Após muita expectativa, o Conselho Universitário (COU) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) definiu o calendário para as eleições da instituição. O período de inscrições das chapas será até fim de setembro e a campanha ocorre entre os dias 1º e 22 de outubro, mesmo dia da eleição.
Atual diretor-geral do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), o professor rondonense Edison Leismann já se colocou como pré-candidato a reitor, o qual deve ter o apoio do atual reitor Paulo Sérgio Wolff (Cascá).
Em entrevista ao Jornal O Presente, ele adiantou que já solicitou verbalmente o afastamento do cargo para se dedicar ao seu projeto e falou que o pré-candidato a vice-reitor escolhido para compor a sua chapa é Allan Cezar Faria Araújo, que foi diretor-geral do HU no primeiro mandato de Cascá, em 2012, na época em que o rondonense foi diretor-administrativo do hospital. Confira.
O Presente (OP): O senhor já oficializou a sua saída do Hospital Universitário (HU) ou ainda não?
Edison Leismann (EL): Não, solicitei verbalmente ao reitor (Paulo Sérgio Wolff, Cascá) que fizesse essa substituição quase um mês atrás. Isso vem sendo discutido com o reitor e estamos acertando para que ocorra o mais breve possível. Havia até indicado um possível sucessor para a diretoria-geral do hospital, que é o doutor Allan Cezar Faria Araújo, que foi diretor-geral no primeiro mandato do atual reitor, em 2012, na época em que fui diretor-administrativo. Ele até havia sinalizado que aceitaria, mas depois acabou sendo escolhido como meu pré-candidato a vice-reitor. Então, se não convém para eu continuar no cargo de diretor-geral nessa época de campanha, não convém para ele também. Neste caso, o reitor está avaliando junto com o Governo do Estado o substituto. Sou um dos três pré-candidatos a reitor que estão fortes aí. Não sei se pode surgir uma quarta candidatura ou não, mas pelo que eu observo andando pelos campi da universidade, marcando os contatos, estão sendo sinalizadas três candidaturas.
OP: O senhor já começou oficialmente a sua campanha?
EL: Não, porque somente agora o Conselho Universitário (COU) aprovou o calendário e as regras. Campanha mesmo só pode fazer após a homologação das candidaturas. Os registros das candidaturas ocorrem em setembro. Então, o que existe agora são pré-candidaturas e contatos com grupos de apoio nos campi.
OP: Quais são as principais propostas enquanto pré-candidato e há definição quanto ao foco da campanha?
EL: Como no registro das candidaturas, que ocorre no final de setembro, é preciso apresentar um plano de trabalho, esse plano de trabalho está sendo construído para daí em diante fazer o processo de divulgação. Por que sou pré-candidato? Porque a Universidade vive um momento ímpar em sua história. Na década de 70 e 80 criamos as instituições municipais que acabaram derivando na Unioeste com cinco municípios compondo uma única instituição, no Oeste e Sudoeste do Paraná, e já na época participei dessa construção de uma universidade multicampi, com projeto de inserção regional para a oferta de ensino de graduação em um primeiro momento e depois, em um processo de oferta de Stricto sensu, mestrados e doutorados em um segundo momento. Nos últimos 16 anos o projeto de implantação dos mestrados e doutorados se ampliou bastante e nós nos consolidamos como uma universidade não só na oferta de ensino de graduação, mas na pesquisa e na extensão e, no caso, a pesquisa ocorre principalmente nesses projetos de mestrados e doutorados. Agora vivemos um outro momento ímpar em que estamos em xeque. Há mudanças acontecendo em nível federal e estadual que implicam trabalhar de forma coesa, unindo toda a experiência possível das pessoas que conhecem essa universidade desde seu nascedouro, para trabalharmos em conjunto para enfrentarmos esses novos desafios.
OP: O senhor citou como seu pré-candidato a reitor o Allan Araújo. E como fica a situação do atual reitor Cascá?
EL: Há alguns meses, o atual reitor se posicionou que, se fosse possível, estaria disposto a ir como meu vice, mas há uma compreensão no COU que isso seria um terceiro mandato e o nosso estatuto impede. Então o atual reitor sinaliza que vai ser candidato a diretor do campus de Cascavel e está me apoiando. Tenho o apoio explícito dele e da equipe no sentido de apoiar a minha candidatura.
OP: Em relação ao cenário, o senhor comentou que há possibilidade de ter três candidatos. O atual vice-reitor Moacir Piffer também pode surgir como pré-candidato?
EL: Pelo que temos conhecimento, sinalizam três candidaturas: a minha e do doutor Allan de vice; do professor Wilson Zonin, de Marechal Cândido Rondon, que disputou a eleição em 2015 e fez uma boa votação, mas não tenho informação ainda de quem será o vice dele; e o professor Alexandre (Almeida Webber, atual diretor do campus de Cascavel). O atual vice-reitor às vezes sinaliza, ou tem sinalizado, que também seria um pré-candidato a reitor. Então é possível, caso ele consolide esta posição, de haver quatro candidatos.
OP: O campus de Marechal Rondon tem nomes que pretendem concorrer, contudo, até o momento não há nada oficial. O senhor está acompanhando essa questão?
EL: Estou acompanhando, sim. O professor Zonin disputou a eleição passada e fez uma boa votação. Ele é um nome respeitável dentro da Universidade pela sua história de trabalho. Em tese, com várias candidaturas, ele tem chances eleitorais de ganhar pelo percentual que fez na vez passada. Com quatro candidaturas, se ele mantiver o percentual que fez na eleição passada seriam ótimas as chances de ganhar. Porém, a cada eleição há uma nova reconfiguração de apoios. Em relação ao campus de Marechal Rondon, eu sei que ele é bastante forte pelos apoios que consegue construir no dia a dia. Eu espero de fato que a gente possa dividir esses votos de Marechal Rondon, porque assim o compromisso com o campus é muito forte, tanto do professor Zonin quanto o meu compromisso. Eu não posso falar isso em relação aos outros pré-candidatos, porque quem conhece mesmo o campus rondonense sou eu e o professor Zonin.
OP: Como estão as discussões sobre candidaturas para diretor do campus de Marechal Rondon? O senhor tem pensado nessa possibilidade também?
EL: Estamos olhando esta possibilidade de ter candidatos em cada um dos campi, mas não necessariamente. Isto porque a candidatura de reitor é independente, embora sempre é bom ter apoio de diretores de campus para fazer campanha. É muito importante que os candidatos adentrem a universidade. Portanto, se tiver quatro candidaturas a reitor e cada um, obrigatoriamente, fosse colocar candidatos a centros, seriam 54 candidatos, e isso não acontece. Muitos centros terão candidatos únicos e é normal que isso aconteça, até muitas vezes para evitar disputas internas. Mas, independentemente de ter ou não candidatos a campus e centros, o contato se dá com a comunidade acadêmica, tanto com os agentes universitários quanto com os docentes. E o que a gente espera? Que o eleitor de fato analise as propostas, analise as potencialidades dos candidatos na sua experiência para conduzir o centro, o campus e, no caso, a reitoria também, no período dos próximos quatro anos.
O Presente