Pelo menos 654 mil pessoas não retornaram aos postos de saúde para receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19, no Paraná, de acordo com levantamento feito pelo Ministério da Saúde a pedido do g1.
Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), 6,8 milhões de pessoas concluíram o esquema vacinal.
Atualmente, o Paraná está vacinando adolescentes e aplicando a dose de reforço para idosos, pessoas imunossuprimidas e profissionais da saúde. Algumas cidades também reduziram o intervalo de aplicação da segunda dose para os imunizantes da Pfizer e AstraZeneca.
Especialistas argumentam que a aplicação da segunda dose é essencial para que as pessoas tenham um nível de proteção maior contra o coronavírus.
Além disso, profissionais da área afirmam que o avanço da vacinação é o principal responsável pela redução no número de casos, mortes e hospitalizações provocadas pela doença.
O marido da estilista Tiarla Luz, Juliano Amiltton, estava ansioso para receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19. A aplicação deveria acontecer em novembro, mas não deu tempo.
Juliano foi diagnosticado com a doença no fim de setembro. Tiarla conta que o estado de saúde do marido se agravou rapidamente e, logo, ele precisou ser internado. No dia 14 de outubro, Juliano não resistiu e morreu.
“Ele ficou entre 12 e 13 dias entubado. Todo dia a gente recebia um áudio da equipe médica, e no dia 13 de outubro eles me mandaram dizendo que a qualquer momento ele poderia morrer. No amanhecer do dia 14, a saturação dele foi diminuindo e deu uma parada cardíaca”, disse.
Tiarla lamenta que o marido não conseguiu concluir o esquema vacinal. Para ela, se Juliano tivesse conseguido tomar a segunda dose ele estaria vivo.
“Ele até falou para mim: ‘Nossa que pena que eu não consegui tomar a segunda dose antes. Eu poderia estar melhor'”, lembrou.
Tiarla e Juliano estavam juntos havia cinco anos. Ele tinha 32 anos, trabalhava como gerente comercial em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Estado, e deixou dois filhos.
Números
Apenas em Curitiba, até 11 de novembro, 78.248 pessoas não compareceram para receber a segunda dose, o que representa uma taxa de 5,9% do total de imunizados com a primeira dose.
A prefeitura informou que desde o começo da campanha de vacinação até 26 de outubro, 85% das mortes por Covid-19 aconteceram entre pessoas que não concluíram o esquema vacinal.
O município informou ainda que 91% das hospitalizações também aconteceram entre pacientes que não estavam imunizados.
A vacina contra a Covid-19 é segura?
O médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda explica que as vacinas disponíveis são seguras e foram aprovadas por todas as principais agências regulatórias do mundo com estudos consistentes.
“Os dados que vemos no estado do Paraná e em todo o Brasil, em termos de redução de hospitalização e óbito, se deve exclusivamente às vacinas e à adesão da população para receber sua dose. É importante que essa adesão continue elevada, a população retorne para tomar essa segunda dose, os eventos adversos são mínimos e a vacina é muito segura”, afirmou.
Sobre as reações da vacina, Croda explica que, geralmente, os sintomas são menores do que os sentidos por quem recebeu a primeira dose. O médico disse ainda que as reações duram, no máximo, até 72 horas.
Além disso, o infectologista afirma que é essencial a conclusão do esquema vacinal para a própria proteção e cuidado com toda a sociedade.
“Nesse momento de nova variante, variante Delta, variante Gama, a gente só está protegido quando têm o esquema vacinal completo, ou seja, as duas doses. A proteção só é máxima após catorze dias de esquema vacinal completo, então é importante que a população retorne para completar o seu esquema vacinal para garantir máxima proteção, principalmente contra a hospitalização e óbito.”
Mortes por Covid-19
Desde o começo da pandemia, o Paraná registra 1.563.495 casos confirmados e 40.484 mortes provocadas pela Covid-19, segundo boletim da Sesa.
Outubro foi o mês com o menor número de mortes por Covid-19, em 2021, com 1.421 óbitos. O número é 30% menor do que o registrado em janeiro, quando a vacinação começou.
Além disso, outubro foi o terceiro mês seguido com queda no número de mortes. Na comparação com abril, quando houve o pico de óbitos, a redução é de 74%.
Confira abaixo a evolução do número de mortes por Covid-19, por mês.

(Foto: Reprodução G1)
Com G1