
No estudo técnico realizado pelo TCE-PR, os municípios da microrregião Oeste apontados como inviáveis por não terem condições econômicas próprias de se sustentar foram Entre Rios do Oeste, Quatro Pontes e Pato Bragado, todos emancipados de Marechal Cândido Rondon.
Contudo, pelo último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter sido realizado em 2010 e ter servido de base para o estudo, as três cidades apresentam aumento da população.
Pato Bragado, por exemplo, estaria fora da lista, pois passou dos 4.822 habitantes para 5.369 estimados em 2016 pelo órgão. Entre Rios do Oeste e Quatro Pontes, entretanto, ainda não alcançaram a marca dos cinco mil. A estimativa do IBGE é de que o município quatro-pontense tenha hoje 4.014 pessoas, 211 a mais do que em 2010, e Entre Rios passou de 3.926 para 4.357 habitantes. Entre Rios do Oeste tem mais de cinco mil habitantes, mas os números do IBGE não mostram isso. Nós, gestores, que estamos entrando agora no segundo mandato, conhecemos o município de Norte a Sul e de Leste a Oeste e o número de casas do município, na sede e no interior, mostra que o censo é furado. Por mais que contestem a minha afirmação, eu digo isso com segurança, afirma o prefeito de Entre Rios, Jones Heiden.
Para o dirigente municipal, não somente na cidade, como em outras do Oeste, os prefeitos tiveram muita responsabilidade para tomar decisões que impactam na vida da população, por isso, conseguem manter índices que surpreendem. Nós conseguimos cuidar muito bem da saúde, o feijão com arroz nós estamos fazendo, ou seja, apesar de realizarmos apenas a assistência básica, conseguimos atender a todos com qualidade, destaca. Na educação, temos o Ideb das escolas municipais com a média melhor que a brasileira e a infraestrutura tanto na cidade quanto no interior, apesar de eu ser suspeito em dizer, é uma das melhores da região, complementa.
Mesmo afirmando que reconhece a existência de municípios que não possuem os mesmos resultados positivos no Brasil e no Paraná, para Heiden a solução não está na fusão das cidades de pequeno porte. Deveria ser estudada a particularidade de cada um desses municípios, verificar se é problema de gestão ou mau uso do dinheiro e a partir daí encontrar soluções para cada um deles, pontua.
A opinião é compartilhada pelo vice-prefeito de Quatro Pontes, Tiago Hansel. Segundo ele, a hipótese de fusão dos municípios considerados inviáveis pelos TCE-PR deveria ser descartada, pois para o município a realidade é outra. Temos uma arrecadação muito boa pelo braço forte do agronegócio. Ao meu ver o problema seria maior se a fusão acontecesse, pois cinco mil pessoas passariam a fazer parte de outro município. Além das questões econômicas, haveria um choque cultural e de tradições que também está envolvido nisso, aponta.
De acordo com Hansel, os pequenos municípios da região Oeste são muito mais autossustentáveis do que cidades maiores, especialmente pela agricultura, tendo total condições de se manter economicamente ativos. Para cidades com outra realidade, talvez essa seja uma opção, mas para Quatro Pontes isso está descartado porque temos setores como a indústria e a agricultura que sustentam o município, finaliza.