Conforme a agência de preços Argus, o valor do MAP, fosfatado muito utilizado no Brasil, teve aumento de 35% entre fevereiro e março de 2022. A ureia, por sua vez, ficou 39% mais cara em comparação com o segundo semestre de 2021.
“Dá uma incerteza muito grande porque uns dizem que vai ter o produto, outros dizem que não, que vai ter falta, daí a gente fica nessa situação”, disse o produtor Francisco Augusto Valaski.
Com o aumento dos preços, produtores estão adiando a compra de fertilizantes, na expectativa de um valor menor futuramente.
Essa estratégia é considerada arriscada porque, com uma demanda maior nos próximos meses, as empresas podem ter dificuldades na entrega, segundo o Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (SindiAdubos).
“Nós vamos ter, certamente, dificuldade de entrega. Pode ser que alguns agricultores tenham demora no plantio pelo atraso na entrega de fertilizante”, analisou o presidente do SindiAbubos-PR, Aluísio Schwartz Teixeira.
Filas nos portos
A estratégia de adiar as compras de fertilizantes no segundo semestre causa consequências para o Porto de Paranaguá, no litoral do estado.
Como os fertilizantes, que deveriam ir para os produtores, estão ficando nos terminais do porto, os espaços de armazenamento do produto estão lotados.
Isso causa um efeito em cadeia, fazendo com que os navios precisem aguardar o escoamento do produto para poder descarregar mais.
Conforme o sindicato, não deve haver falta de fertilizantes, entretanto, é importante garantir a compra do produto para evitar problemas no plantio.
“A melhor situação, hoje, que poderia acontecer é que, aqueles que não compraram, comprem rapidamente e comecem a retirar o produto, porque essa vai ser uma garantia de ter o fertilizante no momento certo e na hora certa”, disse Aluísio.