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Com fim do El Niño, começo do inverno deve ser marcado por pouca chuva e sem frio intenso no Paraná

Inverno começa nesta quinta-feira (20); veja tendências da nova estação


calendar_month 19 de junho de 2024
4 min de leitura

O inverno inicia nesta quinta-feira (20) e deve ter o começo marcado por tempo seco, com poucas chuvas, no Paraná. A estimativa é de Gilson Campos Ferreira da Cruz, Doutor em Geografia que trabalha com climatologia.

Quanto às temperaturas, o climatologista explica que o país está sob um bloqueio atmosférico, que impede a entrada de massas de ar frio e a formação de frentes frias. Por isso, não são esperadas grandes quedas de temperatura no Paraná neste início de estação.

“Se nós tivermos esse ‘efeito tampão’ desse bloqueio atmosférico avançando para o inverno, a tendência é de que demore mais para entrar as massas de ar frias. Então, nesse começo de inverno as coisas não vão mudar muito” explica.

Frio tardio

Em 2024, o inverno começa às 17h51 desta quinta-feira (20) e termina em 22 de setembro.

Como a expectativa é de que a La Niña chegue ao Paraná apenas entre agosto e setembro, o estado pode experienciar um frio tardio, explica o climatologista.

“Pode ser que nós tenhamos lá em agosto e setembro, já no final do inverno, o que se chama de frio tardio: com as massas de ar frio conseguindo chegar no Paraná, podemos ter ondas de frio nesses dois meses. Isso não é comum, mas acontece, a gente já vivenciou no passado” aponta Gilson.

Sai El Niño e chega La Ninã

O período é de incertezas tanto devido ao bloqueio atmosférico, quanto ao vácuo entre a recente saída do El Niño e a chegada do fenômeno La Niña.

Enquanto o El Niño provoca elevação das temperaturas e reforça fenômenos de chuvas no Sul, como as vistas no Rio Grande do Sul, a La Niña tem efeito inverso, provocando tempo mais seco e dando condições mais favoráveis para a entrada de massas de ar frio e maiores variações térmicas. Saiba mais abaixo.

“Vivendo esse período neutro, o inverno vai se manter muito próximo do que são os nossos invernos ‘normais’, com a precipitação um pouco abaixo do normal. Nós teremos temperaturas baixas, com as entradas de massa de ar frio, mas nos períodos em que estivermos com períodos longos sem chuvas a tendência é a temperatura ficar mais elevada, principalmente no sentido norte e noroeste do Estado” detalha Gilson da Cruz.

O especialista lembra que cada região do estado possui as suas próprias características, o que deve diferenciá-las, também, neste inverno. No norte e noroeste as temperaturas devem se manter mais altas e no centro-sul, mais baixas.

O que é El Niño

O climatologista explica que o El Niño é um fenômeno que provoca o aquecimento acima do normal das águas do oceano Pacífico. O contato entre o oceano, a superfície dos continentes e a atmosfera gera uma troca de energia, fazendo com o aquecimento do oceano se propague por todo o mundo.

O último El Niño iniciou em junho de 2023 e começou a enfraquecer em abril de 2024. Ele foi classificado como de intensidade moderada a forte e provocou:

elevação das temperaturas em todo o país;

aumento da frequência de ondas de calor;

seca no Norte e no Nordeste;

reforço de fenômenos de chuva, como os do Rio Grande do Sul.

O que é La Niña

A La Ninã tem os efeitos opostos do El Niño, conforme explica Gilson. Ela diminui a temperatura do Oceano Pacífico, resfriando também a atmosfera.

A última perdurou de julho de 2020 a fevereiro de 2023, e a próxima deve acontecer no segundo semestre de 2024.

Para o Brasil, os efeitos clássicos do La Niña são:

aumento de chuvas no Norte e no Nordeste;

tempo seco no Centro-Sul, com chuvas mais irregulares;

tendência de tempo mais seco no Sul;

condição mais favorável para a entrada de massas de ar frio no Brasil, gerando maior variação térmica.

Período de transição

Neste período de transição entre os dois fenômenos, a tendência é de que as mudanças em relação a temperaturas e quantidade de chuvas sejam graduais.

“Quando a gente tem o El Niño, e aí na sequência existe a possibilidade de termos uma La Niña, o El Niño vai se encerrando lentamente e vai ocorrendo essa mudança de temperatura também de uma forma relativamente lenta. Depende da semana” finaliza o climatologista Gilson Campos Ferreira da Cruz.

Com G1

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