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“Temos que trabalhar com a soma, e não mais com a divisão dos campi”, defende Alexandre Webber

calendar_month 23 de setembro de 2019
10 min de leitura

De líder estudantil à graduação em Odontologia. De professor a coordenador de curso. De professor a diretor de campus. Essa foi a trajetória de Alexandre Webber, que já está na contagem regressiva para encerrar a sua segunda gestão à frente do maior campus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), o de Cascavel. Vale lembrar que na eleição de 2015, quando foi reconduzido ao cargo, Webber foi candidato único.

E agora o professor está na condição de pré-candidato a reitor, cuja eleição acontece no dia 22 de outubro. Aproximadamente 16,5 mil pessoas que compõem a comunidade acadêmica estarão aptas a votar e o desafio será conquistar em um curto período de campanha o maior apoio possível.

No último dia 13, o diretor do campus de Cascavel recebeu a reportagem do Jornal O Presente, ocasião em que falou sobre a motivação em postular o maior cargo da universidade. Enfatizou que as brigas internas da Unioeste precisam acabar para que a instituição volte a ter respeito e credibilidade. Webber também lamentou que não houve um entendimento para que o campus de Marechal Cândido Rondon indicasse o seu pré-candidato a vice-reitor. Confira.

 

O Presente (OP): O senhor conclui neste ano a sua segunda gestão consecutiva como diretor do campus de Cascavel. O que lhe motivou a agora se colocar como pré-candidato à Reitoria?

Alexandre Webber (AW): Desde que entrei como aluno a minha vida nesta universidade tem sido uma luta. Uma luta para começar a estudar, uma luta para estruturar um curso, depois como coordenador para evoluir um curso. Tive a oportunidade em administrar o campus. Tive um apoio grande e uma recondução com candidatura única. E mesmo com todas as dificuldades financeiras que tivemos nos últimos três anos, as pessoas no campus me cobram isso (disputa à Reitoria). Acredito que por isso algo bom eu fiz e eu devo tudo a essa universidade. Então a minha não candidatura neste momento seria um ato de tremenda covardia. Acredito que a experiência administrativa nestes anos me dá condição de tentar resgatar o respeito da nossa universidade, resgatar o trabalho coletivo. Aposto muito nisso. No campus de Cascavel, nos oito anos eu trabalhei em conjunto com os diretores de centro sem desavenças internas. Nos últimos três anos construímos um trabalho entre os cinco diretores de campus que fez com que o fardo de todos fosse um pouco mais leve. Isso me faz acreditar nesta possibilidade de unificação maior da universidade e que a gente entenda que ela é a Unioeste, ela é única, é uma soma dos campi. Temos que trabalhar com a soma, e não mais com a divisão dos campi.

 

OP: O seu pré-candidato a vice-reitor possui este mesmo perfil de ser alguém que busca a unificação?

AW: O professor Gilmar (diretor do campus de Francisco Beltrão) tem o mesmo perfil. É um homem de diálogo, alguém que nos ajuda muito neste trabalho que tivemos com os cinco diretores. Foi alguém também muito ponderado. Ele tem um perfil administrativo muito importante, o que poderá possibilitar uma divisão de tarefas, onde ele acumule mais as tarefas administrativas e que libere hoje o pré-candidato e se chegar lá o reitor para fazer o trabalho forte, político, de resgate, de resgate financeiro, para que a universidade volte a sonhar com dias melhores.

 

OP: Na sua avaliação, o que aconteceu para que não houvesse um entendimento e o campus de Marechal Cândido Rondon indicasse o seu pré-candidato a vice-reitor, como era cogitado?

AW: Eu me esforcei muito para que acontecesse uma união máxima da universidade. Há pessoas que ainda não entenderam o momento que estamos passando. Fiz a proposta, esperei, esperei por mais tempo inclusive do combinado inicialmente, mas um lado não sentou para conversar. Eu falava muito com o professor Davi (Schreiner, diretor do campus rondonense), pois temos um diálogo muito bom e franco, com um trabalho coletivo nos últimos anos, e eu dizia sobre o meu sonho de que parasse essa briga de Cascavel e Rondon. Por mim não existe mais essa briga nos últimos anos. Se não entendermos o momento difícil pelo qual passamos de pouca valorização das instituições públicas, de uma desconstrução das universidades sem entender o papel que elas têm para a sociedade, não compreendermos que precisamos estar unidos para resgatar a confiança da sociedade, a autoestima interna, e infelizmente não aconteceu. Mas espero contar com bom apoio do campus de Marechal Rondon. O professor Davi tem conversado muito, ele está junto na elaboração das propostas, e eu acredito muito que para frente vamos acabar com as brigas internas da Unioeste.

 

OP: O senhor ainda espera o apoio do campus de Marechal Rondon?

AW: Eu espero. Vou manter sempre o diálogo e acho que vamos conseguir, sim, ter uma parte de apoio, mesmo tendo um pré-candidato a reitor de lá (professor Wilson Zonin). Espero uma parte do apoio do campus para que seja possível construir uma ponte visando zerarmos todas as diferenças, que não são nossas. Alguém teve essas diferenças e não temos que herdar brigas do passado de ninguém.

 

OP: Ao citar o nome do diretor do campus de Marechal Rondon, o senhor espera o apoio dele?

AW: Eu espero. Tenho conversado bastante com o professor Davi. Nós criamos uma relação muito boa de trabalho, uma relação de confiança. Ele vai estar comigo na elaboração das propostas da Reitoria e acredito que estará conosco na campanha também.

 

OP: O grupo do Davi não anunciou ainda, oficialmente, quem será o candidato a diretor do campus rondonense, se ele vai à reeleição ou não. O senhor espera o apoio desse candidato e do grupo?

AW: Pelo diálogo até hoje acredito que sim. Eu continuo conversando com o professor Davi e ele realmente ficou muito chateado pela falta de diálogo. Poderíamos ter construído uma aliança maior que não é boa para o Alexandre, não é boa para o Davi, mas seria muito boa para a Unioeste. Não é hora de ficarmos brigando internamente. É a hora de estarmos muito unidos para que a gente volte a ter diálogo com o governo, com os nossos representantes e com os nossos políticos baseado em números reais. Hoje os números que usam contra as universidades não são reais. Precisamos voltar a ter diálogo baseado em números reais. Eu não tenho dúvida que qualquer governante e qualquer político, conhecendo os números reais das universidades, jamais vai abrir mão desse potencial que elas representam para o desenvolvimento do Estado.

 

OP: Após a recondução do atual reitor Paulo Sérgio Wolff (Cascá) para o cargo, o senhor se afastou dele por divergências. Mesmo assim, o pré-candidato a reitor Wilson Zonin tenta ligar o seu nome ao do Cascá. Como descolar essa imagem e mostrar que o senhor não é um pré-candidato com apoio do atual reitor?

AW: No campus de Cascavel as pessoas sabem a diferença: o Alexandre é o Alexandre, o Cascá é o Cascá. Claro que fora, como não sobraram críticas a minha gestão, a crítica que conseguem fazer é que sou ligado ao Cascá e pré-candidato do grupo dele. Engraçado que essas pessoas que falam isso têm conversado mais com ele do que eu. Eu praticamente não tenho conversado. Acho que ele fez o trabalho dele, mas infelizmente na segunda gestão, e eu disse para o Cascá, que não concordo com a condução da Reitoria e o caminho que tomou. Tanto é que lançou o Edison Leismann como seu pré-candidato, e não eu.

 

OP: Hoje existem três pré-candidatos declarados à Reitoria. Qual o cenário que o senhor visualiza: ficam mantidas as três pré-candidaturas, algum deles pode desistir ou pode surgir mais um nome?

AW: Acho difícil algum dos pré-candidatos recuar. Estamos muito próximos da inscrição das candidaturas. E também não vejo nenhuma outra movimentação na universidade para que surja um quarto ou quinto candidato.

 

OP: Se o seu nome for homologado, qual deve ser o foco da sua campanha?

AW: O foco é resgatarmos a credibilidade da nossa universidade. Temos números suficientes para resgatar a credibilidade. Precisamos que a Reitoria se junte aos campi e não seja afastada. Ela precisa se unir para que auxilie neste processo de resgate, de recuperação dos recursos de custeio, de investimento, de suporte para a pós-graduação, que está tendo tantos cortes do governo federal e desburocratize a universidade. Hoje perdemos muito tempo cuidando de papel. Há poucos dias tive uma reunião de campus em que aprovamos mais de 40 pontos em meia hora. O que significa isso? Que aqueles pontos não precisavam passar lá, não eram relevantes, já tinham passado por dois conselhos da universidade, já estavam bem discutidos. Então precisamos gastar mais tempo no que é essencial para a Unioeste.

 

OP: O que o senhor acha que é possível fazer de diferente na Unioeste em relação ao que o atual reitor e os ex-gestores já fizeram?

AW: Acredito que devemos continuar com a união dos campi e a Reitoria se somando a essa união proporciona à universidade um peso muito diferente. Quando chegamos em Curitiba com a universidade inteira representada, o respeito a essa universidade é diferente. Precisamos cuidar com o que fazemos. E todas as críticas que recebermos precisam ser respondidas. Infelizmente, as críticas recebidas não têm sido rebatidas. Mesmo quando um Tribunal de Contas faz uma conta do custo de um aluno de uma universidade pública, dividindo o orçamento geral da instituição por apenas os alunos em formação, ninguém questiona essa conta. Ninguém fala que temos um hospital e clínicas, que precisam ser retirados desta conta. Ninguém fala que o aluno não fica apenas um ano em formação, mas quatro a cinco anos. Precisamos rebater todas as críticas com números e dados. Não tenho dúvida que se usarmos isso vamos resgatar rapidamente a confiança na nossa grande Unioeste.

 

OP: O Hospital Universitário (HU) é um dos maiores desafios da Unioeste. Na sua avaliação, o que precisa ser feito para que os serviços prestados à população do Oeste e Sudoeste sejam melhorados?

AW: O nosso Hospital Universitário é o único hospital público em uma região de mais de dois milhões de habitantes. Precisamos chamar nossos políticos e mostrar isso para eles. É diferente de outras regiões que têm mais hospitais. O HU precisa de uma atenção especial. Eu aposto muito que o hospital passando a se administrar teremos uma melhora significativa. Acredito no processo eleitoral no Hospital Universitário. Acredito em um conselho. A universidade inteira é colegiada, o coordenador de curso tem o colegiado; o diretor de centro tem o conselho de centro; o reitor tem dois conselhos que fazem com que ele tenha que prestar contas. Por que o Hospital Universitário não tem um conselho, distribuído em todas as estruturas da instituição, onde tudo que é feito tenha que ser aprovado, tudo que for modificado passe em um conselho, que permita a discussão?

 

OP: O senhor então defende uma gestão mais técnica do que política?

AW: Não vejo outro caminho para o Hospital Universitário a não ser termos uma eleição de diretores. Teremos de seis meses a um ano para construirmos isso e elaborarmos um regimento interno. Há quanto tempo o hospital é o hospital da nossa universidade e não existe um regimento dizendo qual a função do diretor geral, qual a função do diretor administrativo, qual a função do diretor clínico? Isso precisa estar escrito e estar bem consolidado. A universidade inteira tem autonomia na sua gestão e tem democracia, por que o hospital tem que ser um apêndice do reitor? Não pode ser jamais. Eu sinto dentro do HU que as pessoas sabem quais são os problemas e sabem quais são as soluções. É só fazer com que essas duas coisas se conversem. Não precisamos e não podemos ter ingerência em um hospital daquele tamanho. O HU precisa ser administrado pelas pessoas que estão lá dentro tecnicamente.

 

O Presente

 

O pré-candidato a reitor Alexandre Webber definiu, no início deste mês, o nome do diretor do campus da Unioeste de Francisco Beltrão, Gilmar Ribeiro de Mello, como seu pré-candidato a vice-reitor (Foto: Divulgação)

 

 
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