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Produtores rurais reagem a invasões e ataques indígenas com manifestação neste sábado

Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente, o presidente do Sindicato Rural de Palotina, Edmilson Zabott, pede união e ações concretas para estancar ataques e invasões no Oeste do Paraná


calendar_month 22 de outubro de 2024
7 min de leitura

No próximo sábado, 26 de outubro, uma grande manifestação pacífica está marcada para ocorrer em Guaíra, no Oeste do Paraná. Os produtores rurais da região, vestindo preto em luto, irão protestar contra as invasões de terras e chamar a atenção das autoridades e da sociedade para a grave situação que enfrentam. Na semana passada, produtores que tentavam plantar em áreas não invadidas foram atacados (veja vídeo).

Maquinários agrícolas foram destruídos e até um animal de estimação foi morto pelos invasores. Essas ações, que geraram imagens e vídeos chocantes, são um reflexo da escalada de violência. Atualmente, há entre 16 e 17 invasões registradas na região de Guaíra e Terra Roxa, em pontos estratégicos que, segundo os produtores, têm o objetivo de desestabilizar a produção agrícola.

Edmilson Zabott, presidente do Sindicato Rural de Palotina, tem sido uma das vozes mais ativas em defesa dos produtores. Em vídeo publicado na internet, ele convoca todos os sindicatos rurais do Paraná a aderir à manifestação.

Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente, ele cita inúmeras situações e preocupações dos produtores. “Nossa preocupação já vem de muito tempo. Primeiro com as invasões, a forma das invasões e a falta de uma ação direta. Quando iniciaram-se as invasões, nosso governo do Estado não permitiu que as forças de segurança tomassem providências e aí as coisas vieram crescendo, chegando ao ponto do governo federal tomar conta, através das forças de segurança, dessa região de Guaíra e Terra Roxa, nas questões de invasões de terras. E conforme já as mídias noticiaram, documentos já levantados por sindicatos, prefeitura, por órgãos dos municípios de Toledo, de Terra Roxa e de Guaíra, as invasões são feitas por pessoas que não são indígenas, mas que se autodeclararam indígenas, que vieram do país vizinho. E isso foi tornando-se um problema gravíssimo. Hoje nós temos em Guaíra e Terra Roxa entre 16 e 17 invasões, em pontos em pontos separados, que para nós são estratégias de quem coordena essas invasões para causar o caos e provocar as demarcações”, relata Zabott.

Os ataques diretos aos produtores rurais e suas propriedades têm se intensificado. “E agora, com esse enfrentamento que houve na semana passada, chegando ao cúmulo do produtor rural não poder plantar a sua área que sobrou, que não foi invadida, um ataque daquela forma covarde, cruel, atacando o equipamento, matando o seu cachorro de estimação”, relata. Para ele, a situação chegou a um ponto crítico, em que os agricultores vivem sob constante ameaça.

Zabott também relatou o impacto psicológico e financeiro que os ataques estão gerando na comunidade. “Hoje eu recebi uma ligação de um empresário de Guaíra pedindo ajuda. Ele não consegue mais vender nada, o comércio está paralisado. Os funcionários estão desesperados”, disse ele, ressaltando que o impacto vai muito além do setor agrícola, afetando também o comércio e os serviços locais.

Insegurança e caos econômico

A cada novo dia, a preocupação com o futuro econômico da região aumenta. Segundo Zabott, o Oeste do Paraná concentra um dos maiores polos de produção de proteínas animais do Brasil, com destaque para frango, peixe, leite e suíno, além da produção de grãos. “Nós empregamos nessa microrregião mais de 100 mil pessoas. Temos 35 municípios do Paraná, que são os municípios que mais faturam no Valor Bruto da Produção. Esses 35 municípios somam R$ 55 bilhões, e desses, R$ 24,8 bilhões saem de 12 municípios do Oeste do Paraná”, frisou, ressaltando ainda o impacto devastador que as invasões podem trazer para a economia local. A região possui incubatórios, frigoríficos e cooperativas que dependem de certificação sanitária. Se houver contaminação de doenças vindas de fora, toda a produção pode ser comprometida. “Vocês imaginam se entrar uma doença dentro dessa região e que essas plantas frigoríficas tenham que ser interditadas, paradas por 60 dias, apenas 60 dias? O caos social que essa região Oeste do Paraná vai ter. As pessoas não estão avaliando o tamanho do risco”. Zabott mencionou um episódio em que contrabandistas trouxeram galinhas caipiras do Paraguai, que foram apreendidas pela Adapar. “Você já pensou 10 mil hectares de terras sendo tomadas pelos indígenas, onde nós produzimos frango, que depende exclusivamente de um certificado de qualidade sanitária para poder vender para o mundo?”, reforça. Segundo ele, a intenção do governo federal é adquirir 10 mil hectares na região.

A inércia das autoridades e o medo das famílias

A falta de ação por parte das autoridades também é fortemente criticada por Zabott. “A nossa preocupação é como o governo federal quer fazer as aquisições de terras, já pressionando os produtores que têm áreas invadidas”, menciona. Ele também destaca que, enquanto a discussão sobre uma dívida histórica da Itaipu com os povos indígenas continua, a região está à beira de um colapso sem ação das autoridades.

“Diretores da Itaipu falaram que a Itaipu possui uma dívida histórica com esses povos. Ok, se existe uma dívida histórica que seja comprovada, realmente, e que tenha que ser paga essa dívida histórica, mas nós precisamos discutir como pagar essa dívida, quem vai pagar essa dívida e onde vai ser pago essa dívida. Nós não podemos transformar essa região, que é extremamente produtora, numa aldeia indígena sem controle. Um exemplo disso nós temos a Raposa Serra do Sol, lá em Roraima. De uma área produtiva de grãos de arroz, se transformou no maior centro da miséria de tribos indígenas. Então esse assunto precisa ser melhor discutido. E o pior disso tudo, esse clima de invasão, de ataques, de inércia do governo, do Estado, dos municípios e do governo federal está destruindo as famílias que moram nessas cidades”.

Invasões e conflitos podem se espalhar

Ele alertou que a situação de Guaíra e Terra Roxa pode se espalhar para outras cidades da região. “Se os municípios vizinhos de Mercedes, Marechal Cândido Rondon, Palotina, Nova Santa Rosa, Palotina, Toledo estão achando que esse problema não virá, engana-se todo mundo. Esses municípios terão os mesmos problemas que Guaíra e Terra hoje estão tendo. Portanto, é preciso discutir, e o meu pedido é que todos os presidentes de sindicatos do Paraná entendam essa grande dificuldade e venham apoiar os produtores de Terra Roxa e da região”, menciona.

O apelo por união

Ele convoca a sociedade civil a se unir pela causa. “É importante e acima de tudo, que os empresários, associações comerciais, bancos, concessionárias de automóveis, concessionárias de máquinas agrícolas, todos estejam envolvidos nesse movimento. Um movimento pacífico, aonde cada um vai com uma camisa preta e leve sua bandeira do Brasil. Nós não queremos enfrentamento com ninguém, nós queremos é o diálogo para discutir se essa dívida histórica existe. Nós precisamos identificar e precisa avaliar aonde e quando, qual é o melhor momento e qual é o melhor local para se pagar essa dívida histórica. Não são ONGs, não são pessoas com ideologias que vão definir uma história de colonização que nós tivemos há mais de 60 anos nesse Oeste do Paraná, que se transformou na maior indústria de alimentos para o Brasil e para o mundo”, defende o presidente do Sindicato Rural de Palotina.

Presidente do Sindicato Rural de Palotina, Edmilson Zabott.

O Presente

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