A margem brasileira da Itaipu Binacional está prestes a fazer uma transição histórica no modelo de elaboração de projetos de engenharia e arquitetura. A atual tecnologia CAD (Computer Aided Design), ou desenho assistido por computador, que domina o mercado mundial desde a década de 1980, aos poucos será substituída pela plataforma BIM (Building Information Modeling), que permite criar modelos virtuais de alta precisão.
A ascensão do BIM representa uma etapa evolutiva na elaboração dos projetos, a primeira desde que a velha prancheta com régua paralela, papel vegetal e caneta nanquim foi aposentada. Todos os grandes escritórios do mundo já estão migrando para a nova tecnologia. No ano passado, o governo federal publicou o decreto nº 9.377, estabelecendo prazos e metas para a implantação BIM nas contratações de obras e serviços de engenharia no País.
Na nova plataforma, o profissional terá acesso não apenas ao desenho em 3D, mas a todos os detalhes da edificação. Por exemplo: quantos tijolos são necessários, qual a espessura do reboco, que tipo de infraestrutura vai passar por dentro da parede e até o tempo que os operários vão levar para concluir cada etapa da obra.
Se for decidido mudar uma parede ou janela de lugar, todo o projeto se ajusta automaticamente. E o programa avisa se há interferência na ação – como uma rede hidráulica ou elétrica passando exatamente naquele ponto. Antes, era necessário cruzar os dados manualmente.
“Os projetos serão mais assertivos, com uma previsibilidade muito maior. Lá na frente, isso vai melhorar também o custo e a fiscalização da obra”, afirma Henrique Masson Vital, gerente do Departamento de Infraestrutura (SGI.AD). “Trata-se de uma edificação virtual com todas as características da edificação real, tornando-se um banco de dados completo da edificação” acrescenta o desenhista Diego Braga Machado, da Divisão de Infraestrutura (SGII.AD).
Segundo Henrique, com um projeto mais detalhado, a necessidade de aditivos contratuais durante a execução será potencialmente menor – daí o interesse do governo federal em estabelecer uma diretriz nacional.
Para Itaipu, a expectativa é também uma maior integração e padronização dos projetos entre as diretorias Administrativa e de Coordenação – e também a Técnica, considerando as especificidades da área. É isso inclusive que prevê a DET/GB/0036/19, assinada no último dia 12 pelo diretor-geral brasileiro, general Joaquim Silva e Luna.
“Independentemente da área em que esteja lotado, o engenheiro ou arquiteto deverá seguir o mesmo padrão. Queremos padronizar os processos de desenho arquitetônico na margem esquerda” complementa Henrique.
Primeira fase
Na semana passada, profissionais da área de projetos da margem brasileira se reuniram no Auditório Integração para a apresentação da consultoria técnica especializada para implementação de processos BIM. Será um módulo específico para projetos arquitetônicos. Nas fases seguintes outros módulos (hidráulico, elétrico, estrutural, infraestrutura) serão incorporados.
A primeira fase começa oficialmente no dia 5 de agosto e terá seis meses de duração, com o envolvimento de aproximadamente 20 profissionais das três diretorias. De acordo com a apresentação realizada pelo desenhista Diego Machado, várias etapas estão previstas no período, incluindo treinamento e o escaneamento a laser do Escritório Central, sala por sala, para compor um arquivo digital da edificação. Também nesta fase será desenvolvido um projeto-piloto, com a modelagem virtual do Escritório Central.
Outra etapa prevista nesta fase é a elaboração do Manual de Operação BIM e o Caderno Técnico para contratação de novos projetos, que vão orientar como os projetos devem ser realizados dentro do padrão BIM da Itaipu, tanto no âmbito interno quanto para os futuros projetos contratados.
Com Itaipu