Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) sobre educação, divulgados pelo Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 40,2% dos jovens entre 15 e 29 anos que abandonaram os estudos indicaram como principal motivação a necessidade de trabalhar.
Em seguida, outros 24,7% apontaram como motivo para a evasão escolar a falta de interesse nos estudos.
O motoboy Edenilton Rodrigues é um desses casos. Aos 28 anos ele retomou os estudos que havia abandonado aos 18 para trabalhar e ganhar o próprio dinheiro.
“Eu vejo que foi um tempo perdido, eu poderia estar melhor estruturado em relação ao meu ensino e hoje estou recuperando o tempo que foi [perdido] lá atrás”, reflete.
De acordo com Sandra Terezinha da Silva, do Comitê Campanha Nacional pelo Direito à Educação, um dos principais impactos para esta estatística é a queda da renda. Nesses casos, a educação fica em segundo plano.
“Essa necessidade de sobreviver, sustentar um filho, ajudar no aluguel da casa, luz, etc… Isso é mais importante do que continuar a estudar, e as pessoas deixam de estudar. É uma questão estrutural”, afirma.
Evasão escolar
Nacionalmente, a pesquisa levou em consideração a população de 49 milhões de pessoas dentro da faixa etária analisada.
Os dados indicam também que no Brasil, em 2022, 39,1% delas trabalhavam, mas não estudavam. Em comparação com 2019, o número indica uma alta de 1,8%.
A nível estadual, o Paraná, em 2022, tinha 44% dos jovens trabalhando, mas sem estudar, cerca de 1,7% a mais do que em 2019.
Possíveis soluções
Como forma de contornar o problema, a Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná (Seed-PR) afirmou que está investindo na estrutura das escolas, na formação dos professores e em tecnologia.
Entre as estratégias está o oferecimento do modalidade de Ensino a Distância (Ead) para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), previsto para o segundo semestre deste ano.
“É um modelo 20% presencial e 80% a distância, que é para que o estudante possa conciliar sua vida profissional também com a sua vida acadêmica”, explica o diretor da Seed, Anderfábio Oliveira dos Santos.
A especialista Sandra Terezinha da Silva pontua ainda que para melhorar o índice é necessário a melhora da economia com geração de mais empregos.
Com G1