Vídeos de elementos fazendo contrabando no Oeste do Paraná estão sendo compartilhados em redes sociais. De acordo com a Polícia Federal (PF), eles foram gravados nas cidades de Guaíra e Altônia, que têm acesso ao Lago de Itaipu e ao Rio Paraná, na fronteira com o Paraguai.
Nas imagens, os suspeitos exibem os barcos carregados com caixas de cigarro. Depois, em terra, enchem carros com as mercadorias.
Os vídeos compartilhados exaltam o trabalho criminoso, com uma das publicações tendo mais de 1 milhão de visualizações.
Em nota, o porta-voz da rede social TikTok, local onde os vídeos foram postados e compartilhados, falou que conteúdos que promovem atividades criminosas, violam as diretrizes da comunidade e são removidos da plataforma assim que identificados.
Parte do material identificado, inclusive, já foi retirado do ar.
Em 2022, as forças de segurança apreenderam no Paraná cerca de R$ 400 milhões em cigarros contrabandeados do Paraguai. O produto é uma das principais mercadorias apreendidas no país.
O presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona, diz que o ato é inaceitável.
“A internet e as mídias sociais não são espaços que permitem a ilegalidade, são espaços que também devem cumprir a lei”, disse.
De acordo com a polícia, o cigarro ilegal paraguaio é distribuído para diversas regiões do Brasil. No último levantamento, o FNCP apontou que só no estado de São Paulo, 60% de todo o cigarro comercializado têm origem clandestina.
Impactos
“Estão sempre na casa dos bilhões os prejuízos causados. Isso impacta toda a sociedade, são impostos que poderiam ser arrecadados e revertidos em benefícios aos serviços públicos”, falou o presidente.
Edson também afirma que o comércio nacional deixa de ampliar sua participação nos negócios, o que afeta o consumidor que adquire produtos sem normas técnicas, e a segurança pública, com o aumento de organizações criminosas.
Outro crime
Matheus Falivene, advogado e mestre em Direito Penal, explicou que o compartilhamento das práticas criminosas é mais um delito cometido pelos contrabandistas.
“Se a pessoa faz um vídeo enaltecendo, já é incitação ao crime, porém em alguns vídeos a pessoa efetivamente está praticando o contrabando. Então esse vídeo pode acabar servindo como elemento para que a polícia investigue essa pessoa que postou o vídeo pra ver se ela está cometendo crime de contrabando ou descaminho”, falou.
O delegado a Polícia Federal, Mário Leal, afirmou que monitora as publicações e atua no combate ao contrabando. O delegado contou também que recebem muitas denúncias da população.
“Esse material contribui para robustecer o material probatório”, disse.
Com G1