Atenção, produtor rural! Está na hora de realizar o controle de uma praga conhecida na zona urbana e rural: a formiga cortadeira. A reprodução, ou revoada, ocorre entre os meses de setembro e outubro, quando deve ser iniciado o manejo correto, estendido até abril ou maio.
Muitas vezes, o produtor rural nem vê o estrago em andamento. Em frutíferas, a desfolha causa diversos problemas. Já nas hortaliças, a formiga causa uma perda muito grande, principalmente na fase de plantio. No entanto, o principal alvo são as pastagens, onde o dano pode chegar a duas cabeças de animal por hectare.
Um dos fatores que contribui com o prejuízo gerado pela presença de formigas cortadeiras diz respeito ao horário em que elas costumam “trabalhar”, que é no período da noite. A reprodução ocorre entre os meses de setembro e outubro, quando deve ser iniciado o manejo correto, estendido até abril ou maio. “Nesse período a vistoria tem que ser feita de forma rotineira. Aplicou a isca, já vai lá ver se ela levou embora. Se não levou, aplica em outro lugar”, afirma o coordenador regional de projetos do IDR-Paraná de Cascavel (antiga Emater), Élcio Pavan, que alerta sobre cuidados simples e, segundo ele, extremamente importantes, como não abrir o pacote da isca e nem colocar em cima dos carreiros ou olheiros. “Também é preciso estar atento à umidade do solo, pois as formigas cortadeiras não levam iscas úmidas ao formigueiro”, expõe.
MÉTODOS
Os métodos de controle podem ser químicos, físicos ou alternativos. O mecânico consiste no uso de cones presos ao tronco das árvores para impedir o acesso das formigas, captura da rainha em formigueiros jovens, uso de água quente, entre outros. No biológico ocorre o estímulo por inimigos naturais, como pássaros, fungos e outros. Já o químico, que é o mais eficiente, pode ser feito por polvilhamento, termonebulização e uso de iscas.
De acordo com Élcio Pavan, o método mais eficiente é o uso da isca formicida, que faz com que as formigas levem o produto até o interior do formigueiro, causando um desequilíbrio e matando a rainha de fome. Outro controle bastante utilizado, aponta, é uma garrafa pet recortada, colocada no tronco da árvore como uma barreira que impede a subida da formiga.
No entanto, é preciso ser feita uma análise da situação da propriedade. “O produtor fazendo o controle agora interfere nessa revoada e evita a multiplicação, ou seja, novos ninhos. Na espécie saúva, o produtor precisa fazer uma avaliação do tamanho do formigueiro. Uma dica é pegar os dois formigueiros mais distantes um do outro, no sentido Norte-Sul e Leste-Oeste. Ele faz a conta e assim vai ter a área de abrangência do formigueiro. A dose de isca varia de seis a dez gramas por metro quadrado. Se fizer esse controle com a quantidade errada, ele se torna ineficaz”, ressalta.
Se houver alguma dúvida, o produtor rural pode procurar os técnicos, sua assistência técnica ou o próprio Sindicato Rural.
Os outros dois métodos químicos são a isca em pó e a termonebulização. O primeiro possui baixa eficiência, só funciona em formigueiros novos. O segundo, por sua vez, tem o uso proibido no Estado do Paraná.
Após 36 meses é que o formigueiro está no auge. Nesse momento o controle é muito difícil, por isso se preconiza os cuidados no período da revoada – entre setembro e outubro -, quando a formiga está desprotegida. Todos os métodos de controle visam matar a rainha. Essa é a única forma de acabar com um formigueiro.
Segundo o presidente do Conselho do Desenvolvimento Rural de Cascavel e diretor-secretário do Sindicato Rural de Cascavel, Paulo Vallini, a hora de agir é agora. “A formiga cortadeira é uma praga silenciosa. O produtor rural, e as pessoas que moram na cidade, devem começar o controle agora. Depois da revoada fica muito difícil reverter o prejuízo. Esse trabalho precisa ser conjunto, porque não adianta eu fazer o controle e meu vizinho não”, orienta.
Com assessoria