A escassez de chuvas prejudicou a produção de energia elétrica no Paraná, tem modificado paisagens e afetado florestas que protegem os rios do estado, segundo especialistas.
O gerente dos centros de operações da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Ricardo Rodrigues de Almeida, comenta que quase 90% da energia que abastece as cidades paranaenses é gerada em hidrelétricas.
Usinas que necessitam da água para manter o funcionamento e que, diante da pior seca das últimas nove décadas, correm risco de escassez.
De acordo com o meteorologista Marcelo Brauer Zaicovski, há três anos as chuvas no estado estão abaixo da média e, pela primeira vez em 100 anos, o Sistema Nacional de Meteorologia emitiu um alerta de emergência hídrica para o estado.
“Para recuperar todo o déficit hídrico que nós estamos observando nesse ano e no ano passado, não é uma estação só que vai resolver. É preciso haver uma primavera e um verão muito chuvosos e, infelizmente, não é a previsão que temos agora. O cenário mais otimista é de chuvas na média. Termina a escassez, mas não ajuda a recuperar de imediato”, disse.
Juntas, as seis usinas existentes no Paraná, no trajeto do Rio Iguaçu, injetam 4% da energia utilizada pelo sistema interligado nacional, que controla a distribuição de eletricidade para todo o Brasil.
“Existe um risco real de racionamento. Isso vai depender de como se configuram as chuvas previstas para os próximos meses”, comentou o professor Roberto Lotero, da Unioeste.
A estiagem muda cenários e obriga as hidrelétricas a economizarem água para garantir geração de energia num futuro próximo, de acordo com Rodrigo Pimenta, gerente de operação de sistemas de Itaipu.
“A estratégia que está sendo adotada é de economizar, neste momento, a energia dos reservatórios das usinas hidráulicas para utilizá-la no momento de maior demanda do sistema energético brasileiro que deve acontecer em outubro”, destacou.
Economizar, neste caso, significa fechar as comportas, para diminuir a passagem de água e garantir as condições mínimas para a produção.
Em dois anos, a geração de energia hidrelétrica caiu pela metade no Paraná, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico: foi de 4.165 mw em agosto de 2019, caindo para 2.049 em julho de 2021.
O objetivo do fechamento das comportas é procurar regularizar as vazões, quando há períodos de abundância, reservar a água, para exatamente, nos períodos de maior escassez, suprir o fornecimento necessário de água, tanto para a geração de energia, quanto para o abastecimento de água para as populações ribeirinhas.
Os especialistas destacam que a preservação ambiental também é fundamental para garantir o funcionamento do sistema: ter menos florestas para proteger os rios, significa menos água para abastecer também as hidrelétricas e menos matéria prima para gerar a energia que ilumina pequenos vilarejos e grandes metrópoles.
Com G1