O Presente
Municípios

Rondonense dá a luz em carro em movimento; parto durou 40 minutos

calendar_month 4 de fevereiro de 2022
7 min de leitura

Os municípios de Marechal Cândido Rondon e Cascavel são separados por cerca de 80 quilômetros e, dentre muitas histórias, o caminho já foi palco de diversos nascimentos emocionantes. No último dia 25, uma terça-feira, o pequeno Henri, filho dos rondonenses Maisa e Tiago Zajac – ele comandante do Corpo de Bombeiros -, entrou para o time dos bebês aventureiros que tem o carro da família como local de nascimento.

O recém-nascido aproveitou bastante o tempo na barriga da mamãe. Quando decidiu nascer, foi repentinamente e sem grandes sinais. “A gestação estava chegando ‘no limite’. Eu poderia esperar até 42 semanas e, caso ele não viesse, faria indução de parto. Com o prazo máximo chegando, cheguei a pensar que teria de fazer cesárea. Eu não queria isso – desejava ter um parto normal – e fiquei preocupada. Em todo caso, o Henri nos surpreendeu e não precisou”, conta a rondonense.

 

Gravidez de risco

Antes disso, por volta dos quatro meses de gestação, Maisa teve um diagnóstico de placenta prévia completa, uma condição que tornou a gravidez de risco e abalou os desejos da gestante pelo parto normal. “Foi um balde de água fria”, resume a mãe.

Ela não podia fazer atividades físicas, nem sequer segurar a própria filha. Concomitantemente, o casal iniciou uma busca por tratamentos e reforçou as orações. Cerca de um mês e meio de restrições, tudo mudou drasticamente. “Em um exame especializado o médico constatou que a placenta tinha subido, o que tirava os riscos da gravidez. Depois dessa breve frustração, ter novamente as condições para o parto normal foi muito significativo”, pontua.

 

Primeiros sinais

Superada essa turbulência e mesmo à véspera das 42 semanas, ela fazia caminhadas e exercícios a fim de se preparar para o momento tão esperado. “As outras gestantes falavam que sentiam tantas coisas antes do parto normal e eu não sentia nada fisicamente, apenas aquela ansiedade. Pensei que ele não ia nascer, como se fosse possível, mas aí aconteceu ‘do nada’”, lembra.

No último dia 21, Maisa sentiu sair um pouco do tampão – uma substância que protege o útero e é expelida nos últimos dias da gravidez – e, mesmo sendo um sinal vago, aquilo empolgou a mamãe. No dia seguinte, ela descansou, pensando que ele poderia nascer na madrugada, mas nada aconteceu. No dia 23, um domingo, a mamãe foi deitar-se mais uma vez esperançosa de que acordaria com dor, porque muitos nascem na madrugada, mas, novamente, sem sinal de Henri.

No dia 24, depois de tanta espera, ela sentiu leves contrações. “Eram contrações de treinamento, que algumas mulheres sentem até um mês antes do bebê nascer. Não dei muita bola, porque eu não sentia dor ou desconforto”, confidencia.

Por volta das 21 horas, a família estava jantando quando Henri deu novos “sinais de vida”. “Estava com as mesmas contrações e dessa vez senti cólicas leves também. Fiquei feliz, porque o corpo estava dando uma resposta. Mandei mensagem para a enfermeira obstétrica e ela disse para eu tomar banho e descansar, porque ele poderia nascer no outro dia. Às 22 horas aumentou um pouco a dor e saiu um pouco de sangue. Nesse momento, a enfermeira viu pelo aplicativo que as contrações estavam ritmadas e nos orientou a ir para Cascavel”, relatou.

Os papais colocaram Laura para dormir, acionaram a vovó Vilma para cuidar da primogênita e foram para o hospital. “Quando eu me troquei ainda estava ‘consciente’. Até escolhi uma calça que não apertasse a barriga e então nós fomos”, diz Maisa, que descobriu tardiamente que a calça não seria a roupa mais confortável para a viagem.

 

Partolândia

Era por volta de meia-noite do dia 25 quando o casal saiu de Marechal Rondon. Maisa foi no banco de carona e bastou entrar no carro para alcançar a “partolândia”. Sem saber, ela já estava na fase expulsiva do trabalho de parto. “Comecei a sentir mais dores e fechei os olhos. Eu sabia que se fizesse força ele poderia nascer, mas é instintivo: senti que precisava fazer e fiz”, conta.

Entre gritos, respirações e contrações ritmadas, o casal estava quase chegando a Cascavel quando Maisa sentiu uma pressão na vagina, tateou e sentiu o cabelo do filho. “Ele vai nascer!”, gritou ela, plena de felicidade. “Abaixei a calça, fiz mais duas forças e ‘blupt’: o Henri foi direto para o meu colo e nem chorou. Afinal, foi prontamente acolhido, sentiu meu cheiro e ouviu a minha voz. A gente viu que ele estava respirando e respondendo aos sinais, aí ficamos tranquilos. Foi muito emocionante, muito especial”, frisa.

Em um parto que durou cerca de 40 minutos, Henri nasceu à 00h49 com 54 centímetros e 4,145 quilos. Já no colo de Maisa, a hora dourada entre mamãe e bebê começou ainda no carro durante a primeira viagem do novo integrante da família Zajac. No hospital, o pequeno passou por exames e o cordão umbilical foi cortado duas horas depois pelo pai.

 

Fazer seu próprio parto

Tiago foi marido, motorista e doula durante a viagem, elogia Maisa. “A gente já é bem unido, mas essa aventura nos fortaleceu muito. Ele me acompanhou durante toda a gestação e me deixou muito tranquila nesses momentos emocionantes”, enaltece a rondonense.

Com a repercussão, a mamãe do pequeno Henri foi elogiada pela sua coragem, mas, segundo ela, esse não foi o caso. “Ele ia nascer e não tinha o que fazer. Nesse momento a gente não sente medo, se sente poderosa. O filho nasce e a mulher renasce, principalmente quando faz seu próprio parto”, considera.

Maisa Weber Zajac e o filho Henri, que esbanja saúde e tranquilidade depois de nascer em um carro em movimento (Foto: Raquel Ratajczyk/OP)

 

Aventura e calmaria

Uma semana depois, durante a entrevista com a participação do pequeno Henri, a tranquilidade reina no lar da família. “Quis nascer no agito, mas ele é bem tranquilo. Mama, dorme e está muito saudável”, aponta Maisa.

A pequena Laura, três anos mais velha que o irmão, tem sido companheira do maninho. “Ela segura o irmão, ajuda a dar banho e está apaixonada”, enaltece a mamãe.

O papai, por sua vez, considera a primeira semana de vida do filho aventureiro até mais tranquila do que a da primogênita. “O Henri nasceu na emoção e a Laura foi a nossa primeira, então a cada suspiro era uma preocupação. É como dizem, o primeiro é de cristal e o segundo de borracha”, brinca.

Maisa enaltece o acompanhamento profissional que teve durante a gestação. Na foto, estão a enfermeira obstétrica Henielly Goes, Henri no colo da mãe e a médica Ana Paula Faller (Foto: Divulgação)

 

O tabu do parto normal

Apesar do receio que muitas mulheres têm quanto ao parto normal, para Maisa essa experiência era um desejo desde a primogênita, que acabou nascendo por cesárea. “Já queria parto normal, mas como era a primeira gravidez eu tinha medo de alguma coisa acontecer com ela. Não tive tanta orientação e quando o médico recomendou a cesárea eu aceitei, porque estava com 39 semanas e pouco líquido. Como tinha medo de que algo acontecesse com a Laura, eu fiz pelo bem dela. Depois eu soube que aquele não era um indicativo para cesárea”, pondera.

Com a frustração do parto normal, a rondonense mudou de médico e foi à fundo na busca por conhecimento sobre maternidade. Para além da preparação física, com enfermeira obstétrica, pilates para gestante e fisioterapias pélvicas, Maisa e Tiago receberam orientações sobre o caminho desde a gestação até o esperado parto normal. “Cada mulher tem seu limiar de dor, mas foi diferente de tudo que eu já tinha visto nos partos normais: geralmente com muita dor e por muito tempo. Eu levei marmita, pedras quentes e óleos essenciais que nem cheguei a usar”, comenta, agora rindo da super preparação, e conclui: “Passar pelo parto normal tem um sentimento inexplicável. É um momento tão seu e do seu filho que marca para sempre”.

 

O Presente

Clique aqui e participe do nosso grupo no WhatsApp

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.