Após a frustração com a safra de soja, com uma quebra que chegou a 80% para alguns produtores da região de Marechal Cândido Rondon, a esperança dos produtores de grãos agora está na segunda safra de milho.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), que tem atuação em 20 municípios da região Oeste, 96% da safrinha de milho já está fixada nas lavouras de Formosa do Oeste, Iracema do Oeste, Jesuítas, Tupãssi, Guaíra, Terra Roxa, Entre Rios do Oeste, Marechal Cândido Rondon, Mercedes, Pato Bragado, Quatro Pontes, Palotina, Santa Helena, São José das Palmeiras, Ouro Verde do Oeste, São Pedro do Iguaçu, Toledo, Maripá, Nova Santa Rosa e Assis Chateaubriand. “As condições são boas. O clima até o momento esteve favorável e, apesar de no início a falta de chuva ter gerado uma certa apreensão, as chuvas que ocorreram até agora foram sufi cientes”, menciona o técnico do Deral de Toledo, João Luiz Raimundo Nogueira.
Ele informa que 91% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 7% em germinação e apenas 2% em floração. “O milho foi plantado mais cedo este ano devido a todos os problemas que ocorreram na safra de soja, como a colheita antecipada e as perdas, o que acabou oportunizando ao produtor a plantar mais cedo”, diz.
Como consequência, a previsão é de que a colheita da safrinha 2018/2019 aconteça a partir da segunda quinzena de maio nas lavouras que tiveram o plantio mais adiantado.
AVANÇO DE 3,5%
Com expectativa de produção de 2.657.910 toneladas de milho neste ano, 392.408 toneladas a menos do que na última safra – que também foi impactada negativamente pela estiagem e, no fi m, pelo excesso de chuvas – a área semeada no Oeste neste ano-safra também é maior. A lavoura regional passou de 428.325 hectares para 442.985 hectares plantados. “As expectativas são as melhores possíveis.
Apesar de terem ocorrido problemas com a soja, isso propiciou o plantio antecipado, praticamente afastando a safrinha de temperaturas frias que geralmente ocorrem na nossa região em junho e julho. Neste período, esperamos que o milho já esteja colhido. É possível pensar em uma grande safrinha para compensar as perdas com a soja”, ressalta o técnico do Deral.
ALTO CUSTO
Embora as boas condições nas lavouras, o preço é um fator que tem chamado a atenção dos agricultores. Se o valor de venda do milho for considerado baixo pelo produtor do grão, as notícias ruins vêm em dobro, já que, além da frustração com a colheita na safra de soja, também podem enfrentar um mercado com preços ruins. “Apesar de alguns produtores terem essa visão de baixo preço, o problema está no custo de produção”, opina Nogueira.
Ele expõe que quando a atual safrinha foi implantada, ela trouxe junto a valorização do dólar no ano passado, ocorrido devido às incertezas da política interna brasileira. “Essa conjuntura fez com que o dólar subisse no momento em que os produtores estavam adquirindo os insumos para a implantação dessa safrinha, sobretudo os fertilizantes, que vêm com um preço ainda mais alto”, salienta.
No início de 2018 a cotação da moeda americana estava em R$ 3,25. Passadas as eleições brasileiras, lembra Nogueira, o dólar se acomodou na casa dos R$ 3,70, porém, em setembro de 2018, quando o produtor realizava a compra de insumos, a moeda chegou a R$ 4,16. “O preço dos produtos agrícolas varia de acordo com a oferta e a demanda do mercado, mas o custo para produção é fixado de acordo com o câmbio, que não muda, por isso temos este cenário de um alto valor para produzir”, sintetiza.
PREÇOS BEM SUSTENTADOS
Hoje, o milho de balcão está na casa dos R$ 30,70 a saca. Nogueira compara que em fevereiro do ano passado, conforme a média dos preços nominais recebidos no Paraná e divulgados pelo Deral, a saca de milho estava R$ 23,58. “Observando a média de 2018, que foi considerado um ano de preços bons, a saca estava a R$ 28,97.
Ou seja, o preço do milho hoje está acima da média de todo o ano de 2018. Em 2017, o valor era ainda menor: R$ 21,46”, exemplifica. “A única exceção dentro desse comparativo foi em 2016, quando a média foi de R$ 33,73, pois tivemos uma frustração principalmente no Norte do Paraná e no Mato Grosso que elevou os preços, batendo os recordes de exportação do grão”, complementa Nogueira.
O técnico do Deral afirma que o comportamento dos preços do milho estão bem sustentados hoje, especialmente porque há demanda para manter essa sustentação. “Exportamos muito milho em janeiro e temos a demanda externa que também garante sustentação”, frisa.
Por outro lado, ele volta a reforçar que o custo de produção pesa para o produtor devido à valorização do dólar no ano passado junto ao cenário político brasileiro. “Além disso, outro fator mexeu no mercado no ano passado: o governo americano especulou muito o aumento de juros nos Estados Unidos, fazendo com que houvesse uma fuga de investidores do mercado no Brasil. Quando isso acontece, o dólar é o porto seguro e por isso tem essa valorização”, conclui Nogueira.
O Presente