O retorno total do ensino presencial na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) depende da vacinação completa de professores e acadêmicos. A afirmação é do reitor Alexandre Webber. “Se em novembro, quando iniciar o ano letivo 2021, a população estiver vacinada, nossos acadêmicos estiverem vacinados, as aulas teóricas podem ser presenciais. Se isso não tiver ocorrido até lá, eu acho um risco desnecessário”, declarou ao O Presente.
Em entrevista à reportagem, ele revelou que a Unioeste está fazendo uma avaliação sobre o número de acadêmicos que desistiram de cursos e/ou trancaram matrícula durante a pandemia, comparativamente ao período pré-pandêmico, informou que a universidade pretende amparar os estudantes que tiveram dificuldades nas aulas remotas/híbridas e fez uma projeção de quanto tempo será necessário para o calendário acadêmico voltar à normalidade.
Webber opinou ainda, entre outros assuntos, sobre o que a comunidade acadêmica da Unioeste ganhou e o que ela perdeu neste um ano e quatro meses de pandemia. Confira.
O Presente (OP): Como estão as tratativas na Unioeste para a retomada das aulas presenciais?
Alexandre Webber (AW): Autorizamos, este ano, conforme padrões, aulas presenciais nas atividades práticas. Já foram autorizadas em vários cursos nos quais não é possível fazer aulas remotas. Então, já estamos com atividades presenciais. Nos cursos da (área da) saúde primeiro, porque tinham essa necessidade. As aulas teóricas são um risco desnecessário de correr neste momento, então, conforme avançar a vacina contra a Covid-19, a hora que tivermos condições sanitárias, as aulas retornarão presenciais.
OP: O ano letivo de 2020 será encerrado em setembro. Há chances do ano letivo de 2021 iniciar de forma presencial em todos os cursos?
AW: O ano letivo 2021 inicia no dia 03 de novembro. Nós precisamos de um intervalo entre o fim do ano letivo anterior (2020) e o ano letivo deste ano para exames, matrículas e uma série de questões burocráticas. E também para os alunos descansarem e se recomporem. Existe chance de retornamos ao presencial ainda em novembro, mas precisamos avaliar a necessidade de correr esse risco. As aulas remotas têm acontecido, as disciplinas teóricas. Como conseguimos retomar todas as atividades que eram necessárias às práticas presenciais, nós vamos correr só os riscos necessários. Então, se em novembro, a população estiver vacinada, nossos acadêmicos estiverem vacinados, as aulas teóricas podem ser presenciais. Se isso não tiver ocorrido até lá, eu acho um risco desnecessário. Podemos retornar no modelo híbrido como está acontecendo neste momento, com aulas teóricas remotas e práticas presenciais, e conforme a situação vai melhorando, vamos retomando uma rotina mais próxima do que tínhamos na universidade, na graduação.
OP: Então a retomada presencial depende exclusivamente da vacinação de toda a comunidade acadêmica?
AW: Para as aulas teóricas retornarem em novembro, presencialmente, acredito que é necessário, e aí não depende da universidade, nossos alunos estarem vacinados. Não adianta fazermos com metade dos alunos presencial e metade no remoto. Isso é pior do que dar a teórica remotamente, até porque ela está sendo síncrona, ou seja, o professor está simultaneamente com os alunos na aula teórica. A universidade tem o serviço especializado em engenharia de segurança e em medicina do trabalho, que trabalha a questão de segurança do trabalho, e está planejando a retomada de todas as atividades da universidade o tempo inteiro. A discussão acontece de colegiado por colegiado, mas é difícil fazer previsão quando não depende de nós a questão da vacinação. Não tendo a possibilidade de em 03 de novembro as aulas estarem todas presenciais, as aulas teóricas continuarão no modelo remoto e as atividades práticas que nós já temos realizado presencialmente com grupos menores, divididas, permanecerão. Então, a retomada presencial depende, sim, da vacinação completa de professores e alunos. Como a vacinação tem avançado, acreditamos que até novembro devemos ter uma boa parte da população vacinada. Acompanhamos no nosso Hospital Universitário (Huop) que houve redução dos internamentos nas faixas etárias já vacinadas com duas doses, contudo, em consequência da não vacinação de outras faixas etárias, vemos muitos internamentos de pessoas mais jovens. Então, é preciso sim, para ter tranquilidade, um avanço maior da vacinação.
OP: Qual é o percentual de servidores, professores e bolsistas da Unioeste já vacinados contra a Covid-19?
AW: Servidores e professores, acredito que já conseguimos a vacinação da totalidade. Já avançamos para alguns bolsistas de residência técnica, que também já foram imunizados. Mas a grande maioria, apenas com a primeira dose. É necessária a segunda dose para termos uma segurança mais tranquila. Nós temos vários casos de contaminação neste meio, entre primeira e segunda dose, ainda com quadros mais graves. Precisamos de mais um ou dois meses para que a grande maioria já tenha tomado a segunda dose. Após 30 dias da segunda dose já temos uma segurança mais tranquila. Espero que até o fim do ano a gente consiga uma rotina mais semelhante ao que tínhamos. A não presencialidade não quer dizer que a universidade não está atuante. Ela está extremamente atuante, com seus projetos de pesquisa. A pós-graduação não parou em nada, continuam acontecendo muitas defesas de mestrado e doutorado. Este ano tivemos várias formaturas de alunos da graduação. Também tivemos formação de um número grande de residentes da área de saúde no nosso hospital. E assim seguimos, só não precisamos correr riscos desnecessários.
OP: Neste período de pandemia, muitos acadêmicos desistiram de cursos, trancaram matrícula? A Unioeste tem hoje esses números, esse percentual?
AW: Não conseguimos mensurar ainda. A pró-reitoria de graduação tem trabalhado nisso, mas ainda não é possível mensurar se o número de trancamentos de matrícula no período remoto é maior do que já ocorria no período presencial. Não podemos pegar um número, simplesmente porque aconteceu agora. Precisamos ver o que aconteceu agora e o que acontecia. Porque já havia, por uma série de motivos, abandono e trancamento de matrícula. A evasão de alunos acontece não só na Unioeste, mas em todas as universidades públicas e privadas. Por outro lado, a universidade está trabalhando com uma série de ações para reingresso de alunos, aqueles que por algum motivo trancaram e passou o prazo de retorno. Este ano foi aberto um edital para eles poderem reingressar na universidade e temos trabalhado de todas as formas para ocupar as vagas da nossa universidade.
OP: A pandemia refletiu no número de inscritos no vestibular que a Unioeste vai realizar no mês que vem ou teve praticamente o mesmo número de inscritos que em edições anteriores?
AW: O número de inscritos no vestibular da Unioeste, mesmo com a pandemia, foi expressivo. Houve uma queda de mil alunos inscritos, na totalidade. Alguns cursos tiveram a concorrência ainda fortalecida e outros tiveram um número menor de inscritos, mas o vestibular é metade das vagas da universidade. Precisamos esperar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), através do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), para verificar a ocupação de vagas no total da universidade. A Unioeste tem se esforçado bastante para alcançar a ocupação máxima das suas vagas.
OP: Os aprovados no vestibular que será realizado em agosto ingressam quando na Unioeste?
AW: O calendário letivo de 2021 inicia no dia 03 de novembro e os aprovados no vestibular deste ano ingressam no dia 03 de novembro.
OP: Na sua opinião, o que a comunidade acadêmica da Unioeste ganhou e o que ela perdeu neste um ano e quatro meses de pandemia?
AW: A Unioeste se reinventou e tem utilizado melhor as ferramentas virtuais. Isto pode ser um ganho (daqui para frente), principalmente nas reuniões da universidade. Por ser multicampi, às vezes, não há necessidade de deslocamento dos professores. Na pós-graduação, colocar mais próximo ainda estes programas, até de outros países. Agora, sem dúvida nenhuma, toda a sociedade perdeu muito com essa pandemia. É algo que jamais imaginávamos. O número de mortos é algo assustador. Mas, a nossa universidade esteve de mãos dadas com a sociedade e eu acho que isso é importante. Isso reflete a importância do que a sociedade, lá atrás, sonhou com ter uma universidade. Nosso Huop avançou em termos de equipamento o que levaria cinco ou seis anos para avançar. Isso já reflete e vai continuar refletindo no atendimento da população nos próximos anos.
OP: Aulas híbridas, remotas, trouxeram dificuldades para muitos estudantes. Será possível sanar esses impactos, que, de certa forma, limitaram e comprometeram o ensino-aprendizagem? Ou teremos uma geração, como dizem por aí, com um vácuo na formação?
AW: As aulas híbridas remotas não foram uma normalidade, como estávamos acostumados. No modelo que a Unioeste adotou a aula fica gravada. Tenho escutado de vários alunos que isso auxilia, porque eles têm a possibilidade de rever essas aulas. Mas a dinâmica da universidade, na maneira que este estudante está retornando, se alguma lacuna ficou precisando ser reposta ela vai ser reposta. Todos os colegiados e cursos estão atentos. Da maneira que foi feita, foi um processo gradativo, até relativamente lento, mas não me arrependo deste processo lento porque foi importante para o professor entender aquele modelo, para que o acadêmico entendesse aquele modelo. É claro que a presencialidade ajuda em outros aspectos, principalmente o psicológico, com a convivência. Mas, na parte do ensino, acredito que conseguimos fazer o possível neste momento tão difícil.
OP: Quando o senhor acredita que a Unioeste retomará à normalidade vivida antes da pandemia? Já em 2022 ou ainda levará mais tempo?
AW: Acredito que no início de 2022 teremos uma normalidade, mesmo com aulas presenciais. Penso que vai ser necessário o uso de máscara por mais um tempo, mas vamos torcer para que o mais breve possível voltemos a ter uma rotina mais próxima do que tínhamos. Acredito que em 2022, já em janeiro, quando retomarmos o calendário iniciado em 2021, poderemos ter aulas presenciais.
OP: Quanto tempo levará para que o calendário acadêmico volte à normalidade?
AW: Na reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (semana passada), aprovamos o calendário para o ano que vem. Mantida esta lógica, nós vamos ter capacidade de a cada ano recuperar um bimestre. Então levaria quatro anos para voltar a ter um calendário iniciando em fevereiro e acabando no fim de novembro. Temos quatro anos pela frente para ajustar o calendário, se não acontecer nada. Hoje é muito difícil de prever alguma coisa. Não sabemos ainda como vai se comportar essa pandemia a partir da vacinação da população e o que vai acontecer no ano que vem, mas estamos trabalhando para avançar, dentro da possibilidade, sem perder a qualidade. O nosso principal foco é a saúde da nossa população acadêmica e a qualidade de ensino.

Reitor da Unioeste, Alexandre Webber: “Não tendo a possibilidade de em 03 de novembro as aulas estarem todas presenciais, as aulas teóricas continuarão no modelo remoto e as atividades práticas que nós já temos realizado presencialmente com grupos menores, divididas, permanecerão” (Foto: Sandro Mesquita/OP)
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