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Pedro Muffato relata como Itaipu eletrizou negócios da família e fala da relação com sobrinhos do Super Muffato

Ele revela por que quase “quebrou” no anos 1990


calendar_month 28 de setembro de 2024
4 min de leitura
Muffato na entrevista: viagens a São Paulo nos anos 1960 para “sortir as prateleiras da bodega”

O Grupo Open, do empresário Marcos Urio, foi o anfitrião do “Café com Pitoco” de setembro. O entrevistado dessa edição foi o ex-prefeito, empresário e piloto, Pedro Muffato. Aqui estão os principais trechos da conversa presenciada por assinantes e anunciantes do jornal:

A Chegada

Cheguei de Irati em 1964, era perto, mas era longe. Saímos muito cedo de lá, chegamos aqui já era mais de 10 da noite. Trouxe parentes, meus pais e o mano Tito com oito anos de idade. Eu estava noivo da Mail, queria me casar, não poderia manter uma família de forma digna com a vida que levava em Irati.

O Alerta

A fama de Cascavel era a pior possível. Muita morte, jaguncismo, grileiros, posseiros, disputa por terra. Minha tia disse: “Não vá Pedro, lá matam gente na rua”. Eu expliquei que não iria trabalhar com terra, queria montar minha bodega e trabalhar no comércio.

Pé na Estrada

Nessa época eu viajava muito. Ia para Guarapuava fazer compras para a mercearia, aqui não tinha nada. Ia para São Paulo para sortir as prateleiras. Quando retornava, ia ao bar do Senadinho para saber o que aconteceu na cidade na minha ausência.

Vida Política I

Ainda muito jovem, com pouco mais de três anos de Cascavel, me convidaram para disputar eleição para vereador. Eu liderava o pessoal do esporte, organizei a formatura da minha turma. Fui o orador, escrevi o discurso, me atrapalhei com as folhas, foi um vexame. Dali pra frente só falo de improviso. Fui eleito vereador e quatro anos depois já estava disputando a prefeitura.

Vida Política II

Éramos seis candidatos a prefeito, três pela Arena, três pelo MDB. Antes de aceitar participar, fizeram um longo trabalho para me convencer. Falei: não vou por dinheiro nisso. Então me disseram que os 10% de propina na prefeitura trariam o investimento de volta. Falei: “Vocês estão falando com a pessoa errada”. Saí sozinho, perdi o apoio até do MDB. Fiz 10,8 mil votos, mais que todos os outros candidatos somados.

O Irmão Tito

Eleito prefeito, tinha que por alguém para tocar o negócio no armazem. Pus o Tito na gerencia, ele era menor de idade. Um dia ele foi a prefeitura e disse: “você me pôs na gerência mas ninguém me obedece”. Então dividimos a sociedade pela primeira vez, e montamos a empresa Irmãos Muffato, eu com 85%, o Tito com 15%.

A Separação

Sempre disse para o Tito: quando não quisermos mais trabalhar juntos, não precisamos
brigar, vamos fazer uma separação amigável. Houve algum estresse sim, eu viajava muito para as corridas de automóvel, talvez esse fosse um dos motivos, ficava pouco na empresa, o Tito nunca chegou a falar, mas acho que era isso. Eu também queria mais
liberdade para minhas competições esportivas.

Água Mineral I

O cargo de prefeito me apresentou para pessoas influentes, como o deputado Arnaldo Busato e o presidente de Itaipu. Adquirimos uma área para trabalhar em Foz. A loja cresceu muito com Itaipu, que tinha dezenas de milhares de operários que precisavam se alimentar e tomar água. Ninguém me pediu propina, mas eu usava artimanhas de comerciante. Vendia 500 caixas de água mineral por dia para Itaipu.

Água Mineral II

Para vender para Itaipu era preciso participar de concorrência pública. Na tomada de preço, entrava um concorrente com o preço menor que o meu. Ele ganhava a concorrência. Mas na hora de ele entregar o produto, eu já tinha comprado toda a
produção. Então na primeira semana ele já não cumpria o contrato. Aí me chamavam que tinha cinco caminhões para puxar água mineral e havia comprado 20 mil caixas do fornecedor. Ganhava-se bastante dinheiro.

O aval

Um conselho: não avalize. Eu avalizei na década de 1990, perdi quase R$ 30 milhões por
ter sido avalista. Só não quebrei porque sempre trabalhei muito bem estruturado, mas passei momento difícil. Isso segurou um pouco a expansão do Muffatão, então arrendei as lojas de Foz, Londrina e Maringá para os sobrinhos. Não tenho encrenca com os sobrinhos, pelo contrário, tenho orgulho do crescimento e expansão deles.

Assinantes e anunciantes na sede do grupo Open: testemunhas oculares das histórias
contadas pelo Pedro

Por Jairo Eduardo. Ele é jornalista, editor do Pitoco e assina uma coluna semanalmente no O Presente

 
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