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Dois de quatro indígenas baleados em conflito no Paraná continuam internados, um deles na UTI

Povo Avá-Guarani diz ter sido atacado em emboscada na sexta-feira (3). Criança ferida no conflito foi atendida e liberada. Polícia Federal investiga o caso


calendar_month 6 de janeiro de 2025
4 min de leitura

Dois dos quatro indígenas Avá-Guarani baleados em um ataque em uma área de disputa de terras no Paraná continuam internados, um deles em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), informou a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná nesta segunda-feira (06).

O homem internado na UTI tem 28 anos e o outro 25 anos, segundo a Sesa.

O caso foi registrado em Guaíra, fronteira do Brasil com o Paraguai, na noite de sexta-feira (03). A comunidade está localizada a cinco quilômetros do centro da cidade e da sede da Polícia Federal (PF), que investiga, em especial autoria do ataque.

O g1 acionou a Polícia Federal (PF) nesta segunda (06) questionando sobre possíveis novidades do caso, mas não obteve retorno até a presente publicação.

A RPC, afiliada da TV Globo ne Cascavel, apurou que uma criança de sete anos, um adolescente de 14 anos que também foram atingidos e levadas para o Hospital Bom Jesus de Toledo, foram liberados no sábado (4) e não correm risco de vida.

O ataque

Imagens divulgadas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) mostram indígenas cobertos de sangue após o ataque.

O órgão afirma que a comunidade foi atacada a tiros, de surpresa, por indivíduos que armaram uma emboscada. A suspeita é que o grupo indígena estava sendo monitorado em pelo menos três pontos da aldeia Yvy Okaju.

O conselho também disse que o grupo tem sido alvo de ataques desde 30 de dezembro de 2024, quando a região da aldeia foi atingida por rojões e também por um incêndio que pode ter origem criminosa.

Nos dois últimos dias do ano, dois membros da aldeia ficaram feridos, segundo o CIMI.

Segundo indígenas, casa na aldeia foi incendiada em ataque no dia 31 de dezembro — (Foto: Comissão Guarani Yvyrupa – CGY)

Em nota, a PF disse que forças de segurança federais, estaduais e municipais estiveram no local na noite de sexta para evitar novos episódios de violência e que realizou perícia no local na manhã de sábado (04).

Desde o início de 2024, a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) realiza o monitoramento da região de maneira mais constante. Contudo, segundo os indígenas, a Força não estava no local no momento do ataque.

Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que a Força Nacional foi informada do ataque por volta de 21 horas da sexta-feira e que mobilizou equipes para reforçar o patrulhamento na área.

“A situação permanece sob vigilância contínua pelas forças de segurança, com reforços programados para garantir a proteção da comunidade e mitigar novos riscos […] O ministério reafirma seu compromisso com a mediação pacífica e a prevenção de conflitos. As ações adotadas já restabeleceram a ordem, e medidas preventivas estão em curso para evitar a escalada de tensões”.

O Ministério dos Povos Indígenas afirmou que está em diálogo com o Ministério da Justiça para a investigação imediata dos grupos armados que atuam na região.

Foto: g1

Associações e comissões dos povos indígenas repudiam ataques

Em nota, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), a Articulação dos Povos Indígenas do Sul do Brasil (ARPINSul), a Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste (ARPINSudeste) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) demonstraram indignação e repúdio aos ataques.

“A Apib, a CGY, a Arpin Sul, a Articulação Arpin Sudeste e o Cimi vêm denunciando recorrentemente estes graves acontecimentos criminosos, mas a atuação do governo federal é absolutamente ineficiente, quando não inerte; de fato, o governo parece acovardado […].Basta de covardia”, afirmaram.

Vilma Vera, da Comissão da Mulher Indígena da aldeia Yvy Okaju, disse que o grupo tem pedido ajuda ao Governo Federal.

“É uma guerra, na verdade. Nós estamos sendo atacados todos os dias, todas as noites. Nós não temos armas para nos defender. A única coisa que nós temos é o nosso corpo.”

Conflitos no oeste do Paraná

O conflito por demarcação de terra na região oeste do Paraná é histórico.

Indígenas reivindicam novos lugares porque, durante a construção da Usina de Itaipu, que iniciou em 1975, muitas áreas rurais das duas cidades ficaram alagadas e as áreas ocupadas seriam de terras que não passaram por processo de demarcação.

Do outro lado, agricultores afirmam ter direito à área em disputa.

Com G1

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