A Rede

Membros da APP-Sindicato colocaram um cadeado no portão da entrada principal do Colégio Regente Feijó, em Ponta Grossa, como forma de obstruir a entrada de professores, alunos e funcionários. O episódio ocorrido na manhã de hoje (27), em Ponta Grossa, dimensiona a grave crise na rede estadual de ensino, que está em greve há um mês. O Corpo de Bombeiros foi chamado ao local para arrebentar o cadeado.
Apesar da pressão dos grevistas, que foram ao local com caminhão de som, as atividades em um dos maiores colégios de Ponta Grossa, teve prosseguimento. Além do cadeado, as fechaduras das portas externas amanheceram com uma massa, para que as chaves não encaixassem. Mesmo com a confusão, as atividades em sala de aula retornaram nesta quarta-feira. As classes não estavam completas, mas a maioria dos alunos estavam presentes e os professores deram aulas normalmente.
Preocupação de diretor é com proximidade do Vestibular
O Colégio Regente Feijó conta com 160 professores e possui 2300 alunos matriculados. O diretor Clayton Antonio Bentivenha ressalta a preocupação com os alunos devido à proximidade do Vestibular de Inverno da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que acontece nos dias 12 e 13 de julho. A razão de o colégio existir é o aluno. Com as proximidades de vestibular, lançamento de datas do Enem e das Olimpíadas de Matemática, surge uma preocupação quanto ao desempenho dos nossos estudantes nestas provas, explica Clayton Bentivenha.
O Secretário Educacional da APP Sindicato de Ponta Grossa, professor Tércio Alves do Nascimento, contesta os pontos apresentados pelo diretor do Regente. Ele deixou claro que os alunos que não forem para a aula levarão faltas, mas quando existe greve da categoria os alunos que não forem para as aulas não podem ser prejudicados, explica o professor. Outro ponto apresentado pelo professor Térsio é o fato da escola convocar o coletivo de alunos para trabalhar e não fornecer as condições necessárias para isso. A direção do colégio vai se responsabilizar caso aconteça algo com as crianças que vão para a escolar ver uma ou duas aulas?, contesta o professor Térsio.
Na terça-feira, ocorreu uma reunião com deputados federais com o secretário da Casa Civil, Eduardo Sciarra, sobre a paralisação. Nesse encontro, os parlamentares também cobraram a negociação e não punição dos servidores. Continuamos reivindicando 8,17% em uma única parcela. Qualquer outra alternativa, passará por avaliação coletiva. Assim, continuamos firmes e fortes na greve!, afirmou o presidente da APP, professor Hermes Silva Leão.
A secretária de Estado da Educação, professora Ana Seres, disse que o governo está processando o desconto em salário dos dias parados durante a greve dos professores. A secretária lamentou, ainda, as mobilizações do sindicato que representa a categoria em frente aos Núcleos Regionais de Educação (NREs), impedindo a entrada de funcionários e o andamento dos trabalhos, nesta manhã. São os núcleos que repassam à secretaria os relatórios de faltas dos professores.
Considerando a decisão judicial que declarou a greve abusiva, o lançamento das faltas relativas ao mês de abril está sendo realizado desde a semana passada, para desconto no mês de junho. A secretária explicou que, se houver retorno às salas de aula, há a possibilidade de não lançamento de faltas. Portanto, havendo reposição, serão cancelados os descontos.
As faltas injustificadas geram diversos prejuízos à carreira dos professores, não apenas demissão. Com apenas uma falta, por exemplo, já há prejuízo na progressão na carreira. Com qualquer número de ausências em sala de aula fica comprometida a classificação em concurso para remoção (mudança de escola) e a partir da quinta falta o profissional pode perder o direito à licença especial (a cada cinco anos).