Os paranaenses que fugiram da guerra na Ucrânia no avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que resgatou brasileiros, estrangeiros e animais de estimação finalmente, chegaram ontem (11) ao Estado.
O desembarque de Murilo Maia, 23 anos, Francisco Jurescu, de 62, e Albanir Roberto, de 52, ocorreu por volta das 14 horas no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Os três foram resgatados em Varsóvia, na Polônia, principal destino dos refugiados por fazer fronteira com a Ucrânia.
Murilo é jogador de futebol e foi de Curitiba para a Ucrânia para atuar em uma temporada de jogos no país. Albanir, dono de uma academia de futebol em Varsóvia, e Luiz, treinador de jogadores, moravam na cidade polonesa, mas foram ao país vizinho para treinar atletas locais.
“Nós sabíamos que seria um processo difícil, mas não tanto. Só que se formos comparar com outros brasileiros, até foi fácil. Muita gente passou muita dificuldade com crianças pequenas, famílias inteiras. Mas ainda assim temos que agradecer porque não foi tão difícil quanto o de várias pessoas”, afirmou Murilo.
A mãe do jogador, Angélica Maia, que o recebeu no aeroporto, não escondia a emoção. “Fomos abençoados por ele poder sair em segurança. Agora é a hora de matar a saudade”, disse.
Apesar da alegria, ela demonstrou indignação e tristeza com os rumos da guerra. “Ainda tem gente para trás, brasileiros, ucranianos, russos. A guerra não é justa para ninguém. A gente tá feliz do Murilo estar aqui, mas vamos continuar rezando pela paz, para que cesse essa guerra. Não é tempo disso”, lamentou.
“Depois de tanta agonia estamos certos que agora, no conforto dos seus lares e suas famílias, esses paranaenses vão descansar e reencontrar a paz e a esperança. Nosso Estado é plural, tolerante e acolhedor, sejam muito bem-vindos”, afirmou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.
FUTURO
Para Murilo, o plano do futuro é recomeçar. “Minha expectativa é buscar o que eu não tive lá em outro lugar. Recomeçar. Já sei que nada vai acontecer lá, então tenho que pensar no que vai ser daqui para frente. Infelizmente todos temos planos e queríamos que ocorressem da melhor maneira possível, mas tivemos que nos adaptar à situação”, ressaltou.

AEN