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Jovem do Paraná decide se tornar enfermeira após erros em hospital deixarem irmã gêmea cega

Taynara Sinhuri conta que optou por carreira em que pode ajudar a impedir que outras famílias passem pelo que a dela passou: "É um propósito na minha vida"


calendar_month 19 de março de 2026
5 min de leitura

Um sonho que nasceu por conta de um problema familiar se tornou realidade na vida de Taynara Aparecida Sinhuri, de 23 anos. Há menos de dois anos ela se formou em Enfermagem, curso que despertou o interesse da jovem por conta da história da irmã gêmea, que perdeu completamente a visão quando ainda era bebê.

Taynara e Tamires são de Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, e nasceram prematuras na cidade vizinha de Ponta Grossa.

Conforme a agora enfermeira, a perda de visão da irmã aconteceu após ela ter a retina queimada durante uma sessão de fototerapia, tratamento conhecido como banho de luz. A família atribui o caso a um erro da equipe de saúde que atendeu as irmãs no hospital em que estavam. A instituição fechou as portas anos depois.

“A enfermagem não foi uma escolha, eu sempre falo que ela é um propósito na minha vida. É a profissão que mais está próxima ao paciente, porque a gente fica o tempo todo ali. É a ciência do cuidado, baseada em evidências, e o cuidado sempre esteve comigo, porque eu sempre convivi com a minha irmã”.

Taynara cresceu ajudando e acompanhando a irmã a enfrentar as dificuldades impostas pela deficiência visual e, na hora de escolher uma carreira, optou por uma em que poderia ajudar a impedir que outras famílias passassem pelo que a dela passou.

Atualmente trabalhando em um hospital de Ponta Grossa, ela conta que tem contato com pacientes que estão em cuidados paliativos – ou seja, aqueles que enfrentam doenças graves com ameaça à vida.

A enfermeira afirma que, nesses casos, os familiares dos pacientes precisam tanto de apoio quanto os enfermos, e que ela tenta proporcionar aquilo que a própria família não recebeu duas décadas atrás.

“Meu pai e minha mãe não tinham muito conhecimento, eles são pessoas mais simples. Muitas coisas aconteceram durante a nossa internação. Teve até cirurgia que minha irmã fez que meu pai e minha mãe nem sabem contar o porquê… Foram várias complicações que eles não ficaram nem sabendo”, lembra a jovem.

Por isso, a jovem considera que o diálogo deve ser a base da atuação dos profissionais da área.

“A nossa rotina é assim: passar visita, avaliar como o paciente está e conversar com a família. A gente tem que gerar um conforto para o paciente e para a família, principalmente, porque às vezes o paciente está inconsciente, está ali só para descansar mesmo, então quem mais precisa desse apoio é a família. Eu gosto muito de “aplicar” a atenção e ter responsabilidade para tudo que eu for fazer com o paciente”.

Irmã gêmea da enfermeira ficou cega durante internamento

Taynara e Tamires nasceram aos seis meses e meio de gestação. Durante a internação, passaram por diversos tratamentos, entre eles a fototerapia, que utiliza luzes artificiais, principalmente ultravioleta (UVA ou UVB), para tratar doenças de pele.

Segundo Taynara, há ações que devem ser seguidas durante internações de prematuros; entre elas, está a de prender as mãos dos bebês enquanto alguns procedimentos são realizados – uma vez que eles se mexem muito e podem comprometer o tratamento.

A enfermeira afirma que o procedimento não foi feito corretamente na irmã e, por isso, a recém-nascida Tamires acabou tirando as vendas que protegiam os próprios olhos durante a sessão.

Irmãs gêmeas nasceram prematuras — Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Também houve outros problemas durante o internamento. Primeiro que era para termos nascido em uma maternidade, mas por falta de leitos nossa mãe teve que ir para um hospital que já estava em crise e foi fechado anos depois. Depois, chegaram a nos transferir de cidade sem comunicar nossos pais antes, além de fazerem procedimentos que não foram explicados a eles”, afirma ela.

A jovem conta que a família chegou a buscar respostas mais concretas anos depois, mas o hospital fechou e os prontuários se perderam.

Irmã é formada em Pedagogia e atua como paratleta

Taynara e a irmã, Tamires — Foto: Cedida pela família

Taynara conta que, quando era criança, por muito tempo não percebeu que a irmã não enxergava, mas notava que era preciso ter cuidados específicos com ela. Segundo a jovem, a família sempre lutou pela inclusão de Tamires, e todos aprenderam o sistema de braille e de ábaco para auxiliá-la no aprendizado da linguagem e do cálculo, por exemplo.

Enquanto Taynara se formou em Enfermagem, Tamires se graduou em Pedagogia – o que é motivo de orgulho para os pais.

“Eles sempre se emocionam muito, meus pais são muito emotivos. É muito legal proporcionar isso pra eles, porque os dois não têm formação na faculdade, e nós duas conseguimos”, ressalta Taynara.

Atualmente, Tamires também é paratleta. Ela corre 100 e 200 metros rasos e joga goalball, modalidade desenvolvida exclusivamente para pessoas com deficiência visual que envolve o arremesso de uma bola com um guizo em direção ao gol.

Com g1

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