O Presente
O passado no Presente

Quando as Sete Quedas voltaram à superfície: a estiagem de 2000 que reabriu a memória de Guaíra

calendar_month 28 de dezembro de 2025
3 min de leitura

Houve um tempo em que o som das águas saltando sobre as rochas de Guaíra não era apenas uma lembrança ou um registro em cartões-postais amarelados. Em janeiro de 2000, exatos 18 anos após o fechamento das comportas de Itaipu, a natureza resolveu abrir um parêntese na história. Uma forte estiagem baixou o nível do reservatório, e o que se viu foi um verdadeiro “reencontro de almas” entre a cidade e o seu maior símbolo: as Sete Quedas.

O Caminho que a Água não Apagou

As páginas de O Presente daquela época (7/1/2000) estampavam com espanto o título: “Caminho das Sete Quedas”. O asfalto que levava ao antigo canalão, submerso desde 1982, voltou a ver a luz do sol. Mais do que engenharia, aquele asfalto representava o caminho da memória de milhares de moradores e turistas.

Com a liberação da área militar pela 3ª Cia do 34º BIMtz, o local tornou-se novamente um ponto de peregrinação. Não era apenas turismo; era um adeus tardio ou uma esperança renovada. O “saudosismo”, como bem citava a reportagem, gerou um movimento popular que pedia o impossível: que o nível do lago fosse mantido baixo para que as quedas fossem “devolvidas à humanidade”.

O Perigo e a Beleza do Rio “Vivo”

Semanas depois, em 21 de janeiro de 2000, o jornal trazia um novo alerta: “Sete Quedas à vista”. O recuo das águas revelou ilhas, corredeiras e enormes blocos de pedras que tornaram a navegação no Rio Paraná um desafio arriscado. Onde antes os barcos passavam com folga sobre metros de água, agora surgiam ondas de até um metro de altura, formadas pela força do rio que insistia em seguir seu curso natural entre as rochas redescobertas.

Para os pescadores e moradores antigos, como o saudoso João Mandi citado nas matérias, ver o rio naquela forma era como ver um fantasma querido. “Imagino que tudo ainda está como há 18 anos”, dizia um dos relatos, refletindo a dor e o fascínio de uma geração que nunca aceitou totalmente o fim do espetáculo das águas.

O Legado de um Momento Efêmero

Aquela “janela no tempo” durou pouco. Logo as chuvas voltaram, as águas subiram e as Sete Quedas voltaram ao seu repouso profundo sob o espelho do Lago de Itaipu. Mas o registro de O Presente permanece como prova de que, sob as águas do progresso, a alma de Guaíra continua pulsando, esperando, talvez, por mais um dia de sol e rio baixo para nos lembrar de sua grandiosidade.

Confira a matéria produzida e publicada no jornal impresso de O Presente em janeiro de 2000.

Sobre a coluna Passado no Presente

Como parte das comemorações rumo aos 35 anos de fundação, O Presente lançou, em outubro, a coluna Passado no Presente, um tributo à sua trajetória e à memória coletiva de Marechal Cândido Rondon e região.

Até o dia 4 de outubro de 2026, a coluna vai resgatar conteúdos marcantes publicados nas edições impressas ao longo de mais de três décadas de circulação. A cada semana, serão relembradas reportagens históricas, fatos relevantes e personagens que ajudaram a construir a identidade do jornal e da comunidade que ele retrata.

Mais do que uma retrospectiva, Passado no Presente é um convite à reflexão sobre os caminhos percorridos, os acontecimentos que moldaram o cotidiano regional e os nomes que deixaram sua marca nas páginas de O Presente.

Quer conferir mais destaques da coluna? Acesse aqui.

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