Seca seguida de geadas contribuíram para atraso na colheita. Contudo, clima nos dois últimos meses do ano deve ser propício para uma melhor florada, que vai potencializar a produção de abelhas

Coofamel recebeu a primeira remessa de mel da safra 2021/2022 no dia 1º de novembro: expectativa positiva (Foto: Divulgação)
Mel no chá, na calda de fruta, no pão, no queijo e há quem o coloque até mesmo na carne. Para muitos, o mel é a cereja do bolo.
No Oeste do Paraná, apesar de ter iniciado tímida, a safra de mel 2021/2022 tem expectativa de ser bastante positiva.
Em 2020, a colheita começou a partir de 10 de outubro e neste ano no final de outubro. A produtividade, de acordo com o presidente da Cooperativa Agrofamiliar Solidária (Coofamel), Antônio Schneider, está menor, porém, a expectativa é por uma melhor florada neste mês e em dezembro, o que gera maior produção das abelhas.
Conforme Schneider, o período de bastante chuva ocorrido em outubro fez com que os produtores perdessem boa parte da principal florada da região, que é a uva-japão. “Mesmo assim, não foi algo preocupante, que vai atrapalhar totalmente os resultados”, expõe.
Segundo ele, janeiro deve ser um período de menos chuva, o que gera maior produção das abelhas. “Cerca de 200 toneladas devem passar pela cooperativa”, prevê.

Presidente da Coofamel, Antônio Schneider: “Produtor precisa ter atenção e cuidados para que o mel seja de qualidade. Deve evitar umidade, utilizar utensílios adequados e práticas de manejo que observem a higiene” (Foto: Divulgação)
Incerteza
O apicultor rondonense Benedito Gajewski lembra que em 2020 a colheita do mel teve início no mês de outubro. “Ano passado a colheita estava muito bem, com uma supersafra. Já para este ano o futuro é incerto. Por ter sido um ano de extremos, sendo que inicialmente estava bastante seco, e depois houve uma época de geada, a florada foi fraca. As abelhas não se reproduziram e os enxames estão pequenos”, explica.
O produtor de mel Guiomar Kunz, de Marechal Cândido Rondon, vai na mesma linha: a seca prolongada e o atraso da primavera afetaram a produção de mel. “A floração está começando agora. Em comparação ao ano anterior, teremos uma quantidade menor de mel. Daqui para frente o desafio é esperar, já que houve pouca captura de novos enxames”, relata.

Preço do produto é considerado satisfatório: quilograma do mel está sendo vendido a R$ 14 (Foto: Divulgação)
Preços
Em relação aos preços, o presidente da Coofamel diz que eles continuam atrativos para os produtores. “O preço está se mantendo em alta. O mel está com uma procura muito grande e a exportação está bem acelerada”, aponta.
Segundo ele, o quilograma está sendo vendido a R$ 14. “É um valor satisfatório”, avalia.
Schneider destaca que durante a pandemia a demanda por mel e seus derivados aumentou. O própolis, que é uma forma das pessoas ampliarem a imunidade do organismo, triplicou as vendas. “Foi um aumento tanto nacional quanto em outros países, o que mostra o quão aquecido está o mercado”, aponta.
Qualidade
O presidente da Coofamel orienta o produtor a ter atenção quanto à qualidade do mel. “É preciso ter cuidado com a umidade e com o manejo do produto. O apicultor deve ter uma estrutura limpa e materiais bem higienizados, pois estamos lidando com um alimento e não podemos contaminá-lo”, ressalta.
Os produtores interessados em comercializar com a Coofamel podem entrar em contato pelo telefone (45) 3268-2445 ou pelo WhatsApp (45) 9 8429-3450.
Maior produtor nacional de mel
Conforme o Departamento de Economia Rural (Deral), o Estado do Paraná é o maior produtor nacional de mel. Segundo a Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), a produção nacional de mel em 2020 foi de 51.508 toneladas, 12,5% maior que a produção total de 2019 (45.801 toneladas).
Esse volume de produção mantém o Estado paranaense em primeiro lugar do ranking brasileiro, já que o Rio Grande do Sul, que até 2018 foi o primeiro produtor nacional de mel, atingiu o total de 7.467 toneladas.
Conforme o Censo Agropecuário de 2017, 101.947 estabelecimentos agropecuários têm apicultura (2.155.140 colmeias/caixas de abelhas), enquanto que no Paraná esse número atinge 12.941 (260.827 colmeias/caixas de abelhas).
Os demais Estados da federação brasileira que se destacam na produção de mel são (toneladas): 3º Piauí (5.673), 4º Bahia (5.010), 5º São Paulo (4.489), 6º Santa Catarina (4.306), 7º Minas Gerais (4.103) e 8º Ceará (3.896).
Reinauguração na quinta-feira
A estrutura da Cooperativa Agrofamiliar Solidária (Coofamel) recebeu investimento de R$ 394,3 mil para atender normas sanitárias como o Sistema de Inspeção Federal (SIF) e, desta forma, possibilitar o envase do mel na sede da entidade, em Santa Helena. A reinauguração da sede da cooperativa ocorrerá na quinta-feira (18), às 09 horas.
Atualmente, o processo de envase ocorre na unidade de Marechal Cândido Rondon, sendo que agora passará a acontecer em Santa Helena.
Conforme o presidente da Coofamel, o recurso foi conseguido a partir de um projeto desenvolvido por intermédio do Programa de Apoio ao Cooperativismo da Agricultura Familiar do Paraná (Coopera Paraná), da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab). Teve apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR Paraná) e da Cooperativa de Trabalho e Assistência Técnica do Paraná (Biolabore).
A Coofamel tem 279 associados na região Oeste do Paraná e também em parte da região Sudoeste, que compreende o município de Capanema e arredores. Os principais meios de relacionamento com os produtores ocorrem por intermédio da assistência técnica, compra do mel e subprodutos e venda de insumos e equipamentos aos apicultores.
O Presente