A Divisão de Reservatório, da Diretoria de Coordenação da Itaipu, acaba de realizar mais uma etapa de um estudo para avaliar os impactos ambientais da aquicultura (piscicultura em tanque-rede). A equipe coleta amostras e mede parâmetros importantes de qualidade da água, como algas e microinvertebrados, nutrientes e sedimentos, além de avaliar a comunidade de peixes nativos.
Conforme explica a bióloga Caroline Henn, o estudo começou em 2016 e é realizado em parceria com pesquisadores da área de Engenharia de Pesca da Unesp e da Unioeste. A cada três meses, a equipe coleta as amostras na área selecionada para a pesquisa, em quatro pontos de um braço do Rio Ocoí, em Itaipulândia e São Miguel do Iguaçu.

Bióloga Caroline Henn: “A falta de informação afeta diretamente os processos de licenciamento e de gestão da aquicultura” (Foto: Alexandre Marchetti)

Diversos indicadores que medem a qualidade da água são avaliados pelos técnicos da Itaipu (Foto: Alexandre Marchetti)
INCERTEZAS
Segundo Caroline, apesar de algumas pesquisas apontarem impactos ambientais – como o aumento na quantidade de nutrientes dissolvidos na água (o que pode favorecer o crescimento de microalgas, no processo conhecido como eutrofização), e alterações nas comunidades aquáticas nos locais em que os tanques estão instalados (especialmente dos peixes nativos) – a literatura científica sobre o tema ainda é escassa. “Embora exista um grande potencial teórico para produção de peixes nos reservatórios de hidrelétricas, as incertezas sobre a extensão dos impactos ambientais da atividade limitam o seu desenvolvimento, pois a falta de informação afeta diretamente os processos de licenciamento e de gestão da aquicultura”, explica. “Este projeto tem o objetivo de fornecer informações técnicas robustas, que sirvam de base para a tomada de decisões sobre a piscicultura em tanques-rede e outros usos da água”, completa.

Técnicos da Itaipu fazem diversas avaliações sobre a saúde dos peixes coletados (Foto: Alexandre Marchetti)
PROCEDIMENTOS
Além dos parâmetros ambientais, também é realizada a amostragem de peixes, que dura 24 horas, já que o nível de atividade varia bastante entre as espécies. Baterias de redes de espera de diferentes malhas são instaladas e revistadas a cada quatro horas. Os peixes são conduzidos a um laboratório montado em terra, onde são identificados, medidos e pesados. São analisados também o grau de enchimento dos estômagos, para compreender os perfis de atividade alimentar, e as gônadas, para determinar o sexo e o grau de atividade reprodutiva de cada indivíduo.

Projeto também inclui a retirada de amostras de peixes nativos (Foto: Alexandre Marchetti)
BASE DE DADOS UNÍCA
Segundo o engenheiro agrônomo André Watanabe, que participa da iniciativa desde o seu início, a base de dados já obtida é vasta e única para estudos dessa natureza. Já foram confirmadas mais de 50 espécies, em sua maioria nativas e de hábito sedentário (o que é esperado para o local, em função das características hidráulicas), algumas alóctones (nativas de outras bacias) e uma exótica (tilápia) provavelmente oriunda de escape da piscicultura em tanque-terra, praticada próxima ao reservatório. Ao longo do trabalho, também foram capturadas espécies raras na área do estudo, como o tatu (Rhamphichthys hahni).
PRÓXIMO PASSO
A equipe da Divisão de Reservatório, da Diretoria de Coordenação da Itaipu, está preparando o próximo passo: a instalação dos tanques para a produção de peixes. A previsão é que, após a assinatura de um novo convênio e a instalação das unidades de cultivo, as coletas de dados ambientais, produtivos e econômicos prossigam por pelo menos mais dois anos, e por outros dois anos após a retirada dos tanques, com o objetivo de avaliar a recomposição ambiental. “A comparação das variáveis nas fases pré, durante e pós instalação será realizada de forma a gerar publicações técnicas e científicas que contribuam para o desenvolvimento sustentável da atividade no futuro”, finaliza Watanabe.
Com assessoria