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Iapar divulga nova técnica para combater doença do maracujá

Essa produção é destinada ao consumo in natura, fabricação de polpa e suco, culinária e, ainda, para a indústria farmacêutica e de cosméticos (Foto: Jonas Oliveira/ANPr)

O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) lançou boletim técnico que detalha nova técnica para o cultivo de maracujá-amarelo, desenvolvida com o objetivo de viabilizar a produção em áreas onde ocorre a doença chamada de “endurecimento dos frutos”.

A doença, causada pelo vírus Cowpea aphid-borne mosaic virus, foi detectada pela primeira vez em território paranaense no município de Godoy Moreira, em 2014, e já está presente nos principais polos de produção do Paraná, com alto potencial destrutivo. “A disseminação é muito rápida, em quatro meses pode infectar todas as plantas de uma lavoura”, disse o pesquisador Pedro Antonio Martins Auler, coordenador de pesquisas em fruticultura do Iapar.

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Os últimos dados consolidados, de 2017, apontam no Paraná uma área pouco superior a 1,1 mil hectares cultivados com maracujá-amarelo, com uma produção de 20,4 mil toneladas. “É uma importante opção de renda na agricultura, especialmente para o segmento da agricultura familiar”, afirma Auler.

Essa produção é destinada ao consumo in natura, fabricação de polpa e suco, culinária e, ainda, para a indústria farmacêutica e de cosméticos.

 

Um ciclo

A nova proposta tecnológica, chamada pelos especialistas de “modelo de um ciclo”, preconiza o plantio das mudas após o risco de geadas, entre a segunda quinzena de agosto e a primeira de setembro. O período de colheita ocorre entre os meses de janeiro a julho.

Após a colheita, todas as plantas são eliminadas para um período de vazio sanitário, no mês de agosto. O objetivo dessa estratégia é reduzir a incidência do vírus nos primeiros meses após a implantação do pomar.

Apenas para comparação, no sistema de produção atualmente utilizado são obtidas duas safras a partir de um só plantio. O pomar é implantado em setembro e os frutos são colhidos entre os meses de março a julho, a chamada “safrinha”. A segunda e maior colheita ocorre entre dezembro e o mês de julho do ano seguinte.

A chave do novo modelo é a utilização de mudas maiores, com cerca de dois metros, que são produzidas de março a agosto em ambiente protegido (telado) para evitar a presença dos pulgões – vetores que transmitem a doença – e a consequente contaminação pelo vírus.

A utilização de mudas maiores possibilita iniciar a colheita em janeiro, e é um aspecto fundamental para a viabilidade econômica deste sistema de produção.

Igualmente importante é a implantação do vazio sanitário, com a eliminação de todas as plantas ao término do ciclo da cultura, entre julho e agosto, prática que deve ser adotada por todos os produtores de uma determinada região para garantir a eficácia do novo modelo.

 

Pesquisa

O “modelo de um ciclo” foi desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e instituições de pesquisa parceiras do Estado de São Paulo, onde a doença está presente há mais tempo.

O Iapar validou a aplicação do sistema no Paraná com o apoio da Emater e da Cooperativa Agroindustrial de Produtores de Corumbataí do Sul (Coaprocor). Os ensaios foram conduzidos nos municípios de Cerro Azul, Godoy Moreira, Japurá, Londrina, Morretes, Paranavaí e Umuarama.

 

Aquisição

Autoria dos pesquisadores Neusa Maria Colauto Stenzel, Pedro Antonio Martins Auler, Rúbia de Oliveira Molina e Dimas Soares Jr., o boletim “Cultivo do maracujá-amarelo em áreas com ocorrência do vírus do endurecimento dos frutos (CABMV)” pode ser baixado gratuitamente em www.iapar.br. Quem prefere a versão impressa pode obtê-la nos polos de pesquisa do Iapar ou solicitar pelo e-mail comercial@iapar.br – neste caso o interessado deve pagar o custo de envio pelo correio.

 

Com AEN-PR 

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