Natural de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, o tabelião Armindo Fischer rumou ao atual município de Nova Santa Rosa no ano de 1962. Filho do comerciante Gustavo Fischer, considerado o principal líder emancipacionista, Armindo foi o primeiro contador e primeiro prefeito da localidade.
Em entrevista ao O Presente, Armindo enaltece que em meados de 1955 as primeiras famílias se estabeleceram na localidade para desbravá-la. Embora a emancipação tenha ocorrido em 29 de abril de 1976, a instalação do município ocorreu em 1º de fevereiro de 1977, data na qual o prefeito eleito Armindo e seu vice José Luiz Dosciatti, ambos da extinta Arena, assumiram o comando do município. A primeira gestão seguiu até 31 de janeiro de 1983.
“O movimento emancipacionista iniciou em 1962, quando foi instalado o distrito administrativo e em 1966 houve a instalação do distrito judiciário. Mais tarde, em 29 de abril de 1976, foi emancipado o município de Nova Santa Rosa, através do presidente da República Ernesto Geisel. O presidente visitou Marechal Cândido Rondon, ele viu o desenvolvimento e penso que isso também contribuiu para assinar a emancipação”, frisa.
Armindo lembra que em 1965 o distrito tinha um ginásio escolar, fato raro de ocorrer em todo o Brasil naquele tempo, haja vista que ginásios escolares estavam situados nas sedes municipais. “Em 1972 tivemos o antigo 2º Grau com escola técnica de contabilidade. Isso tudo somou para chegar à emancipação. Agricultura, diversificação, escolas ajudaram e muito para termos qualidade e plenas condições de reivindicar a emancipação”, pontua.
“Houve uma influência na escolha por mim porque o principal líder emancipacionista foi meu pai, Gustavo. Talvez ele deveria ter sido o primeiro prefeito, mas abdicou a favor do meu nome, pois quem sabe eu tivesse mais condições para gerir nesse início da administração”, comenta, emendando: “entre as lideranças regionais pró-emancipação constam os deputados estadual Egon Pudell e federal Arnaldo Busatto, meu pai Gustavo que ia a Curitiba acompanhar o andamento do processo. Na época da emancipação Jayme Canet Júnior era governador do Paraná e o deputado federal Ernesto Dall’Oglio foi o principal influenciador da eleição com candidato único”.
Armindo conta que sua eleição a prefeito e de Dosciatti a vice foi por consenso e que todas as lideranças apoiaram a gestão que iniciou os trabalhos no município. Inclusive dos nove vereadores oito eram filiados à antiga Arena, enquanto apenas um estava no MDB.
PREOCUPAÇÃO
Segundo ele, na época não houve discussão e nem disputa político-partidária no município, pois todos estavam preocupados em desenvolver, fazer Nova Santa Rosa crescer. Seja na Câmara ou com a população não teve nenhum debate. É possível falar que praticamente não tinha oposição porque todos estavam favoráveis. O primeiro biênio da Câmara teve como presidente José Albino Bohn (Juca).
“Na época fomos o segundo município do Paraná a ser instalado, pois também aconteceu com Francisco Alves, porém esse foi criado anos antes. Durante o governo militar praticamente não houve instalação ou criação de município. Ressalto que na época nós tínhamos poucas condições, tendo iniciado praticamente da estaca zero. Se falarmos hoje dificilmente alguém acredita, mas na época não tinha nenhuma cadeira ou mesa. Levamos móveis de casa. Da mesma forma que os primeiros colonizadores vieram para cá desbravar e iniciaram sem nada, assim foi com o município”, menciona.
Conforme o primeiro prefeito, naquele tempo já havia salário aos políticos, todavia em valores diferentes, algo figurativo, mais como reconhecimento. “Viagens a Curitiba quase sempre saíam do bolso do prefeito. A lei de licitações existia, mas todas as compras eram feitas com aval do prefeito. Praticamente não tive férias, foram seis anos de trabalho intenso, porque precisava dar andamento em muitas ações, então era muita viagem para Curitiba e Brasília para os processos e reivindicações prosseguirem”, expõe.
No tocante a eventuais dificuldades no transcorrer dos seis anos à frente do Executivo, Armindo garante que isso não aconteceu. “Tivemos apoio total da Câmara de Vereadores porque todos trabalharam para o conjunto, para um norte. Acredito que a grande mudança é que hoje temos disputa no município, tanto para prefeito e vice como para vereadores, até com mais correntes. Quem sabe hoje estejamos vivendo uma renovação”, analisa o primeiro gestor do município após 45 anos.
AGRICULTURA
Algo interessante, aponta, é que por não existir possibilidade de aumentar a área do município foi pensado em desenvolver a agricultura. “O comércio ainda era fraco, então a partir da diversificação passamos da soja, do milho e dos suínos e começamos a mexer com leite, frango. Mas o grande destaque é que talvez Nova Santa Rosa tenha sido o primeiro município do Paraná que começou o projeto de microbacia, o que foi muito difícil porque inicialmente a maior parte da população estava contra, ninguém queria fazer curso, porém foi vista a necessidade para ampliar a produção. Melhoramos o solo e com diversificação e implantação de microbacia o aumento da produção foi possível. Naquela época isso tudo foi algo histórico”, afirma.
“Hoje estamos rodeados de municípios mais fortes, como Toledo, Marechal Cândido Rondon, Palotina, portanto não é fácil trazer uma indústria para cá porque as outras cidades têm maior poder econômico para oferecer mais recursos e viabilizar essas empresas. Temos conseguido que as empresas locais evoluam e se destaquem. Quando da emancipação as únicas indústrias eram praticamente cerâmicas; hoje isso está em um nível menor, pois o comércio e outras indústrias têm crescido”, enfatiza.
INFRAESTRUTURA
No que se refere à infraestrutura, Armindo lembra que havia pedra irregular na atual sede municipal, no entanto na gestão Fischer/Dosciatti foi aplicada cobertura asfáltica ao redor da praça, o que permanece atualmente. “Com o tempo fizemos financiamento que depois o nosso sucessor (Elio Migliorança) implementou o asfaltamento nas principais ruas. Os vereadores sabiam das necessidades, o que era realmente urgente e trabalhavam para isso”, relata.
Conforme ele, na década de 1970 Nova Santa Rosa se notabilizou como o único município do Brasil com Discagem Direta Internacional (DDI) na sede e em todos os distritos. “Reformamos a praça e demos início à construção do paço municipal. Levamos água encanada na sede e nos distritos ainda no primeiro mandato, que eram obras de vital importância. Também investimos em escolas, na educação, e hoje se inicia a rede de esgoto”, menciona, acrescentando: “Acredito que o município cresceu bastante, apesar de que a população não aumentou em número no mesmo nível como a economia avançou. Hoje estamos entre os pequenos municípios da região que são sinônimos de destaque”.
O Presente