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Testemunhas dizem que tentaram alertar motorista antes de jovem agredida ser atropelada

calendar_month 30 de maio de 2023
4 min de leitura

Quatro testemunhas que tentaram alertar um motorista de que Daiane de Jesus Oliveira, de 28 anos, estava caída no meio da Rua Paraná, em Cascavel, foram ouvidas, de acordo com a Polícia Civil.

A jovem estava no chão após ter sido agredida e largada na via por guardas de uma casa noturna. Imagens de uma câmera de segurança registraram toda a ocorrência no último domingo (28).  Clique aqui e assista ao vídeo.

Em entrevista à RPC, as testemunhas que preferiram não ter identidade revelada, relataram estar muito abaladas com a situação.

Elas afirmaram ainda que, quando saíram da casa noturna, viram a mulher no local e se aproximaram dela para tentar entender o que estava acontecendo.

Daiane de Jesus Oliveira foi deixada na rua por seguranças antes de ser atropelada e ter o corpo arrastado por carro — Foto: Divulgação

Daiane de Jesus Oliveira foi deixada na rua por seguranças antes de ser atropelada e ter o corpo arrastado por carro — Foto: Divulgação

No entanto, ao perceberem a aproximação de um carro, de imediato, tentaram alertar ele de que havia uma pessoa na via, porém, a tentativa foi em vão.

O delegado de Polícia Civil Fabiano Moza, que investiga o caso, confirmou a versão dada pelas testemunhas em entrevista à RPC.

O corpo da jovem foi enterrado na segunda-feira (29), em Tupãssi, cidade a 50 km de Cascavel, onde Daiane morava com a família.

Guardas e motorista não foram ouvidos

Os três guardas da casa noturna que aparecem nas imagens ainda não foram ouvidos. Conforme a polícia, os depoimentos estão previstos para ocorrer na quarta-feira (31). Todos foram afastados das funções, segundo a casa noturna.

No entendimento da polícia, é necessário antes ouvir as demais testemunhas envolvidas para ter argumentos para interrogar os seguranças.

Um dos guardas é policial penal e não teve identidade informada. Em nota divulgada na segunda-feira (29), o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) informou que o policial foi afastado das funções e que abriu um procedimento administrativo para apurar o caso.

A defesa dele, que não teve identidade revelada, afirmou que o cliente agiu com força proporcional diante de uma situação de risco.

Ainda segundo a defesa, o policial penal agiu também para defender o colega porque, segundo ele, a mulher estava ameaçando o outro segurança com um caco de vidro.

O motorista que atropelou e arrastou Daiane também ainda não se apresentou à polícia. Conforme o delegado, o veículo já foi identificado, mas não foi localizado e nem apreendido. Um advogado que representa o motorista afirmou que ele deve se apresentar nesta terça-feira (30).

Daiane de Jesus Oliveira morreu atropelada em Cascavel em frente de casa noturna — Foto: Arquivo da família

Daiane de Jesus Oliveira morreu atropelada em Cascavel em frente de casa noturna — Foto: Arquivo da família

Investigação

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios. De acordo com o delegado Fabiano Moza do Nascimento, a polícia apura a conduta dos seguranças.

Eles podem responder por homicídio doloso com dolo eventual e, caso avaliem que não agiram de acordo com a conduta, também por omissão de socorro.

Já o motorista do carro pode responder por homicídio culposo na direção de veículo automotor e ter pena aumentada, em caso de condenação, por omissão de socorro.

O caso

De acordo com a PM, a briga ocorreu perto de 4h32 da manhã. Um homem com uma lanterna parece repreender a jovem, na calçada. Segundo a corporação, a motivação do desentendimento foi porque ela tentou entrar na casa noturna sem a parte de cima da roupa.

Às 4h33, o homem chuta o que parece ser uma lata de bebida. A jovem reage, vai para cima do homem e os dois começam a brigar na rua. Ela leva pelo menos dois chutes e um empurrão.

Às 4h34, um grupo de cinco pessoas sai de dentro do mesmo estabelecimento. Elas observam, da calçada, a jovem ainda deitada na rua.

Poucos segundos depois as pessoas veem um carro se aproximando e fazem sinal com as mãos que tem alguém no chão. O carro não para e passa por cima da jovem.

Com G1

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