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Citado em delação, Guto Silva nega dinheiro para campanha: “Nunca recebi nada do DER”

calendar_month 16 de fevereiro de 2019
4 min de leitura

O chefe da Casa Civil do Paraná, Guto Silva, negou ter recebido R$ 100 mil para a campanha eleitoral de 2014, quando foi eleito deputado estadual. Ele concedeu entrevista à RPC Guarapuava, na região central do Estado, na tarde de ontem (15).

O ex-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), Nelson Leal Júnior, afirmou em delação premiada que o chefe da Casa Civil recebeu o dinheiro em espécie na sala dele no órgão.

A delação faz parte da Operação Integração, um desdobramento da Lava Jato, que investiga irregularidades nos contratos de pedágio do Paraná.

“Nunca recebi nada do DER, nunca recebi nada ou recurso nenhum de repartição pública. Por isso é muito surpreendente, fiquei surpreso por essas afirmações”, disse Silva.

O chefe da Casa Civil contou também que tinha relação de trabalho com Nelson Leal por comandar o DER à época. “Ia muitas vezes [ao DER]. De fato, é uma pasta muito importante, assim como ia na Secretaria de Saúde, de Educação. Esse era o dia a dia dentro do governo”, afirmou.

Silva também disse que está à disposição da Justiça e do Ministério Público Federal (MPF) para qualquer tipo de esclarecimento e que vai provar a inocência. “Estou muito chateado com a situação e esperando que tudo possa ser esclarecido”, explicou.

O chefe da Casa Civil contou que soube da informação por meio da imprensa. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou ontem trechos do depoimento do ex-diretor do DER, que é delator.

A RPC também teve acesso ao documento, que está anexado a um dos processos da Operação Integração. É um depoimento complementar, prestado ao MPF em 14 de janeiro.

Nelson Leal disse em depoimento que durante a campanha de 2014, o então presidente da Econorte, Hélio Ogama, recebeu solicitação Pepe Richa, irmão de Beto Richa – e à época secretário de Infraestrutura -, para que fornecesse R$ 100 mil para a campanha de Guto Silva.

Conforme o depoimento, em agosto de 2014, Ogama procurou o então diretor do DER em sua sala e entregou a quantia.

Leal afirmou que o chefe da Casa Civil foi até o local no mesmo dia e recebeu o dinheiro solicitado por Pepe Richa à Econorte. Silva nega ter contato com a Econorte e outras empresas de pedágio.

Em depoimento à Justiça Federal, no mês passado, Hélio Ogama – que também é delator – confirmou ter repassado esse valor a um político, mas sem citar o nome de Guto Silva.

O chefe da Casa Civil foi candidato a deputado estadual pelo PSC em 2014 e se elegeu. Na prestação de contas da campanha não aparecem doações da Econorte.

Em 2018, Silva foi reeleito deputado estadual, dessa vez pelo PSD, mas deixou o cargo para assumir a Casa Civil do governo Ratinho Junior (PSD). Ele é responsável pela articulação política entre o governo e os deputados.

 

O que dizem os citados
A defesa de Hélio Ogama informou que já tratou do assunto quando assinou o acordo de delação e também em depoimento na primeira fase da Operação Integração.

Nelson Leal Junior disse que vai continuar colaborando com a Justiça, esclarecendo os fatos que são objeto das investigações e processos judiciais.

A Triunfo Econorte informou que não comenta investigação envolvendo executivos e ex-executivos.

A defesa de Pepe Richa disse que os fatos são inverídicos e que continua à disposição da Justiça.

O atual presidente do PSC, o deputado Takayama, afirmou que não tem conhecimento do caso e, por isso, não pode opinar.

 

O que disse o governador

Em nota, o governador Ratinho Junior disse que pediu esclarecimentos ao chefe da Casa Civil e que Guto Silva respondeu ter plenas condições de provar judicialmente que as acusações são mentirosas.

Ratinho afirmou também que não fará nenhum pré-julgamento e que não existe fato jurídico, nem processo contra Guto Silva.

O governador disse ainda que mantém a determinação de rigor na gestão pública, transparência dos atos e que o chefe da Casa Civil deve prestar os esclarecimentos de forma pública com rapidez.

 

RPC/G1

 
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