa, porque limita o desconto máximo na tarifa em 17%. E temos exemplos, de outros Estados, com descontos acima dos 50%. O degrau tarifário, que seria praticado para custear obras de duplicação, chegaria a 40%, outro ponto fortemente combatido. Queremos tarifa pelo menor preço. Não estamos buscando benefícios ou privilégios, apenas o direito de sermos tratados como os outros Estados da Federação”, destacou.

 

COMPETITIVIDADE

O Oeste e o Paraná tem parcela considerável de seu PIB formada por commodities. “Produzimos grãos e carnes, que têm pouco valor agregado. Somos competentes da porteira para dentro, mas perdemos em logística quando transportamos nossa produção para os mercados interno e externo. O elevado custo do pedágio tira a nossa competitividade”, evidencia Grolli.

O modelo proposto pelo Ministério de Infraestrutura aumenta de 2,8 mil para 3.327 quilômetros o trecho de concessão e as praças de cobrança saltam de 15 para 42. “O Governo do Paraná, em atenção aos clamores da sociedade, aceitou e entendeu as nossas sugestões, principalmente quanto à não aplicação da outorga onerosa”, declarou.

“A previsão inicial de arrecadação é de R$ 156 bilhões, com aplicação de apenas R$ 42 bilhões em obras. E o restante, R$ 114 bilhões, para onde vai essa montanha de dinheiro?”, questiona Grolli. “Pagamos, de 1997 a 2021, um dos pedágios mais caros do mundo e não podemos mais cair nos mesmos erros que nos levaram a uma situação tão dramática”, afirma.

O líder agropecuarista informa que a Comissão da Agricultura do Senado deseja debater o assunto e já demonstra preocupação com a intervenção e os riscos que o pedágio representa ao agronegócio brasileiro. “A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) se manifestou recentemente e falou de sua preocupação quanto aos impactos do novo modelo às comunidades e à economia nacional”, lembra.

 

Com Coopavel

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