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Restaurantes populares, vigor econômico e “jantar gratuito” no bairro mais vulnerável livram Capital do Oeste da fila do osso

calendar_month 6 de novembro de 2021
3 min de leitura

Se dona Maria, a diarista da periferia que trabalha para uma família abastada nas mansões suspensas da Rua Minas Gerais, fizer dois dias de expediente, remunerados a R$ 200 cada, ela poderá pagar a conta do almoço para uma família de cinco membros durante um mês no restaurante popular.

São contas como essas a explicar por que não noticiamos ainda a famigerada fila do osso em Cascavel ou cenas deploráveis desta natureza, como aquelas registradas em Cuiabá e várias outras cidades brasileiras, cujas imagens correram o mundo.

Não, não vivemos em um oásis de riqueza em meio a um deserto de miséria. Mas aqui as condições econômicas são diferentes.
Uma ação da Copacol, no início do mês, dá a dimensão das diferenças: pessoal do RH da cooperativa veio buscar trabalhadores nos terminais de transbordo de Cascavel com uma oferta nunca vista do ponto de vista quantitativo: mil empregos na Copacol para imediata admissão.

Notícias assim correm rápido. A Secretaria de Ação Social tem notado a migração de brasileiros do Norte e do Nordeste para Cascavel. Chegam em caravanas. Soma-se a eles os estrangeiros. “Já temos mais de oito mil haitianos, venezuelanos e paraguaios morando em Cascavel”, afirma o secretário de Ação Social, Hudson Moreschi.

Segurança alimentar
Para além do grande momento da agroindústria e da construção civil em Cascavel, o município estende uma vigorosa rede de proteção social aos vulneráveis.

O restaurante popular está no centro da política de segurança alimentar. E os números mostram que não passamos incólumes pela pandemia; foi preciso socorrer mais gente. Em 2020 os restaurantes serviram 107 mil refeições. Nos primeiros nove meses de 2021, esse número cresceu para 161 mil, devendo chegar a 200 mil no presente ano.

Note-se que o município abriu mais um restaurante, no Bairro Santa Cruz, e isso impactou esses números.

“Bom e barato”
O Pitoco visitou o restaurante popular ao lado do Estádio Olímpico Regional. Cerca de 400 metros de área, limpeza, organização, ar-condicionado. Passava pouco das 11 horas e já havia uns 30 comensais. A média diária ali fica acima de 400 refeições.
Surpresa: nem todos estariam na lista previsível de uma fila do osso. É o caso da família do montador de móveis Alex Silva. Ali almoçava ele, a esposa Ana Paula e os filhos Matheus e David. “É mais barato que comer em casa e a comida tem qualidade”, disse ele.
O cardápio do dia era frango, espaguete, arroz, feijão, salada mista e suco de laranja.

Outro frequentador de todos os dias é o catador brasiguaio Oscar Romeu. “Levo comigo meu netinho Davi, de oito anos. Ele gosta da comida. Com o dinheiro economizado, pago a van escolar dele”, comentou Romeu.

Cada refeição foi licitada por R$ 6,20. A prefeitura subsidia R$ 3,20 e o comensal caseia R$ 3. No ponto mais vulnerável da cidade, região do Interlagos, o “jantar” é gratuito. Lá o Provopar mantém uma cozinha comunitária que serve 400 refeições ao dia.

Boa notícia: Cascavel ganha mais um restaurante popular em 2022: será no Floresta, mediante investimento de R$ 2 milhões. Menos mal. Não faz nenhum sentido a região maior produtora de proteína animal do planeta humilhar seus semelhantes na fila do osso. Quem dera a todos os brasileiros fosse garantida igual condição e oportunidade.


A família Silva no restaurante popular e o catador Romeu: longe da fila do osso (Fotos: Jairo Eduardo/Pitoco)

(Fotos: Jairo Eduardo/Pitoco)

 

Pitoco

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