Poloneses e ucranianos são povos irmãos, vizinhos há séculos na Europa. Também vizinharam desde os anos 1940 aos dias atuais no distrito de São João e no Centralito, comunidades rurais de Cascavel.
A família Hotz foi uma das pioneiras no Centralito, às margens da BR-277, saída para Curitiba, nas proximidades do Parque Tecnológico da Coopavel, espaço que sedia o Show Rural.
A família Hotz chegou aqui no distante 1947, quando Cascavel ainda era distrito de Foz do Iguaçu. Os pais e dez filhos fizeram uma longa viagem de 32 dias de carroça entre Itajaí (SC) e Cascavel.
Segundo relata o livro “50 anos de história da Igreja Ucraniana de Cascavel”, a recepção foi assustadora, já que as lavouras de quem os antecedeu na colonização acabara de ser dizimada por uma infestação de gafanhotos.
Outras famílias ucranianas assentadas aqui naquela época: Stocker, Palí, Skrepetz, Oribka e Kachuba.
Tanto os avós maternos como os paternos de Orestes Hotz, ex-gerente do Sebrae de Cascavel, eram nascidos na Ucrânia.
“Meu pai, Basílio, e a mãe, Alzira, quando não queriam que as crianças entendessem a conversa, falavam em ucraniano lá em casa”, recorda-se Orestes.
Embora descendentes de poloneses e ucranianos possam ser inseridos no contexto histórico como colonizadores de Cascavel, não há uma rua na cidade com o nome desses países.
No Jardim Itália, onde várias ruas homenageiam países, há Rua Holanda, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Suécia e Suíça.
Mas não há rua Polônia, nem rua Ucrânia. Se serve como consolo neste momento de hostilidades, também não há em Cascavel a Rua Rússia.

Pitoco