Paraná

Remendos frustram motoristas

(Foto: Mirely Weirich/OP)

Empresários, motoristas, trabalhadores, viajantes e, principalmente, moradores dos municípios de Pato Bragado e Entre Rios do Oeste estão desapontados. Isso porque a execução dos serviços de conservação rodoviária de pavimentos na região da Superintendência Regional Oeste do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná (DER-PR), vinculado à Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEIL), no chamado “lote 15”, que caminhava “de vento em popa” no trecho da PR-467 entre o município de Marechal Cândido Rondon e o distrito de Iguiporã, em uma extensão de 33 quilômetros, vem deixando a desejar.

Bastaram os trabalhadores da pista cruzarem o trevo do distrito em direção ao município bragadense para a obra, que faz parte do programa Conservação de Pavimentos (COP) do Governo do Estado, ganhar um novo perfil.

Após problemas com os desníveis na rodovia, que foram tema de reportagem do jornal O Presente em setembro deste ano por conta da insegurança e preocupação que trazia aos motoristas - sendo inclusive motivador de acidentes -, agora o dilema da população com relação à obra está com a qualidade da execução dos serviços.

A partir de determinado ponto, na PR-495, o trabalho feito pela equipe na pista deixa de ser uma completa substituição da camada asfáltica para tornar-se um serviço de tapa-buracos, que tem deixado diversas irregularidades na via. De acordo com informações de munícipes de Pato Bragado, se já é difícil trafegar com carros pelos trechos que receberam os reparos - que são comparados a estradas de paralelepípedos -, com caminhões e ônibus a situação só piora. Para os passageiros que sentam mais ao fundo ou longe dos rodados, há muito desconforto durante a viagem, além da insegurança causada pelas condições da pista.

Outro problema estaria na qualidade do material aplicado. Pela porosidade da massa asfáltica, ou seja, a quantidade de poros (pequenas aberturas) existentes na superfície, a entrada de água da chuva nos remendos é maior, fazendo com que o trabalho realizado para recuperar a via seja danificado rapidamente. 

Explicações

Em busca de uma prestação de contas do DER-PR e da SEIL acerca da execução do serviço, as associações comerciais de Pato Bragado (Acibra), Entre Rios do Oeste (Acier) e Marechal Cândido Rondon (Acimacar) uniram-se e, nos próximos dias, enviarão ofícios às entidades e também a lideranças políticas que representam a região, a fim de compreender o motivo pelo qual houve a mudança no perfil da obra e para que uma fiscalização mais efetiva seja realizada. “Pelo potencial que é a nossa microrregião, se está sendo feito um trabalho de conservação de rodovias, tem que ser feito um trabalho bem feito, com qualidade, inclusive no acostamento, afinal, são vidas que trafegam ali todos os dias”, pontua o presidente da Acibra, Reinaldo Scherer. “Hoje este trecho entre o trevo de Iguiporã e Pato Bragado está praticamente intransitável, principalmente para quem anda de ônibus e caminhão diariamente”, acrescenta.

Na visão do empresário, a união das entidades empresariais é essencial para a busca de melhores resultados para o impasse. “Chegou a hora de a sociedade se impor frente àquilo que é feito com a arrecadação de impostos e tributos de todos os cidadãos. Não temos nem o valor desta obra e seria importante ter essa informação para sabermos se está de acordo com esse resultado porque muitas vezes é um investimento alto para este tipo de resultado inferior”, ressalta.

Scherer diz que o trecho da PR-495 demanda de uma nova camada asfáltica há muitos anos, tanto é que por várias oportunidades passou por operações tapa-buracos pelas más condições de trafegabilidade que apresentava. “Estávamos na expectativa de que viesse um asfalto novo, assim como entre Marechal Rondon e Iguiporã, mas de algumas semanas para cá começou a ser feito este serviço que deixa a desejar. É um dinheiro público que está sendo mal aproveitado, pois não resolve os problemas da rodovia nem por 30 dias”, avalia o presidente da Acibra.

Além do DER-PR e da SEIL, devem receber o ofício solicitando informações os deputados estaduais que representam os municípios da microrregião, bem como prefeitos da região. Conforme o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Marechal Cândido Rondon (Acimacar), Gerson Jair Froehner, a necessidade desta prestação de contas é para que as lideranças locais verifiquem se o que foi contratado é o mesmo serviço que está sendo executado. “Não sabemos se é uma recuperação total, de qual área, se em determinada região é total e em outra apenas um tapa-buracos. Percebemos que de Marechal Rondon até Iguiporã está bom, mas dali para frente começou alguns remendos e agora este tapa-buracos”, aponta. “Queremos o cronograma desta obra para ver se ela estava prevista para ir piorando a qualidade com sua evolução ou se simplesmente acabou o recurso e estão piorando por conta”, complementa.

Apesar de o trecho não ser marginal ao município rondonense, Froehner destaca que o envolvimento da Acimacar no pleito é de extrema importância tendo em vista que a produção da região, especialmente a agrícola, é escoada também pela PR-495. “Sabemos que os solavancos geram estresse nos animais, no caso da avicultura e suinocultura, mas mesmo os motoristas e viajantes precisam de um conforto melhor nas estradas e precisamos saber se o dinheiro público está sendo bem utilizado e que tipo de obra esperar para a nossa região, por isso não podemos pensar só em Rondon”, enfatiza.

As associações comerciais, explica, fazem parte do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), que prima pela ideia de que todos trabalhem em conjunto para melhorar o fluxo e o desenvolvimento da região Oeste. Neste sentido, a união das entidades tem um olhar macro e cada vez mais alinhado para o crescimento da região.

Retrabalho

Na visão do presidente da Associação Comercial e Empresarial de Entre Rios do Oeste (Acier), Alexandre Luiz Stein, se a execução do tapa-buracos for provisória e, posteriormente, houver uma recuperação total da rodovia, haverá uma má aplicação do dinheiro dos contribuintes, uma vez que o retrabalho acarretará em uso dobrado de material e mão de obra. “Tudo que está sendo feito precisará ser refeito em um curto prazo, ainda mais pelo período de chuvas que estamos passando e a cada intempérie os buracos voltam a se abrir”, enaltece.

A preocupação dos empresários entrerrienses, assim como dos demais municípios, é que Entre Rios do Oeste e Pato Bragado estão no extremo Oeste paranaense, sendo municípios que já estão distantes de uma infraestrutura para levar o escoamento da produção de indústrias tanto agrícolas - que é o principal fomento à economia regional - quanto de outros setores. “Não poder escoar essa produção de forma adequada pela falta de acesso a uma BR, sendo que a mais próxima está em Marechal Rondon, também prejudica o incentivo a novas indústrias no município porque a questão logística pesa muito”, reforça Stein.

As condições da obra na forma como está sendo apresentada neste momento, de acordo com o presidente da Acier, faz com que muitos empresários sintam-se desvalorizados, tendo em vista que celebraram o anúncio do programa Conservação de Pavimentos e a expectativa era grande em relação à qualidade da obra. “Tanto o Contorno Sul quanto o Contorno Oeste em Marechal Rondon são obras que nos ajudariam muito, mas também são prometidas há muito tempo, então quando o município foi contemplado por este projeto ficamos muito felizes, mas agora que vemos a obra sendo executada precisamos pressionar de alguma forma porque a qualidade está deixando a desejar”, reafirma.

Stein comenta que tanto para escoar a produção quanto para chamar investidores ao município a questão de infraestrutura das malhas viárias é essencial, e reflete diretamente no problema de geração de empregos. “Temos dificuldade de abrir postos de emprego em Entre Rios. É uma das principais queixas da população junto ao Poder Público o incentivo da criação de empregos, mas atrair uma empresa ou indústria sem infraestrutura adequada fica ainda mais difícil. Precisamos apostar nas empresas que já existem aqui, porém elas também precisam de uma boa malha viária para o escoamento da produção e para poder crescer, um fator importante que independe da empresa”, enfatiza.

Confira a matéria completa na edição impressa desta terça-feira (14).