Além de seguir influenciando na agricultura, o La Niña (aquecimento das águas do Oceano Pacífico) também influencia nas temperaturas. E assim como ocorreu em 2021, este ano podem ocorrer ondas de frio intenso a partir de maio no Paraná. Além disso, as temperaturas baixas devem ir embora mais tarde, com possibilidade de geadas tardias, em especial nas áreas mais altas do Estado.
A reportagem da revista Boletim Informativo do Sistema Faep/Senar-PR procurou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para projetar a previsão para os próximos meses, ou seja, a safra de inverno. A expectativa, segundo dados do Inpe, é de precipitação abaixo do normal no Paraná, o que traz apreensão aos produtores rurais, que já contabilizam perdas severas na safra de verão. Confira o que um dos órgãos de meteorologia mais importantes do país aponta sobre a situação climática do Estado. A meteorologista Caroline Vidal e a pesquisadora Mary Kayano foram as autoras das respostas.
Faep/Senar: O que explica a condição de estiagem no Sul do Brasil (mais especificamente no Paraná) nos últimos anos?
Inpe: Existem alguns fatores de escala global que influenciam nesta condição de seca em grande parte da região Sul do Brasil. O principal deles é o fenômeno de La Niña (resfriamento das águas do Pacífico equatorial e que ainda atua este período). Outro fenômeno que tem influenciado é chamado de Modo Anular Sul, o qual consiste basicamente na diferença de pressão entre polo e latitudes médias. Esse fenômeno na fase em que se encontra fortalece um sistema de alta pressão, que inibe condições de chuva em boa parte do Centro-Sul do Brasil.
Faep/Senar: Alguns meteorologistas têm citado um fenômeno chamado de variação interdecadal. O Inpe tem dados que possa relacionar a estiagem com algo ligado a isso?
Inpe: Oscilações interdecadais atuam em um período de tempo mais longo. As duas principais são a Oscilação Interdecenal do Pacífico (PDO, sigla em inglês) e Oscilação Multidecenal do Atlântico (AMO, sigla em inglês), cujos períodos variam de 50 a 70 anos e 60 a 80 anos, respectivamente. No final dos anos 1990, a PDO passou da fase positiva para a negativa e a AMO da fase negativa para a positiva. A situação perdura até os dias de hoje e, prevalecendo o comportamento das últimas décadas, deverá persistir nos próximos cinco a dez anos (maior tendência de La Niña).
Faep/Senar: Como deve ficar a previsão do tempo para os próximos meses, época na qual os produtores plantam a safra de inverno?
Inpe: A previsão indica maior probabilidade de que o fenômeno de La Niña permanece no próximo trimestre. Por isso, para grande parte do Paraná e Santa Catarina, há maior chance de que a precipitação fique abaixo da faixa normal. Já para o Rio Grande do Sul existe uma incerteza maior. Por outro lado, apesar de a previsão indicar a continuidade do La Niña para o próximo trimestre (77%), haverá chances deste fenômeno findar entre março e abril, o que poderá gerar possíveis excedentes de precipitação em setores da região Sul, inclusive em parte do Rio Grande do Sul, onde há maior incerteza na previsão. Em relação às temperaturas, há maior probabilidade na categoria acima da faixa normal para grande parte da região. Porém, caso o La Niña venha a finalizar dentro do trimestre março-abril-maio, poderá amenizar as temperaturas no Sul do país.
La Niña, inverno, frio…
La Niña segue dando as cartas e vai influenciar a safrinha de milho no Paraná; previsão é de frio intenso a partir de maio. CLIQUE AQUI e leia a matéria completa sobre o assunto.
Com Boletim Informativo do Sistema Faep/Senar-PR