
Com maquinário e equipe reduzida, trabalhos ontem (06) eram realizados nas proximidades da Cooperativa Primato
A Construtora Castilho Engenharia e Empreendimentos S/A estaria prestes a paralisar os trabalhos de execução da duplicação da BR-163 no trecho de aproximadamente 40 quilômetros que compreende os municípios de Toledo e Marechal Cândido Rondon. Isso porque o governo federal, por intermédio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), não estaria fazendo o pagamento de parcelas à empresa.
De acordo com informações extraoficiais, em torno de 80 profissionais já teriam sido dispensados pela Castilho desde o início deste ano, restando cerca de 20 funcionários à disposição da empresa. Uma fonte que prefere não ser revelada disse à reportagem de O Presente que o cenário pode ficar ainda mais complexo caso seja confirmada a demissão de outros trabalhadores, o que engrossaria a fila de desempregados neste período de economia turbulenta.
Se em meados de outubro do ano passado a afirmativa era de que a obra não corria riscos de atraso ou paralisação, agora a realidade é outra. A obra orçada em
R$ 306,5 milhões tende a ser interrompida a qualquer momento, justamente em um trecho de tráfego intenso de veículos, ônibus, caminhões e carretas que transportam a produção agrícola de Norte a Sul do país.
Muitas das máquinas utilizadas nos inúmeros trabalhos de execução da duplicação já foram recolhidas pela construtora, inclusive a base instalada em Vila Ipiranga já está praticamente vazia, uma vez que restam poucos funcionários e máquinas no local.
É um cenário bem diferente de tempos atrás, quando as equipes atuavam inclusive em fins de semana, com a intenção de acelerar o andamento dos trabalhos.
Na manhã de ontem (06), uma das equipes atuava nas imediações da Cooperativa Primato, em cujo local foram realizados serviços de terraplanagem e construção de valetas. Apesar do movimento dos trabalhadores, havia um caminhão com concreto, uma caçamba e uma retroescavadeira. Segundo comentários, a empresa estaria realmente tirando o time de campo, extraoficialmente com o objetivo de evitar o acúmulo de prejuízos.
Ao percorrer o local das obras, é possível observar que inúmeros trechos estão cobertos com camada asfáltica, enquanto metros à frente há lavouras cultivadas, o que leva a entender que alguns produtores rurais teriam ingressado na Justiça em busca de melhores indenizações.

Dentro do prazo
De acordo com dados repassados pelo setor de comunicação do Dnit em Curitiba, o projeto que visa à duplicação dos 38,9 quilômetros foi iniciado em 29 de setembro de 2014, sendo que a obra teve pontapé inicial dado em 15 de outubro de 2015. O término está previsto para outubro de 2018.
Os investimentos licitados à execução da obra são da ordem de R$ 306,5 milhões, dos quais R$ 42.912.051,96 haviam sido pagos até 31 de dezembro de 2016, segundo o Dnit. O saldo restante está avaliado em R$ 280.470.583,70.
Do cronograma total, estão sendo finalizados os primeiros dez quilômetros, contudo inúmeras áreas já compactadas ainda não receberam a camada asfáltica. O Dnit destaca que as obras estão com ritmo de trabalho adequado, conforme a programação da empresa contratada. Ao ser questionado sobre eventuais débitos à empresa vencedora da licitação, o Dnit enaltece estar trabalhando para a continuidade das obras conforme estipulado no contrato.
A reportagem procurou os responsáveis da empresa executora da obra, contudo eles preferiram não se manifestar.
