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Unioeste: pesquisadores validam questionário para saber da saúde de professores brasileiros

(Foto: Divulgação)

A avaliação e o monitoramento da saúde docente há muito tempo é objeto de interesse no domínio público para prevenção de riscos profissionais. No entanto, no Brasil, ainda não havia um instrumento válido capaz de avaliar, objetiva e especificamente, um amplo conjunto de indicadores de risco à saúde associados à atividade docente, sendo que os utilizados se limitam aos sintomas decorrentes do estresse ou às dimensões do burnout.  

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A partir dessa constatação, pesquisadores do Grupo de Pesquisa Educação Física e Saúde da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Marechal Cândido Rondon, sendo os professores Dr. Adelar A. Sampaio, Dr. Dartel Ferrari de Lima, Dr. Oldemar Mazzardo, Dr. Jorge Both e Dra. Verónica Gabriela Silva Piovani, com a colaboração do professor Dr. Claus Dieter Stobäus (PUCRS), iniciaram um estudo para validar transculturalmente o Questionário Saúde Docente (QSD) do contexto espanhol para o português brasileiro.  

O processo de validação transcultural, explica o professor Adelar, iniciou-se em 2019, a partir da colaboração interinstitucional entre os pesquisadores brasileiros da Unioeste e pesquisadores da Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha, do Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora, Portugal e da Universidade do Algarve, Portugal.

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As fases do estudo, a partir da aprovação do Comitê de Ética da Unioeste, sucederam com os procedimentos de tradução, avaliação e adaptação transcultural do questionário, nos aspectos semânticos, idiomáticos, conceituais, linguísticos e contextuais.

Segundo o docente para avaliação inicial do questionário, outra fase do estudo teve como objetivo verificar se os itens, as instruções e a escala de resposta eram compreensíveis, se os termos presentes nos itens estavam adequados e se as expressões correspondiam àquelas utilizadas pelo público-alvo. Nesse momento, constituíram a amostra, 50 professores atuantes no ensino fundamental e médio, nas esferas de administração da educação pública (estadual e municipal) e privada. Como resultados iniciais, o instrumento sofreu ajustes precisos nos aspectos linguísticos e contextuais.

Como forma de busca de inconsistências ou erros conceituais, a tradução reversa (back-translation) foi realizada para verificar o controle de qualidade do instrumento. Esse processo foi utilizado como ferramenta para identificar palavras ambíguas no idioma-alvo e contou com a aprovação da final pelos autores da versão original.

De posse do questionário adaptado para o contexto brasileiro, procedimentos de validação psicométrica foram realizados para avaliar a estabilidade temporal dos escores, a confirmação do modelo teórico, a análise da invariância fatorial entre os diferentes estratos docentes, a avaliação do ajustamento do constructo e a análise da consistência interna. Para essa fase, foi utilizado o conjunto de uma amostra de 718 professores da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, representantes de escolas públicas e privadas brasileiras.

Como resultado final, o Questionário Saúde Docente – Versão Brasileira mostrou validade psicométrica aceitável como instrumento de mensuração de um amplo conjunto de indicadores de saúde docente, abrangendo os riscos mais relevantes para o trabalho docente, incluindo aspectos adicionais de bem-estar profissionalO estudo foi publicado no Journal of Physical Education, no volume 32, edição 3228, do ano de 2021. 

Para o professor Dr. Adelar Sampaio “o questionário se constitui num importante recurso para avaliar, monitorar e definir estratégias de prevenção, apoio e cuidado com a saúde dos professores brasileiros”. Ainda de acordo com o pesquisador, “os professores mesmo nas melhores condições, estão expostos ao risco de estresse excessivo e do burnout e vivenciam enormes desafios e acréscimos de exigências no seu cotidiano, principalmente pelos atuais impactos causados pela pandemia de Covid-19”.  

O questionário apresenta um diferencial pela inclusão de dimensões que avaliam o bem-estar docente, pois, segundo o pesquisador, “na avaliação da saúde docente, entende-se que os professores estão saudáveis, não só quando não estão doentes, mas quando também estão em um estado de desempenho ideal, motivados, satisfeitos, comprometidos com a organização e adaptados ao seu ambiente de trabalho”. 

O questionário já está disponível publicamente e avalia as seguintes dimensões de saúde docente: 

Questionário Saúde Docente – Versão Brasileira 

Dimensões de bem-estar 

Dimensões de mal-estar 

  • Satisfação 
  • Autoeficácia  

 

  • Disfunções Musculoesqueléticas 
  • Disfunções Cognitivas 
  • Esgotamento (burnout) 
  • Disfunções da Voz 

Destaca-se ainda que o instrumento demonstra que a versão brasileira apresentou bom ajustamento e elevada similaridade com o original espanhol, o que possibilita a realização de futuros estudos transnacionais de comparação direta utilizando-se o mesmo instrumento e mesma metodologia. 

Link de acesso ao artigo: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/48749

O Grupo de Pesquisa Educação Física Unioeste atua nas linhas de estudos de Atividade Física e Saúde de Escolares; Epidemiologia da Atividade Física; e, Saúde e formação de professores.

Com assessoria

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