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Humilde, perseverante e com meio século de dedicação à vida religiosa: quem era freira de 82 anos morta em convento no Paraná

Irmã Nadia Gavanski foi encontrada morta no pátio do convento, com sinais de agressão. Suspeito foi indiciado por homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada


calendar_month 2 de março de 2026
5 min de leitura

A freira Deonisia Diadio, colega de congregação da freira Nadia Gavanski, descreve a amiga como dedicada, focada na fé e profundamente piedosa. Gavanski, de 82 anos, foi encontrada morta no dia 21 no convento Irmãs Servas de Maria Imaculada, em Ivaí, nos Campos Gerais do Paraná, após a invasão de um homem ao local.

Segundo a polícia, a religiosa flagrou o suspeito durante a invasão e foi atacada.

Deonisia afirma que espera que a morte da colega sirva de alerta para a proteção das mulheres. “Ela não merecia tamanha violência. Contudo, na fé, acreditamos que sua vida se tornou um sinal: uma entrega silenciosa que fala por tantas mulheres que sofrem agressão. Que seu testemunho nos desperte para a defesa da vida, da dignidade e do amor”, disse.

Em entrevista ao g1, Diadio contou que a irmã Nadia ingressou na congregação em 1971, quando tinha 27 anos. Ela se dedicou à vida religiosa por 55 anos.

“Irmã Nadia entrou para a vida religiosa já com mais idade e, por isso, enfrentava dificuldades para acompanhar e compreender alguns conteúdos da formação. No entanto, sua perseverança comovia profundamente. Com humildade e confiança, dizia com simplicidade: ‘Por favor, mestra, não me mande embora, que eu ainda vou aprender. Nossa Senhora vai me ajudar’. Essa frase revela bem sua alma: humilde, confiante e profundamente mariana”, conta.

Diadio conta que Nadia sofreu um AVC, que afetou a fala, passando, depois disso, a falar pouco e com um tom de voz baixo. No entanto, por meio do olhar e das atitudes, continuava acolhendo as colegas.

“Um coração que não precisava de muitas palavras. Seu jeito sereno tocava quem se aproximava através de gestos simples e de um sorriso acolhedor. Cuidava com amor das plantinhas, da horta e das pequenas coisas do dia a dia, revelando um coração atento e fiel”, detalha.

A colega descreve ainda que a oração ocupava um espaço central na vida da irmã Nadia, que era, muitas vezes, a primeira a chegar à capela. Além disso, destaca a coerência e disponibilidade da irmã, que era atenta às necessidades da comunidade e estava sempre disposta a ajudar.

Diariamente, após o almoço, irmã Nadia tinha o hábito de ir alimentar as galinhas do convento.

“Sua missão sempre se concretizou no serviço silencioso e humilde: o preparo das refeições, o cuidado com a horta, com as galinhas e com a rotina diária da casa. Tudo era feito com amor e fidelidade, transformando o ordinário em oblação agradável a Deus”, descreve.

A cerimônia de despedida em homenagem à irmã Nadia Gavanski aconteceu no domingo (22), em Prudentópolis. “Hoje choramos seu silêncio, mas cremos que Deus acolhe na eternidade esta religiosa que viveu com bondade e entrega. O céu recebe uma alma que soube amar no silêncio”, conclui a amiga Deonisia Diadio.

Homem invadiu o convento

O crime aconteceu perto das 13h30, depois que o homem pulou o muro do convento. Segundo o delegado Lucas Andraus, o suspeito foi flagrado pela freira, que questionou a presença dele no local. O homem então disse à irmã Nadia Gavanski que estava ali para trabalhar.

Percebendo que a freira não acreditou em sua explicação, o homem a empurrou. De acordo com a Polícia Civil, o preso relatou que asfixiou a vítima, já caída no chão, quando ela começou a gritar.

Em interrogatório, o investigado relatou ter passado a madrugada consumindo drogas e bebidas alcoólicas. Disse ainda que ouviu vozes que o ordenavam a matar alguém e que pulou o muro do convento já com a intenção de tirar a vida de uma pessoa, conforme a polícia. Ele negou a intenção de furtar bens no local.

De acordo com a polícia, o laudo pericial apontou que, além da morte por asfixia, houve violência sexual, evidenciada pela gravidade das lesões constatadas.

O homem foi indiciado pela prática dos crimes de homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada. O nome dele não foi divulgado pelas autoridades.

De acordo com a investigação, o indiciado foi preso por furto qualificado no dia 28 de dezembro de 2025 e, dois dias depois, colocado em liberdade provisória.

Conforme o delegado Hugo Fonseca, ele tem passagens pela polícia desde 2024 por crimes como roubo, furto e violência doméstica.

Testemunha filmou o suspeito

Uma fotógrafa que registrava um evento no convento foi abordada pelo suspeito logo após a morte da freira. Ela contou à polícia que ele apresentava nervosismo, estava com as roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço. Ele disse a ela que estava trabalhando no local e que encontrou a freira caída.

Desconfiada da versão apresentada por ele, a mulher filmou discretamente a interação e pediu ajuda de outras pessoas que estavam no local para acionar a ambulância e a Polícia Militar. Assista ao vídeo gravado pela testemunha:

Nesse intervalo, o suspeito fugiu do local.

“Eu sabia que ele não trabalhava ali porque eu tiro fotos nesse local há 9 anos e eu nunca o vi ali”, contou a mulher à RPC.

O suspeito fugiu antes da chegada das autoridades, mas foi identificado depois, com base nas filmagens feitas pela testemunha.

A ação da fotógrafa foi fundamental para a identificação do homem, conforme o delegado Hugo Fonseca, responsável pelas investigações.

“A contribuição dela foi importantíssima, justamente para, de pronto, já identificarmos o suspeito. Muitas vezes, nos crimes de homicídio, nós encontramos o corpo, conseguimos identificar o que causou a morte daquela pessoa, só que, muitas vezes, em um primeiro momento, nós não temos elementos de informação capazes de identificar a autoria. Essa testemunha estando lá, conseguiu identificar o autor”, detalhou.

Com g1

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