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Indústria do Paraná está menos otimista para 2026, aponta pesquisa da Fiep

Sondagem Industrial 2025/2026 revela que panorama político e econômico do país interfere diretamente no nível de expectativas do setor


calendar_month 2 de fevereiro de 2026
6 min de leitura

Preocupados com as influências da política e da economia nacional, os empresários industriais paranaenses estão mais pessimistas para 2026. É o que revelam os resultados da 30ª edição da Sondagem Industrial, divulgados nesta segunda-feira (2) pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). A pesquisa, que mostra as expectativas do setor para o ano, aponta que somente 55% das indústrias estão otimistas em relação ao desempenho de seus negócios neste ano, uma queda de seis pontos percentuais em relação a 2025. Já em relação à economia brasileira, 46% dos entrevistados acreditam em retração. Os resultados completos da pesquisa estão disponíveis no site sondagemindustrial.org.br.

Na avaliação da Fiep, esse arrefecimento do otimismo reflete um cenário de instabilidade provocado, principalmente, pela condução da política econômica federal. “Questões macroeconômicas como o desequilíbrio fiscal, o recorrente aumento de tributos sobre o setor produtivo e a elevada taxa básica de juros cada vez mais sufocam as indústrias e minam a competitividade do setor”, afirma o presidente do Sistema Fiep, Edson Vasconcelos. “Tudo isso é fruto principalmente da falta de competência na condução da política econômica do país, com uma estratégia de sustentação do crescimento do PIB nacional por meio do gasto público descontrolado e pouco eficiente”, completa.

A Sondagem Industrial 2025/2026 foi realizada por meio de questionário eletrônico, obtendo 738 respostas válidas. Em termos estatísticos, esse resultado representa 99% de confiabilidade, com margem de erro de 4,7%. Participaram da pesquisa indústrias de todos os portes e de todas as regiões do estado, sendo que as micro e pequenas indústrias representaram 68% das respostas, enquanto as médias são 27% e as grandes 5%.

Fatores de influência

Além dos 46% dos empresários que esperam retração na economia brasileira em 2026 – crescimento de 3 pontos percentuais em relação ao ano passado – outros 30% esperam neutralidade, enquanto somente 24% estão confiantes em crescimento econômico. Ao serem questionados sobre os fatores que mais influenciaram em sua avaliação, 61% dos entrevistados apontaram a política nacional como razão. Já o panorama da economia nacional foi indicado por 26%.

Em relação ao desempenho das próprias indústrias, além da queda no percentual de empresários otimistas – de 61% em 2025 para 55% em 2026 – a Sondagem mostra que outros 33% dos entrevistados têm expectativas neutras para seus negócios. Já os que estão pessimistas são 12%, um crescimento de três pontos percentuais em comparação com o levantamento anterior.

Quando perguntados sobre os principais fatores de influência para a avaliação do desempenho de seus negócios, entre os otimistas 56% apontaram a possibilidade de aumento nas vendas, 51% a abertura de novos mercados e 46% o aumento da produtividade. Já entre os pessimistas, 64% apontaram como principal dificuldade a busca por mão de obra, 47% os custos totais de produção e 44% a infraestrutura logística.

Ambiente de negócios

A Sondagem da Fiep também perguntou aos industriais paranaenses quais são os principais fatores que atrapalham o ambiente de negócios do país. A corrupção foi apontada como o maior impacto por 83% dos entrevistados. Em seguida, aparecem a conjuntura econômica nacional (74%), a agenda de reformas (62%) e as políticas sociais governamentais (50%).

“Esse último ponto tem sido crucial para muitas empresas, porque percebemos uma expansão fiscal muito grande baseada no aumento de custos com políticas sociais equivocadas, que não entregam a efetiva recuperação ou inserção social do beneficiário ao emprego e renda, que seria o caminho para a manutenção de um crescimento sustentado do PIB em longo prazo”, declara Vasconcelos.

Investimentos

Mesmo com o recuo nas expectativas dos empresários, a Sondagem revela que a indústria paranaense ainda planeja um nível relevante de investimentos para 2026. No total, 84% das empresas respondentes afirmaram que pretendem investir neste ano, sendo que 59% afirmam que investirão o mesmo ou mais do que no ano passado. Do restante, 25% aplicarão menos recursos do que em 2025, enquanto 16% não devem realizar investimentos.

Entre os que têm investimentos planejados, os projetos serão voltados principalmente às seguintes áreas: melhoria de processos, produtos ou serviços (63%), redução de custos de produção (46%), prospecção de mercados (45%) e ampliação da capacidade produtiva (38%). “As estratégias das empresas mostram uma preocupação clara com objetivos de curto prazo, com foco em aumento da eficiência operacional, redução de custos e consolidação de mercado. Isso mostra que, com o ambiente externo repleto de incertezas e dificuldades, o empresário busca alternativas para seguir competitivo”, diz Vasconcelos.

Produtividade

A Sondagem Industrial 2025/2026 analisou ainda a percepção da indústria paranaense sobre a produtividade. Questionados sobre as principais ferramentas utilizadas em suas empresas para ampliar o nível de produção, 75% dos respondentes apontaram estratégias de melhoria do processo produtivo.

A qualificação profissional aparece logo em seguida, com 64%, seguida de estratégias de gestão (36%) e automação e robotização (26%). Um destaque nesse tópico foi o crescimento da utilização de ferramentas de inteligência artificial, indicada por 15% dos entrevistados – um aumento de sete pontos percentuais em comparação com a pesquisa anterior.

Menor intenção de exportações

Em relação ao comércio exterior, o levantamento da Fiep mostra que somente 30% das indústrias paranaenses pretendem exportar em 2026. O índice é 17 pontos percentuais mais baixo do que o de 2025. Entre os que planejam vender para o exterior, 55% devem comercializar insumos e matérias primas, 26% máquinas e equipamentos, 11% serviços e 8% tecnologia.

A quantidade de empresas industriais paranaenses que pretendem importar também caiu 14 pontos percentuais, ficando em 44% neste ano. Os principais itens a serem importados são insumos e matérias primas (45%), máquinas e equipamentos (31%), produtos acabados (18%), tecnologia (5%) e serviços (1%).

Reforma Tributária

Uma novidade da Sondagem Industrial deste ano foi a inclusão de questões sobre o conhecimento das empresas em relação à Reforma Tributária, que entrou em vigor neste ano. No total, 71% dos entrevistados afirmam que não conhecem todos os impactos da reforma, contra 29% que dizem ter conhecimento.

Entre os que responderam negativamente, o percentual é maior entre as micro e pequenas indústrias: 76% das empresas desse porte alegam desconhecer todos os impactos da reforma. O índice cai entre as médias (64%) e grandes empresas (41%).

Ainda sobre a Reforma Tributária, entre os impactos esperados, 39% dos respondentes consideram que ela será positiva para seus próprios negócios, enquanto 46% acreditam que será positiva para a economia do país. Além disso, 55% dos entrevistados esperam redução da complexidade do sistema tributário com a reforma.

Com Sistema Faep

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